18/10/08

A 'cunha' já começou

O PSD avançou com um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei que concede o prolongamento da concessão do terminal portuário de Alcântara à Liscont, do grupo Mota-Engil, para além dos 30 anos inicialmente previstos no actual contrato e sem concurso público.
A Liscont passou em 2007 para as mãos do grupo Mota-Engil, actualmente liderado por Jorge Coelho. PÚBLICO

Paradoxos ignóbeis

Um milhão de euros por 6 fotografias. A ideia é do próprio governo português que, mesmo em tempo de crise, está a ponderar seriamente a contratação de um famoso fotógrafo norte-americano para vender a imagem de Portugal no estrangeiro. Certo é que o prestigiado fotógrafo Steven Klein faz-se pagar e muito bem. Fazendo contas, caso a contratação vá para a frente, cada fotografia vai custar uma bagatela de quase 170 mil euros. TVI

Orçamento. Em compras de serviços, a factura total é de 1,25 mil milhões de euros

Em estudos, projectos e pareceres encomendados a gabinetes de advogados, de engenharia e consultores privados, o Governo vai gastar 167,7 milhões de euros em 2009, de acordo com o Orçamento do Estado ontem divulgado DN

As campanhas partidárias para as três eleições previstas para 2009 - europeias, legislativas e autárquicas - vão custar 70,5 milhões de euros, segundo o orçamento da Assembleia da República ontem aprovado. PÚBLICO

Governo reduz pensões de antigos combatentes
A oposição criticou duramente a proposta . "Uma vergonha", disse o deputado Henrique Freitas (PSD). "Há ironias. Ontem discutimos 20 mil milhões para salvar os bancos. Hoje estamos a discutir três milhões de euros poupados à custa de antigos combatentes." DN

O balanço da AMI mostra um aumento da pobreza em Portugal, facto que a instituição considera "preocupante" no que respeita à capacidade de resposta das ONG. DN

16/10/08

Entrevista acutilante II















Entrevista acutilante

http://sic.aeiou.pt/online
(menu Videos, Jornal das 9, 15-10-2008, vídeo “Em análise”)

- “A Educação justificava-se manifestações muito mais fortes do que na Saúde. A Educação é pior do que na Saúde em Portugal”;

“A educação em Portugal é um malogro”;

“A escola inclusiva é a ideia onde se põe a malta toda e tem que lá estar. Mas de que serve estar lá quem não quer estudar? Porque é legítimo eles não quererem estudar. (...) querem o pessoal lá todo; claro que o pessoal que não quer fazer nada está só a atrapalhar a vida aquele que quer.”

“Se os pais vierem para a rua, não devia ser por causa da falta da empregada, mas por causa dos filhos que aprendem pouco ou que aprendem o que não serve. Os pais não se apercebem que se está a dar doses de ignorância aos filhos. (...) Essa coisa das Novas Oportunidades é zero. Como é que o sr. quer o 12º ano em 6 ou 8 meses quando leva 12 anos para o obter?
Medina Carreira, entrevista no jornal das 9, SIC Noticias, a Mário Crespo

“Médicos, militares, professores, afinal mantêm o mesmo regime de sempre, um regime privilegiado na progressão nas carreiras, nada de estrutural mudou” (???)
Mário Crespo, no inicio da entrevista

13/10/08

Ninguém questiona?

Governo dá garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos
TSF

O Governo vai prestar garantias de 20 mil milhões de euros às operações de financiamento dos bancos que estão em Portugal para melhorar o acesso à liquidez. O anúncio foi feito, este domingo, pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, no final da reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

Mas ninguém questiona? O governo tem 20 mil milhões e nem um comentário? Então como se explica que temos défice se o governo tem este dinheiro? Este dinheiro pagaria o défice e ainda sobrava para sustentar a despesa pública durante anos, não se justificando o encerramento de urgências, escolas, a redução das pensões de reforma, o aumento de impostos, a eliminação de direitos sociais, etc.
Afinal que patranha é esta do défice, se existe dinheiro que por artes mágicas pode pagar os devaneios da banca mas não pode pagar os serviços públicos básicos?

09/10/08

Avaliação para quê?

O deputado do CDS-PP João Paulo Carvalho pediu à maioria socialista que comentasse "o caso do conselho pedagógico de uma escola de Barcelos que decidiu que os alunos podem passar de ano mesmo com cinco negativas".
Quanto ao caso de Barcelos, o deputado do PS a deu a entender estar de acordo com a decisão do conselho pedagógico, argumentando que "é sempre muito mais exigente e dá sempre muito mais trabalho às escolas e aos professores integrarem os alunos com percursos de aprendizagem difíceis". "É sempre mais fácil colocá-los fora da escola. A nossa resposta é fazer com que as crianças fiquem dentro da escola. O direito à educação é um direito básico", acrescentou Bravo Nico. PÚBLICO

Já agora: avaliação para quê? Sem avaliação jamais existiria a problemática da reprovação.
Também é mais fácil colocar os professores fora da escola. A resposta deveria ser que os professores fiquem dentro da escola em vez de despedidos por acumulação de duas avaliações negativas. O direito ao trabalho é um direito básico (um dos pilares basilares do socialismo, que pelos vistos foi arrumado no baú, algures numa cave bolorenta...)

07/10/08

De olhos bem fechados

“Sinto até um certo embaraço por um dia ter pensado que cada deputado tinha o seu próprio cérebro e que era com ele que votava na Assembleia da República. Graças ao badalado projecto de lei do Bloco de Esquerda, o grupo parlamentar do PS teve a amabilidade de me mostrar o quanto eu estava enganado."
João Miguel Tavares, jornalista, "Diário de Notícias", 07/10/08
Mas é óbvio que eles tratam da vidinha deles em primeiro lugar; vão arriscar a perder o lugar e possiveis influências com opiniões criticas?
O problema neste sistema democrático, é que os governantes não sofrem pessoalmente e individualmente com as decisões que tomam. O actual PM já tem a sua vidinha garantida; acham que ele vai sofrer com as decisões que publicou?
Aposentação, fecho de unidades de saúde, fecho de escolas, aumento de impostos, etc. nada disto o atingirá pessoalmente porque já tem garantido esses serviços.
Gostaria de ver o mesmo PM a decidir mas com a noção de que sofreria pessoalmente com as decisões emanadas por si...

Pictograma da avaliação docente

Uma trituradora de pessoas


Surreal





De perder a cabeça





Uma loucura















04/10/08

A escravatura não acabou: travestiu-se

"Na segunda-feira votei pelos americanos. Hoje [ontem] votei com a minha mão no peito pelo meu país porque as coisas estão mesmo más e não temos outra hipótese. Estamos sem opções e encostados à parede." Esta frase pertence a um dos vários membros da Câmara dos Representantes que se opuseram ao plano Bush, na primeira votação, e que ajudaram à sua aprovação, ontem, por 263 votos a favor e 171 contra.

Endividamento sem controlo
Segundo o The New York Times, nesse encontro foi aprovado por unanimidade o fim da regra que limitava os montantes de endividamento que podiam assumir as unidades de corretagem desses bancos. Desta forma, foram libertados milhares de milhões de dólares "parqueados" para fazer face a eventuais perdas sofridas por decisões de investimento. Essas reservas foram, então, utilizadas pelos bancos para procurar rentabilizar o ressurgimento das bolsas ou o boom imobiliário. Foi esse dinheiro que acabou por entrar no mercado de crédito hipotecário de alto risco (subprime) e transformar-se em produtos estruturados vendidos, posteriormente, em todo o mundo. E que, depois do colapso do subprime, acabou por obrigar à criação do plano de 700 mil milhões de dólares com vista a "limpar" esses activos tóxicos. Como é que a SEC permitiu que os bancos se "alavancassem" ao ponto de deverem mais de 30 dólares por cada dólar que detinham na realidade? O "negócio" dava uma contrapartida à entidade reguladora: acesso livre aos modelos de risco implementados pelos próprios bancos. No entanto, esse plano teve dois problemas: os modelos de risco estavam desactualizados; e a divisão da SEC responsável por fazer a supervisão dos riscos do investimento dos bancos nunca foi devidamente activada. Resultado: os bancos ficaram à solta para tomar as decisões de investimento que entenderam, sem adequarem os montantes do seu endividamento à capacidade de os cobrirem em caso de perdas. Durante esse período, os cinco bancos acumularam activos no valor total de quatro triliões de dólares (2,9 biliões de euros).
Decisão quase 'secreta'
No momento da decisão, as poucas vozes que criticaram a anulação da obrigatoriedade de adequação das dívidas ao capital dos bancos foram ignoradas. Na imprensa norte-americana não houve um único artigo sobre o tema. "Fomos ingénuos ao acreditar que as empresas tinham uma forte cultura de autopreservação e responsabilidade e seriam disciplinadas no seu excessivo endividamento", explicou ao NY Times um professor de contabilidade da Universidade de Duke, James D. Cox. "Aprendemos todos uma lição terrível", acrescentou. Há uma semana, o actual líder da SEC, Christopher Cox, anunciou o fim do programa de 2004, reconhecendo a incapacidade da regulação para travar a iminente falência dos cinco bancos. Uma decisão tomada poucos dias depois de o candidato republicano, John McCain, ter exigido a sua demissão. DN

"Por cada cidadão americano está em jogo um cheque de 2300 dólares. É muito dinheiro e é natural que os cidadãos olhem para o pacote Paulson como um pára-quedas de ouro para pagar a irresponsabilidade dos altos executivos de Wall Street."
Armando Esteves Pereira, "Correio da Manhã", 4 de Outubro de 2008


As nossas poupanças nunca estão seguras com este sistema económico capitalista. Existe uma enorme hipocrisia politico-económica: as ideologias governativas impõem um modelo económico capitalista neoliberal, suportadas pelos grupos financeiros e empresariais, com o argumento que é o melhor sistema para produzir riqueza e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Este modelo impõe a privatização dos actos económicos, sem regulação, preconizando uma maior obtenção de lucros. Contudo, os lucros são privados, mas os prejuízos são públicos.

Ou seja, este capitalismo é como um menino mimado com pai milionário, que quer usufruir do património parental a seu bel-prazer sem prestar contas e que quando se vê afundado nos devaneios em que se envolveu, obriga o pai a pagar os prejuízos sem este ter direito a tugir ou a mugir, com a chantagem de que se não for salvo, trará para casa um mau ambiente quotidiano…

Os banqueiros, correctores, grupos empresariais, comportam-se como meninos mimados cujo pai estatal está sempre disponível para cobrir os seus devaneios, ganância e mordomias. E este pai estatal está disponível porque a classe politica está dependente dos meninos mimados para se manter no poder, gerando-se uma promiscuidade irreversível. O orçamento de Estado é um bolo apetecível, porque é confeccionado sem esforço e obtém os ingredientes coercivamente (obrigando todos os cidadãos a pagar); e é este bolo que verdadeiramente sustenta as supostas empresas privadas.
A hipocrisia atinge laivos de irracionalidade, porque defende um sistema capitalista neoliberal, mas nos momentos de aperto recorre-se ao ostracizado sistema comunista, usando-se o procedimento típico da nacionalização. Se o comunismo foi um evidente fiasco como modelo económico, o capitalismo mostrou resultados idênticos, continuando a existirem desigualdades imorais e pobreza inaceitável.
Ironicamente, o país modelo do capitalismo neoliberal, inimigo fidagal do comunismo, recorre a este sistema para salvar o país da desgraça financeira, com a agravante de que é um governante que pertence aos quadros de uma correctora (as responsáveis por esta crise) que propõe que lhe paguem as asneiras que praticou…

Esta crise vem comprovar que este capitalismo é uma falácia, que só serve para manter o satus quo dos grandes grupos económicos, e que escraviza os cidadãos porque são estes que sustentam o sistema com o seu trabalho. Paradoxalmente, são os indivíduos que fazem má gestão que arrastam todos os outros, independentemente destes terem pautado a sua vida com uma gestão moderada e racional. Veja-se o exemplo de 1929 ou da Argentina em 2001, em que os excessos de alguns destruíram a boa gestão de muitos, perdendo-se poupanças de uma vida inteira. Isto é, quem poupa nunca está a salvo, porque basta existir quem não se preocupe em poupar mas somente em consumir hedonisticamente, que quando deixar de pagar afecta todos os outros que não optaram por essa via.
É este o modelo económico que se globalizou…

Comportamentos persistentes

A falta de lavatórios suficientes para uma higiene das mãos eficaz dificulta o combate às infecções hospitalares, que afectam oito em cada cem doentes portugueses. Para combater o problema, médicos e enfermeiros vão passar a utilizar bolsas anti-sépticas. Um instrumento de fácil utilização e que pode e deve estar junto aos doentes ou mesmo no bolso dos profissionais, para que estes a usem sempre que toquem em doentes ou material. Para que a lavagem das mãos - com água e sabão ou solução anti-séptica - seja feita de uma forma uniformizada, Portugal vai aderir, na próxima quarta-feira, a uma campanha de higiene das mãos da Organização Mundial da Saúde.

É incrível como no séc.XXI ainda existem comportamentos idênticos aqueles que existiam no séc. XIX na classe médica. Isto comprova que os hábitos são muito difíceis de transformar.

30/09/08

A hipocrisia do capitalismo

$700.000.000.000- O montante que o Estado norte-americano está disposto a pagar para salvar a fortuna dos accionistas bancários. Ou seja, a extravagância e opulência em que estes viveram, tem de ser salvaguardada pelos que trabalham na labuta quotidiana. No entanto, este país, não se dispõe a possuir um serviço nacional de saúde, invocando o despesismo e a melhor eficiência dos sistemas privados, impedindo dezenas de milhões de cidadãos de ter acesso a cuidados de saúde. Com 700 mil milhões de dólares instalavam um SNS durante décadas...
Está comprovada a ‘eficiência' dos privados e que “é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma” (isto é, as mesmas elites na mesma opulência...).

7 minutos

O tempo necessário para colapsar a economia. Só é possível no absurdo sistema económico capitalista neoliberal, pseudo-privado, que se baseia num sistema virtual e psicológico, jogando com os medos e anseios humanos, totalmente alheios à racionalidade da contabilidade empresarial, e que é um embuste ilusório para as massas, de modo a garantir que os mesmos grupos de individuos que mantêm o poder há séculos, continuem a mantê-lo ad eternum.
On Monday afternoon, Wall Street basically stopped trading to watch TV - mainly CNBC - to see how the House of Representatives would vote on the $700 billion bailout package. When it first started looking like the bill would fail, the Dow plummeted 389 points, or 3.6%, in just seven minutes.

29/09/08

O grito da revolta pacifica

Os tempos solicitam a memória dos lutadores pela justiça. A mensagem emanada por esta música do falecido Bob Marley, deveria ser a ignição de uma nova viragem na sociedade:



Letra:

Old pirates, yes, they rob i;
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took i
From the bottomless pit.
But my hand was made strong
By the hand of the almighty.
We forward in this generation
Triumphantly.
Wont you help to sing
These songs of freedom? -
cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs.

Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look? ooh!
Some say its just a part of it:
Weve got to fulfil de book.
Wont you help to sing
These songs of freedom?
-cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs;
Redemption songs.

---/guitar break/---

Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our mind.
Wo! have no fear for atomic energy,
cause none of them-a can-a stop-a the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look?
Yes, some say its just a part of it:
Weve got to fulfil de book.
Wont you help to sing
These songs of freedom?
-cause all I ever had:
Redemption songs
-All I ever had:
Redemption songs:
These songs of freedom,
Songs of freedom.

27/09/08

A natalidade em Portugal

O governo está «muito preocupado» com a tendência de declínio da população portuguesa e responde a esse desafio com políticas activas de apoio às famílias, diz a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação
Como podem as novas gerações poderem planear a constituição de uma familia, se:
- não possuem estabilidade profissional e laboral, sendo a precariedade o seu estado mais frequente;
- não possuindo a estabilidade citada, não têm acesso a crédito para a habitação;
- não possuem rendimentos salariais que lhes permitam custear as depesas mensais de uma familia;
- os agentes económicos (empresas e Estado), desincentivam a natalidade ao dificultar o acesso aos direitos parentais e rescindindo contratos quando a parentalidade surge;
- os agentes económicos penalizam na carreira quem assume a sua função parental?

Se pertencesse a essa geração, dificilmente planearia uma familia com descendentes...

A ressureição de 1929

A história repete-se ciclicamente: capitalistas irresponsáveis afundam a economia e uns anos após uma depressão económica, os cidadãos saturados de sofrimento promovem a ascensão de indivíduos totalitários que conduzirão a um novo conflito bélico mundial. Só que este será o último da Humanidade...

Resposta a um titulo de um artigo de jornal

O que é que Portugal tem que atrai tanto Hugo Chávez?

R: Também é governado por um autoritário com laivos de ditador, que fez carreira profissional na politica

A percepção do presente

Concita de Gregorio. A escolha da ex-jornalista do 'La Repubblica' para comandar os destinos do 'L'Unità', não gerou consenso."[Vivemos] na total ausência de responsabilidade. Só pensamos em nós mesmos", afirmou a jornalista, filha de mãe espanhola e de pai italiano. "É um problema estrutural. Temos medo: do outro, de perder, de não sermos fortes. E o medo transformou-se numa indústria. Esse é o nosso consenso: o medo", concluiu Concita, natural de Pisa e mãe de quatro filhos romanos (dos 23 aos cinco anos).

Agora é que os jornais acordaram

A compra de portáteis através do programa "e--escolas" pode não ser bom para quem quer evitar encargos a prazo. É que, ao contrário do recém-lançado "e-escolinhas", no 1.º ciclo - em que não é obrigatório aderir a uma das ofertas de Internet das operadoras aderentes -o "e-escolas" implica a permanência, por 36 meses, num plano que dependendo do escalão de rendimentos e da opção de acesso custará de 180 e mais de 1200 euros só em mensalidades. DN