18/05/08

TRAIÇÃO!

Pouco mais de 200 professores concentraram-se ontem no Porto para uma manifestação contra políticas da ministra da Educação. A concentração ficou, aliás, aquém das expectativas. A mesma fraca adesão ocorreu nas manifestações de Coimbra, Lisboa e Évora.
A pouca participação também tem a ver, segundo o sindicalista, como facto de "muitos professores estarem a trabalhar, a corrigir provas".
No entanto, o sindicalista frisou que "a manifestação pretende dizer que o protocolo de entendimento assinado a 17 de Abril não significa que os professores estão resignados" (...) DN

Desculpas esfarrapadas que só podem convencer quem não é professor...
É preciso dizê-lo com as letras gordas: TRAIÇÃO!
É o que todos sentem mas ainda não o gritaram. Mas as acções falam por si.
Por muita revolta que se sinta no âmago, ninguém se vai pôr a jeito para dar corda para se enforcar depois do entendimento. Se tudo ficou na mesma (avaliação, gestão, etc.) ninguém vai correr o risco de se expor publicamente, porque ainda existem muitos lacaios avaliadores. As “charruadas” ainda estão presentes na memória de muitos...
A agenda política sindical sobrepôs-se à agenda profissional e laboral, e com isso enterraram o sindicalismo. A estupidez sindical (ou interesse?!) foi tão grande, que o tiro em vez de ter sido no pé foi na cabeça...

17/05/08


Eles por lá

Parece que o ataque aos professores considerando-os o bode expiatório é uma estratégia europeia. A França é o tampão ao ataque ao Estado social e se claudicar, é como uma barragem que cedeu ao rio: vamos ser inundados por tempos de exploração, pobreza, capitalismo selvagem, com muita violência social à mistura…

Professores e funcionários em greve contra reformas em França
16.05.2008

Entre 200 mil e 330 mil pessoas saíram à rua num total de 5,2 milhões de funcionários públicos em toda a França a Foram principalmente professores que aderiram à greve da função pública de ontem em toda a França - são eles os mais atingidos pela reforma da administração do Estado defendida pelo Governo do Presidente Nicolas Sarkozy e que prevê para 2008 a supressão de 22.900 postos de trabalho, metade dos quais no sector da Educação. Para o próximo ano, foi anunciado o fim de mais 35 mil empregos na função pública. Os sindicatos denunciam uma "política de desmantelamento" do serviço público. E também por isso desfilaram em manifestações em várias cidades, incluindo Paris, onde o protesto juntou cerca de 50 mil pessoas. No total, dizem sindicatos, 330 mil franceses saíram à rua; segundo a polícia, terão sido 200 mil. O Governo defende a sua posição, falando numa "revolução cultural" na função pública. Sobre as reformas anunciadas diz que não recuará. O ministro do Orçamento e Função Pública, Eric Woreth, considerou que este "não era um problema de direita, ou de esquerda". "É um problema de eficácia do serviço público", quando o país enfrenta um pesado défice público, defendeu numa entrevista à televisão. Os sindicatos falaram numa adesão de cerca de 60 por cento. O Governo avançou outros números: 40 por cento. Os protestos vão continuar na próxima quinta-feira, 22 de Maio, dia em que a contestação será contra o fim dos regimes de excepção nas reformas de trabalhadores de alguns sectores. Ana Dias Cordeiro

13/05/08

Podiam começar por casa

Cardeal apela a políticos por justa divisão de bens

Vivemos numa "sociedade opulenta" e depois deparamo-nos com "esta realidade triste, vergonhosa, onde morrem milhões de irmãos à fome". É desta forma que o cardeal português, José Saraiva Martins, que preside hoje e amanhã às celebrações do 13 de Maio em Fátima, um dos "ministros do governo" no Estado do Vaticano, caracteriza o estado actual da sociedade no mundo. Colocando o enfoque nos países ocidentais, onde considera que a situação de pobreza ainda é menos admissível do que nas áreas do globo menos desenvolvidas. Defende, por isso, que é preciso "proceder a uma distribuição social dos bens que a Terra produz", porque "são de toda a humanidade, não deste ou daquele que se arrogue seu proprietário".
A tese é incontestável excepto quando é aconselhada por quem gastou €70 milhões num templo em Fátima com mordomias tecnológicas (painel do altar com folha de ouro, muro hidraulico que separa a igreja em dois compartimentos, etc.), cujas despesas de manutenção mensais ascendem às dezenas de milhares de euros...

11/05/08

Politicamente incorrecto

Com a alteração do ECD, ficou exposto um assunto que só permanecia em pensamento ou que era comentado a titulo privado com um número restrito de pessoas, porque envolve polémica. Esse assunto politicamente correcto, é considerar que no ensino são todos professores independentemente da área disciplinar que leccionam. Esta assunção é uma meia verdade, porque a única coisa em comum é o acto de ensinar, mas cada área do conhecimento implica trabalho pedagógico diferente. Neste contexto, separo as disciplinas em duas áreas:

1-psico-motor (“saber-fazer”)
2-cognitivas (“saber-saber”).

No 1º grupo estão incluídas as disciplinas de Educação Física, Educação Tecnológica e Educação Visual, enquanto que no 2º grupo estão as restantes. Publicamente, o receio infundado de serem tratados profissionalmente de maneira diferente, leva os docentes do 1º grupo a repudiar veementemente esta divisão, mas que em privado reconhecem que existe.
No 1º grupo, o acto de ensinar ocorre predominantemente no contexto da aula, e portanto, a componente não lectiva de preparação de aulas não é tão pesada. No 2º grupo, tem de existir a preparação da aula (com estudo das matérias, elaboração de materiais didácticos, fichas de trabalho e sua correcção, testes escritos e sua correcção, estratégias pedagógicas adequadas para a leccionação dos conteúdos, etc.), o que implica uma componente não lectiva mais pesada.
Todavia, o ECD não consignou as diferenças entre grupos disciplinares colocando todos no mesmo saco, acontecendo o mesmo com a avaliação de desempenho. Neste capítulo, todos sabem que nas áreas do 1º grupo, os alunos têm sempre bons resultados escolares, mantendo-os ao longo do ciclo de estudos; a este facto não será alheio o contexto sala de aula ser completamente diferente: na Ed.Fisica estão num ginásio ou no exterior onde podem ter mais liberdade de movimentos; na Ed. Visual e Ed. Tecnológica executam essencialmente trabalhos práticos de manufactura, onde podem interagir uns com os outros sem perturbar a aula. Assim, estes professores terão sempre garantida uma boa avaliação no parâmetro dos resultados escolares dos alunos. No caso das outras disciplinas, o contexto de estarem fechados numa sala de aula com regras de intervenção e com trabalho essencialmente cognitivo, de apelo ao raciocínio lógico-concreto, formal e abstracto, restringe mais a liberdade de interacção entre alunos para que a aula não seja perturbada (e daí serem nessas disciplinas que ocorre a maioria dos casos de indisciplina). Assim, estes professores têm muitos mais dificuldade em ter uma boa avaliação no parâmetro dos resultados escolares dos alunos, principalmente aqueles que possuem níveis de ensino sujeitos a exame nacional.
Nos últimos anos, algumas escolas assumiram explicitamente estas diferenças através da diferenciação do número de horas da componente não lectiva individual atribuída aos docentes: os do 1º grupo tinham mais horas de trabalho no estabelecimento do que os restantes (exceptuando os docentes de ED.Visual que leccionavam níveis de ensino sujeitos a exame nacional, como no caso da Geometria Descritiva).
Ou seja, ensinar uma determinada área disciplinar é completamente diferente de ensinar outra área disciplinar, porque ensinam conteúdos diferentes. Tratar de forma igual contextos diferentes é pedagogicamente injusto.
Este assunto está sempre envolto em polémica, com reacções adversas, mas até hoje todos os docentes do 1º grupo intelectualmente honestos, em privado assumiram naturalmente estas diferenças. Desde o colega de Ed. Fisica que confessavava que só para preparar um esquema para leccionar uma aula ao 7º ano demorou 30 mins (!) numa área do desporto relativamente simples e que agora compreendia o tempo que seria necessário para preparar uma aula das disciplinas cognitivas, passando pela outra colega de Ed.Fisica que confessava que quando chegava a casa, tomava banho e ainda tinha tempo de poder sair com os amigos enquanto que a colega de Matemática tinha de ficar a preparar aulas pela noite dentro, até à colega de Ed. Física que percorre todos os dias 200 Km desde a área de residência até à escola, e no final do dia ainda vai leccionar diariamente, incluindo o fim-de-semana, aulas numa academia de artes (tal só é possível porque não necessita de usar a componente não lectiva individual para preparar aulas), são exemplos concretos que são todos professores, mas não possuem a mesma componente não lectiva de trabalho individual.
Por isso, uma das coisas que sempre defendi, sabendo que é politicamente incorrecta e sujeita a polémica pessoal mas incontestável a nível pedagógico, é que o ECD devia possuir um tronco comum mas depois devia possuir um articulado que distinguisse especificamente cada uma das áreas disciplinares que existem no ensino, de modo a discriminar o trabalho pedagógico entre cada uma delas; o mesmo deveria ter acontecido para a avaliação do desempenho.

10/05/08

Quantos são? Quantos são?

Assim, durante 2008, cada inspector tem que efectuar duas detenções, oito processos-crime, 61 contra-ordenações, seis suspensões e apontar 124 infracções.
São os objectivos individuais exigidos aos inspectores da ASAE, que têm repercussões na carreira profissional dos mesmos. Quem vão ser os desgraçados que vão contribuir para esta carreira, é um autêntico sorteio.
Usando a linguagem de Pina Manique, ou um inspector tem umbridade ética e moral e caga na carreira, ou é humano e também precisa de dinheiro para viver e portanto pode ser obrigado a inventar detenções e infracções para não ser prejudicado.
Analogamente, é algo que vai acontecer com os resultados escolares dos alunos, quando os professores são responsabilizados pelas mesmas e a sua carreira também depende delas.
O que é significativamente abjecto, é constatar ser o socialismo a promover este modo de interacção social.

08/05/08

Motivo de revolta

O quadro de Claude Monet Le Pont sur le chemin de fer d"Argenteuil foi leiloado na terça-feira na Christie"s de Nova Iorque, por mais de 24 milhões de euros. A obra, pintada em 1873 pelo pintor francês, foi descrita pelo responsável do sector de arte moderna e impressionista da Christie"s, Guy Bennett, como "uma das maiores obras impressionistas ainda em mãos privadas - o mercado estava à sua espera". No mesmo lote, a escultura de Auguste Rodin Eve, grand modèle-version sans rocher, foi arrematada por mais de 12 milhões de euros. PÚBLICO

A estupidez monumental de alguns seres humanos, que são, algumas vezes, os mesmos que procedem ao despedimento de milhares de trabalhadores para racionalizar custos. Pois, para custear estes custos…

07/05/08

A causa

Todas as semanas, desde há dezenas de anos, que são denunciados casos ligados à criminalidade económica e corrupção. Uma última tentativa para criar leis que efectivamente combatessem a causa do subdesenvolvimento deste país, foi liquidada pelos deputados da maioria absoluta que a ostracizaram para um esquecimento conveniente. O deputado socialista João Cravinho apresentou uma proposta para criminalizar o enriquecimento ilícito, mas os seus companheiros de partido abafaram a proposta. Como disse um antigo director da policia judiciária, juiz Marques Vidal, não é possível combater a corrupção com o mapa jurídico actual, e que interessa ao poder politico manter este status quo, porque o poder económico sobrepõe-se ao poder politico e ninguém quer arranjar lenha para se queimar. Por isso, quando se ouve a lengalenga do défice provocado pelas despesas de educação, saúde, segurança social, deve ser completamente rejeitada porque esse défice é resultado da corrupção que drena o orçamento de estado. Nenhum cidadão deveria neste momento aceitar essa argumentação bacoca, sob pena de estar a contribuir para a podridão que infelizmente vai continuar a grassar neste quintal europeu.

06/05/08

O carácter de um PM

Quando um país europeu tem um primeiro-ministro com 'determinado' carácter, está caracterizado o país...

António Morais, ex-assessor de Armando Vara, vai ser julgado por corrupção
06.05.2008, José António Cerejo

Professor de José Sócrates na Independente, a ex-mulher e um empresário pronunciados por corrupção e branqueamento de capitais no concurso para o aterro sanitário da Cova da Beira
António Morais, o antigo professor da Universidade Independente que em 1996 leccionou quatro das cinco disciplinas com que José Sócrates concluiu a licenciatura e que nessa altura era assessor do secretário Estado Armando Vara, foi ontem pronunciado pelos crimes de corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais, alegadamente praticados naquele mesmo ano.


A verdade inconveniente

Aquela que incomoda o capital e a politica sem ética, grotescamente egocêntricos...

01/05/08

Tráfico de influências no comando da PSP

No dia 21 de Setembro de 2004, 2 Agentes da PSP, dirigiram-se à Rua Paiva Couceiro, nº 3, por determinação da Central Rádio, em virtude de ter sido denunciada a ocorrência de uma desordem na via pública, nas imediações de um Estabelecimento de Restauração e Bebidas ali localizado, provocada por alguns indivíduos que se haviam envolvido em agressões físicas mútuas. Uma vez chegados ao local os dois Agentes terão contactado dois dos envolvidos nas agressões que ainda ali permaneciam, um dos quais já havia chamado uma ambulância através do 112, cuja vinda acabou por ser anulada pelos referidos Agentes através da Central Rádio, segundo os mesmos, com a anuência do ofendido que a solicitara, pelo facto de este se poder parte superior dos olhos.
Porém, o ofendido em causa terá, a dada altura, exigido aos Agentes da PSP que o transportassem ao Hospital no CP, os quais o terão “inequivocamente elucidado da impossibilidade de tal diligência ser efectuada por parte daquela Policia”, ao que o mesmo reagiu de forma autoritária, não se conformando com a explicação apresentada, estabelecendo em seguida contacto através do seu telemóvel, com um Comissário daquela Força de Segurança, ao qual solicitou que determinasse aos elementos da tripulação em causa a realização do seu transporte ao Hospital. Um dos Agentes predispôs-se então a falar com o suposto Comissário de Policia, no sentido de aclarar a situação, através do aludido telemóvel do queixoso, tendo-se aquele identificado pelo nome e Posto, como sendo o Comissário (a que chamaremos Comissário X), que se encontrava de “Oficial de Serviço ao Comando de Lisboa (Cometlis)” e manifestado uma certa incompreensão, perguntando se estavam a questionar a sua autoridade, ao que o Agente da PSP terá respondido que “…em virtude de não ser possível corroborar a sua identificação, o mesmo teria que utilizar os meios/canais oficiais para determinar a sua ordem”, se pretendia que aquela tripulação efectuasse o transporte do queixoso ao Hospital.
Subsequentemente, em 21/8/2005, foi lavrada uma Participação pelo Sr. Comissário de
Policia, que deu origem ao Processo Disciplinares que vieram a ser instaurados contra os dois
Agentes da PSP intervenientes, por violação dos deveres de zelo, de obediência e de aprumo. Estes Processos Disciplinares, após desenvolvimento da respectiva tramitação processual, culminaram com as decisões condenatórias proferidas em 4/04/2007 que puniram os dois arguidos, com a sanção de 6 dias de multa.
Descrição dos factos num Parecer sobre legalidade de transmissão de ordem de superior hierárquico por telefone móvel de particular- PAR-5/2008, da Inspecção-geral da Administração Interna
Ou seja, um cidadão que levou umas pancadas decidiu extemporaneamente exigir aos policias que o transportassem ao hospital no carro patrulha. Perante a correcta recusa dos agentes em utilizar indevidamente um veículo destinado a outras funções, o cidadão decidiu meter uma cunha a um comissário que devia ser das suas relações pessoais de amizade, dado que possuía o seu nº de telemóvel. Contudo, o policia recusou-se correctamente a acatar uma ordem de transporte feita através de um telemóvel, porque simplesmente não ia acreditar só na palavra do interlocutor que se dizia ser comissário da policia, sem confirmar por fonte segura da sua identidade.
Por azar, parece que o dito interlocutor era mesmo comissário e por despeito, acciona um processo disciplinar que acaba em condenação dos policias. Portanto, os policias foram condenados por agir correctamente e pagaram as favas de um comissário permeável a tráfico de influências, que deveria ter sido sujeito a processo disciplinar pelo comportamento impróprio.
Quando no alto comando de uma força de segurança, que tem a importante função de preservar o Estado de Direito, existem comandantes que têm os comportamentos menos dignos e ilegais, não é de esperar uma sociedade muito pacifica e harmoniosa…

As tetas do orçamento e os vitelos que as mamam

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Manuel Lobo Antunes, vai sair do Governo para chefiar a representação de Portugal na União Europeia, numa movimentação diplomática que nomeia também Manuel Maria Carrilho para a UNESCO, disse ontem à agência Lusa fonte oficial.

Estes são os exemplos das tetas usadas para mamar no erário público; lugares decorativos, sem relevância no funcionamento da sociedade, servem unicamente para premiar os lacaios que ajudam a manter as elites no poder.
Este estado de coisas não vai durar eternamente, por isso não está em dúvida se vai acontecer mas quando vai acontecer a próxima revolução…

A corrupção no seu melhor

Nenhum trabalhador da Administração Pública nem nenhum contribuinte, jamais aceitarão a perda dos seus direitos sociais com base na justificação da diminuição do défice e na racionalização dos recursos, enquanto persistirem estas formas de corrupção que delapidam o erário público:

29/04/08

Já começou o retorno do investimento

Todos conhecem o famoso provérbio da mulher de César, no qual este exemplo não se aplica. O investimento no homem já começou a render...
Prazo de concessão prolongado
Mota-Engil investe 226 milhões - CM

A Mota-Engil, que contratou recentemente Jorge Coelho para CEO, assinou ontem um memorando de entendimento com o Governo para a ampliação do terminal de contentores.
O investimento previsto pelo Governo é de 226,7 milhões de euros, apesar de a empresa ter comunicado à CMVM o valor de 226 milhões.

Um dos pregos do caixão do 25 de Abril

Uma centena de sindicalistas concentrou-se ontem no Outeiro da Cabeça, Torres Vedras, em solidariedade para com o funcionário Pedro Jorge, da Cerâmica Torreense, alvo de um processo disciplinar por ter dito na televisão que não é aumentado desde 2003.
(...) O empregado da Cerâmica Torreense, Pedro Jorge, de 30 anos, recebeu uma nota de culpa com vista ao despedimento, depois de ter declarado no programa Prós e Contras da RTP1 que não é aumentado desde 2003. Pedro Jorge é electricista desde os 20 anos na empresa Cerâmica Torreense e desde 2006 desempenha também funções de delegado sindical.A 28 de Janeiro, foi convidado a participar no programa televisivo para responder a perguntas sobre como consegue um jovem casal viver com módicos ordenados (ele é electricista e ela é recepcionista) e sobre quais as suas principais dificuldades. Para o trabalhador, em causa estão as seguintes declarações no programa conduzido pela jornalista Fátima Campos Ferreira: "Boa noite, eu sou o Pedro Jorge. Sou electricista no sector cerâmico. Posso dar o meu exemplo: na empresa onde trabalho, a Cerâmica Torreense, não sou aumentado desde 2003, o meu ordenado está congelado desde 2003."

27/04/08

Fica dito

Um dos sinais do Apocalipse?

Uma extensa reportagem do jornal PÚBLICO de hoje, sobre o tema do aumento da fome a nível mundial devido à escalada dos preços dos alimentos, veio colocar em evidência a sobrevivência da espécie humana. Nenhum dos problemas corriqueiros quotidianos (profissionais, económicos, etc.) tem qualquer importância perante este singelo facto de existir o risco de não haver quantidade suficiente de alimentos para todos os seres humanos, incluindo-se aqueles-os dos países desenvolvidos- que normalmente não tinham esse problema.
Curiosamente, de todos os organismos internacionais citados na reportagem, nenhum apresentou a única solução viável para evitar uma possível catástrofe: o controlo da natalidade da espécie humana.
Existem dois factos incompativeis:
- o planeta é um sistema fechado
- o aumento contínuo da população humana
As soluções tecnológicas apenas adiam o inevitável se não se atacar o aumento demográfico. Mantendo este status quo, cada um deve-se preparar para os tempos de violência que se avizinham e provavelmente para a 3ª guerra mundial.
Actualização:
Director da CIA receia crescimento populacional
02.05.2008 – PÚBLICO

O crescimento populacional e a maré cheia da imigração são os novos desafios que os Estados Unidos terão de enfrentar no próximo meio século, considerou o director da CIA, Michael Hayden, num discurso na Universidade do Kansas. Em 2050, o número de seres humanos na Terra deve subir dos actuais 6700 milhões para 9000 milhões. Nos próximos 40 anos, disse Hayden, citado pelo jornal The Washington Post, o crescimento projectado de 33 por cento da população será um dos factores mais significativos para a segurança no século XXI.A pressão populacional reduzirá os recursos e alimentará movimentos extremistas e de insurreição civil em vários pontos do globo, disse Hayden. "A maior parte do crescimento populacional será nos países com menos condições para o suportar."Espera-se que a população do Níger e da Libéria triplique nos próximos 40 anos. A pressão para garantir alimentos, abrigo e emprego para tantos milhões de pessoas "pode fazer com que muitos se sintam atraídos pela violência ou pelo extremismo", considera o director da agência de espionagem norte-americana.Nesta visão da CIA, os países mais ricos, as divisões étnicas e raciais, sublinhadas pela imigração, podem criar problemas de segurança, em especial nos países europeus com muitos imigrantes muçulmanos.

26/04/08

Uso a boca de outro concidadão

"Quem se vai governando já nasceu de camisa branca"
CÉU NEVES - DN

Diz que é um homem de causas, cheio de dúvidas. E em constante interrogação.
"As pessoas valem pelo que são e não pelo que fazem. Gostaria de ver uma Igreja politicamente empenhada. A Igreja aburguesou-se. Não precisamos de mais partidos, precisamos é de uma sociedade civil mais exigente e implacável. Temos um país de bananas onde quem se vai governando já nasceu de camisa branca." Eis Henrique Pinto em discurso directo, um discurso difícil de catalogar. Parece estar contra tudo e contra nada. Provavelmente, estará num momento de viragem, para regressar à casa de partida: os Missionários da Consolata.
Mas para regressar precisa de resolver as questões por que deixou definitivamente a congregação, em 2001. As dúvidas começaram em 1994. "Entrei em crise. Comecei a questionar as verdades absolutas da Igreja, a forma como se hierarquiza, o poder que dá ao sacerdote, por exemplo. Porque é que, perante uma sociedade com tantas desigualdades, a hierarquia mantém todos os privilégios?" diz. E, logo de seguida, adverte que não defende que é preciso viver em dificuldades para apoiar os desfavorecidos: "Não sou dos doidos que dizem que a Igreja deveria vender tudo. O que digo é que a Igreja deveria ser testemunho do desapego." Ou seja, tem dificuldade em perceber que alguém defenda a igualdade social e tenha rendimentos elevados. Por isso, diz que não poderia ser do Bloco de Esquerda. Também não se identifica com o Partido Comunista. Sabe é que é um homem de esquerda. Um homem de causas.
A vida civil deu-lhe outra liberdade intelectual, um valor de que tem relutância em abdicar, sobretudo porque foi educado "para converter tudo e todos ao cristianismo". Liberdade para ser a favor dos métodos contraceptivos, dos casamentos e da adopção pelos homossexuais, por exemplo. Se voltar aos Missionários da Consolata é porque não nasceu para viver sozinho. O ideal seria partilhar uma vida a dois, mas ainda não conseguiu encontrar a outra parte. E tem dúvidas se o conseguirá. "Sendo uma pessoa de causas, teria de encontrar uma pessoa de causas. Se não, é sempre um choque. Há sempre uma cobrança", justifica. E as pessoas com quem se tem cruzado "vivem muito agarradas à terra". Ele vive de forma despegada. O que não quer dizer destituída de bens, mas capaz de deles se desfazer. Está a pagar uma casa, recebe ordenado como director da revista Cais e é investigador e professor da Universidade Lusófona.

Os vampiros do Zeca Afonso

O colega bloguista A Educação do meu Umbigo, publicou uma tabela com os nomes de alguns vampiros que metaforicamente o Zeca denunciou. Obviamente que faltam outros que não estão aqui, de outras áreas profissionais e da economia, mas alguns nomes que aparecem explicam talvez algumas mudanças de atitude. Saliento o nome de José Júdice, um antigo militante activo do PSD, pensador livre que sempre denunciou os atentados aos direitos básicos; pois, estou a usar o pretérito perfeito...
Como dizia o saudoso Vasco Santana: "Andamos todos ao mesmo..."