(... ) a cada 12 dias nasce uma fundação, que o seu dinheiro paga viagens, flores e até tapetes e que as compras online poupariam 42 mil milhões de euros por ano.
DN
Tal como Diogenes, ando á procura do Homem... Até o encontrar, o cinismo é a arma para acordar a Humanidade do marasmo.
Nos últimos anos muito se tem falado pejorativamente do rendimento mínimo, actual rendimento de inserção social (RSI). Embora em várias circunstâncias de forma fundamentada, também de forma demagógica em muitas delas, pois este subsidio serve para colmatar aquilo que o Estado não consegue fazer: redistribuição da riqueza. Contudo, convenientemente, nunca se falou dos que vivem do rendimento máximo, ou seja, todos aqueles que também não trabalham nem exercem nenhuma profissão e o orçamento de Estado sustenta a sua vida, providenciando rendimentos de milhões de euros ou aqueles que exercem actividades em que dedicam poucos meses ou anos de trabalho. No 1º grupo incluem-se a monarquia (reis, rainhas e todos os descendentes) e os políticos que ocuparam cargos governativos, recebendo uma subvenção vitalícia, e no 2º grupo, actores, jogadores desportivos, músicos.
Porque também não se fica indignado por alguém ter como pais alguém a quem chamam reis e com isso ter garantido vitaliciamente rendimentos para viver luxuosamente? O que se vê é a idolatria completa, com consumos dos jornais e revistas sempre que surgem notícias da sua vida privada ou acolhimentos apoteóticos na rua. Mas, para uma família receber uns míseros trezentos e tal euros, é a critica feroz, porque são calaceiros e parasitas que não querem trabalhar. Como se os reis, príncipes e princesas quisessem e trabalhassem muito…
E algum governo procedeu a reduções ou extinções deste tipo de financiamento? Obviamente que não.Ou não ficar indignado por alguém que trabalha 3 meses num filme, faz uma digressão musical de 6 meses ou joga por 10 anos, e recebe milhões de euros?
Mais uma das muitas incongruências ininteligíveis da sociedade humana…
Os portugueses ainda não se deram conta de que estão numa situação em que a soberania dos Estados - não havendo uma regulação dos mercados financeiros - está sujeita aos abutres financeiros. Uma das coisas que me horroriza é dizer-se na comunicação social cobras e lagartos do Estado ou que a festa acabou e que Portugal é insustentável, enquanto ninguém é tão veemente no que respeita ao facto de os mercados financeiros poderem ganhar rios de dinheiro com a nossa crise e até se façam apostas para ver se a dívida portuguesa será paga e que se ganhe muito dinheiro na aposta. Isto é crime contra a humanidade!
(...) Há anos dizia que o mundo pós- guerra tinha duas superpotências: Estados Unidos e agência Moody's. Neste momento, estamos nas mãos das agências de notação e algo deve estar profundamente errado quando os juros da dívida de Espanha são iguais aos do Paquistão.
(…) os mercados vão regular tudo e assistiremos a um empobrecimento da grande maioria e ao enriquecimento absolutamente injusto de uns poucos.
(…) São os que estão na fila - Portugal, Espanha e Itália - e os mercados financeiros estão a apostar na bancarrota destes países porque vão ganhar muito dinheiro até que ela ocorra. Como é que é possível que os países funcionem nesta base quando se aposta na nossa falência e no lucro que ela dá?
(…) A agricultura foi um péssimo negócio em que Portugal entrou. Tínhamos uma das agriculturas familiares mais fortes da Europa e foi destruída em meia dúzia de anos porque o modelo agrícola da Europa é de grande extensão e de grandes empresas agrícolas e industriais. A nossa produção familiar até era produtiva ao seu nível e produzia, por vezes, também para o mercado.
(…) se não houver a regulação dos mercados financeiros ou o Estado nacionaliza os bancos ou os bancos nacionalizam o Estado. É isso que está a suceder, os bancos estão a nacionalizar o Estado ao fazerem o que querem, ao terem perdas como as que se observam. Como os bancos não podem falir, nem pagam IRC como as restantes empresas, é evidente que estão a nacionalizar o Estado português porque cometem todos os erros que querem e têm os lucros que se vê, para os quais os portugueses continuarão a contribuir.
(…) O Banco Central Europeu não pode continuar a ter o papel de emprestar aos bancos a um juro baixo e deixar que estes emprestem caro aos Estados. Nem podemos continuar a ter 10% do nosso PIB em offshores!
Boaventura Sousa Santos (entrevista ao DN)
E continua por 2011...Enquanto o hipócrita debitava o discurso de Natal, era publicado no DR de 24/12(!) o diploma legal que vai enterrar o país por muitos anos. O descaramento asqueroso: discursar na TV propaganda politica optmista, quando já tinha assinado a sentença de morte...
Na Educação, a novidade(?) de se extinguir a AP do 12º, despedir 5000 professores com previsão para 15000 a partir de Setembro, e reduzir o suplemento salarial da Direcção das escolas quando em 2008 foi unilateralmente modificado pelo ME. Na Saúde, os actos médicos serão escrutinados em função do que se gasta e não em função da necessidade do doente. Enfim...
Com a quantidade de dinheiro que circula diariamente no mercado bolsista e financeiro, argumentar que não existe financiamento é tratar-nos como atrasados mentais e nós deixamos...
Para quem nunca experimentou a angústia e a sensação de depressão, vá-se preparando, porque este será o pior final de ano das últimas dezenas de anos...
Já todos sobejamente sabem o que nos espera e por isso este será o último comentário sobre o tema. Apenas alerto que os trabalhadores do Estado, incluindo professores, se preparem para o impensável há uns anos atrás: o despedimento. Será inevitável, como atestam os diplomas legais publicados, e portanto, convém começar a pensar noutras formas de sustento. Por causa do efeito dominó, todos os outros trabalhadores vão sofrer os mesmos efeitos, sem a rede protecção social que existia. Aquilo que só conheciam nos livros de história, muitos vão experimentá-lo no quotidiano: escravidão laboral, violência social frequente, violência moral (mobbing) no local de trabalho, pobreza, qualidade de vida diminuta. Ai de quem é criança, doente ou idoso porque os que estão no meio não podem ajudá-los, porque não possuem rendimentos e estão demasiado ocupados a sobreviver...!
Merda de país, merda de dirigentes e merda para todos nós que não fomos educados a lutar contra a opressão politica e económica. Mataram o nosso futuro e os dos nossos filhos!...
Meus caros, até algures e boa sorte porque os milagres estão de férias...
CIUDAD JUAREZ, Mexico – The last remaining police officer in the Mexican border town of Guadalupe has disappeared, and prosecutors in northern Chihuahua state said Tuesday they have started a search for her. Twenty-eight-year-old officer Ericka Gandara held out despite the desertions and resignations that left her as the only officer in the Juarez Valley town, which was served by eight police a year ago. But Gandara hasn't been seen since Dec. 23. While some local media have reported Gandara was kidnapped, prosecutors' spokesman Arturo Sandoval said her relatives have not filed a kidnap complaint. Sandoval said the search was started Monday as a missing-person case.The same day she disappeared, assailants also set fire to the home of a Guadalupe town councilwoman. The Sinaloa and Juarez drug cartels have been battling for control of the Juarez Valley, leading many residents to flee across the border to Texas or to other Mexican cities. Most police officers, outgunned by the drug cartels, have resigned and officials say few people are willing to take their place. The burden of law enforcement has increasingly fallen on a few women. In the neighboring town of Praxedis G. Guerrero, a 20-year-old woman was sworn in as police chief in October. The man who previously held that office had been gunned down in July 2009 and the town had been unable to find a replacement for more than a year. The drug gangs are trying to control the valley's single highway, a lucrative drug trafficking route along the Texas border.
A cidade de Seattle recebeu o nome do chefe índio dos Suquamish, cujo discurso foi a resposta a um tratado proposto pelo presidente americano tentando persuadir os indígenas a venderem dois milhões de acres por US$ 150000 (cento e cinquenta mil dólares americanos).
“Vocês mataram o futuro dos nossos filhos”, era o que estava escrito na T-shirt, referindo-se aos deputados da Assembleia. Este gesto relembra as imolações dos monges budistas protestando contra guerra do Vietname. Ao não ceder à tentação- que seria despoletar uma bomba colocada no corpo de modo a provocar o maior número de vítimas- , este homem protestou humanamente em nome de todos nós, vitimas da ganância e imoralidade de todos os detêm o poder e o usam meramente em proveito próprio. Cedeu a ser mártir para milhões de anónimos…
Constrangido por não ter a mesma coragem que ele, apenas me resta dedicar os meus pensamentos em sua memória…
Foi um protesto desesperado, feito enquanto o primeiro-ministro romeno, Emil Boc, discursava no Parlamento. Adrian Sobaru subiu ao corrimão da galeria e atirou-se de uma altura de sete metros. Sofreu vários traumatismos na cabeça e no resto do corpo, segundo o diário espanhol “El País”, mas os médicos dizem que não corre risco de vida.
Sobaru, na casa dos 40 anos, é pai de dois filhos e o seu protesto estará relacionado com os cortes anunciados pelo Governo. Levou para o Parlamento uma t-shirt onde se lia “vocês mataram o futuro dos nossos filhos” e saltou da galeria enquanto os deputados discutiam uma moção de censura contra o Governo que acabou por ser recusada.
Felipe lembrou-se da história do Rei do Oriente que, desejando conhecer a história da humanidade, recebeu de um sábio quinhentos volumes; ocupado com negócios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de vinte anos, o sábio voltou e a sua história ocupava agora apenas cinquenta volumes; mas o rei, já velho demais para ler tantos livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo vinte anos, e o sábio, velho e encanecido, trouxe um único volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, porém, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. Aí o sábio deu-lhe a história da humanidade numa única linha: “Nasceram, sofreram, morreram”.
Somerset Maugham, in “A Servidão Humana”
“Há uma guerra de classes, é um facto, mas é a minha classe, a dos ricos, que a conduz, e estamos em vias de a ganhar”. Warren Buffet, multimilionário, jornal New York Times (26/11/2006)
Um dos insistentes argumentos usados pelos paladinos do neoliberalismo económico é a (suposta) rigidez laboral em Portugal, ou traduzindo, a dificuldade em despedir um trabalhador. Esta falácia é facilmente desmentida com as centenas de despedimentos colectivos céleres que foram feitos nos últimos anos; quando se fala em dificuldade, está-se referir que é difícil despedir sem indemnização, porque caso a entidade patronal esteja disposta a pagar, a dificuldade de despedir não existe. Além disso, de acordo com a informação da OCDE sobre o índice de rigidez das leis laborais em vários países (classificação de 0 a 6, sendo 6 o mais rígido), Portugal possui o índice 2,93, atrás da Espanha e a par com a França, estando próximo da Alemanha e Itália (2,39)…
Essa (suposta) rigidez é facilmente ultrapassada pela atitude de muitos empresários, como alguns exemplos a seguir relatados:
“Um patrão, distribuidor da SAAB no norte do país, até um rotweiller pôs ao lado, durante uma reunião de confronto com um trabalhador. O caso resolveu-se com um acordo indemnizatório de apenas €6 mil. Rita Garcia Pereira relata um outro caso, em que um CEO de uma farmacêutica usou um chicote durante reuniões de avaliação de objectivos.
Aos quadros intermédios da France Telecom foi dada formação sobre como lidar com processos de mudança laboral. Terá sido numa dessas formações que ocorreu a estória do ‘gatinho’, contada prelo sociólogo Christophe Dejours. Para ilustrar o espírito competitivo e impiedoso do novo Deus-o mercado- foi pedido a uma dezena de formandos que, durante 5 dias tratasse de um gato apenas para no 6º dia o matarem. Só um dos alunos, uma mulher, não o fez; foi a única a ser enviada para tratamento psiquiátrico.” Revista Sábado
Uma cimeira com 60 chefes de Estado é sempre justificação de protocolos de segurança rígidos. Os custos financeiros disparam mas são admitidos para justificar a segurança. Postos de controlo nas fronteiras, ruas encerradas, serviços públicos encerrados, para evitar um hipotético ataque de algum grupo organizado. Contudo, sendo realistas, estes grupos, sendo organizados, há muito tempo que já teriam entrado no país e não seriam nestes dias que o tentariam fazer. Além disso, o comando-geral da GNR admite que é impossível uma vigilância permanente em toda a fronteira portuguesa. Dito isto, então porque se está a gastar centenas de milhares de euros colocando postos policiais apenas nas fronteiras mais frequentadas, sabendo que a eficácia de impedir a entrada a grupos com intenções terroristas é bastante reduzida?
Sendo politicamente incorrecto, apenas para persuasão psicológica e justificar o uso de dinheiro público que de outro modo seria muito difícil justificar…
Cogito há vários dias, numa pérfida indecisão. A minha raiva e revolta pendem para a adesão à luta social publicitada mas a minha racionalidade pende para a resignação, porque convicta que da luta não resultará mudança. Abdicar de um dia de descanso, ‘dar o corpo ao manifesto’ por uns tantos passageiros clandestinos que ficam em casa a gozar o dia de fim-de-semana e posteriormente também usufruem de hipotéticas vitórias, está-se a revelar pouco atractivo. Efectivamente, é melhor uma má decisão do que nenhuma decisão, porque a dúvida é mentalmente excruciante. Os indícios apontam para a vitória da razão, que persistentemente tem recordado um aforismo: “Se não lhes podes ganhar, junta-te a eles”. Manter e cultivar boas relações com os adesivados rosa e laranja, será a atitude inteligente, porque será sempre um deles a gerir o poder. A hipótese de obter formação especializada em administração pública, gastando uns milhares de euros, é cada vez mais realista, porque será um dos cargos de refúgio com alguma protecção. E neste contexto, entramos num processo social darwinista, com tudo o que de maquiavélico isto acarreta…
A história repete-se mas não a curto prazo: uma união como a que aconteceu há dois anos, só num futuro longínquo…
“Quem tem unhas, toca guitarra”, mas não é motivador nem revigorante viver num contexto quotidiano de darwinismo social, onde a maioria é escrava ou subjugada; é uma vida sem esperança, sem fulgor, sem brilho…
NÃO QUERO:
PAGAR A GANÂNCIA DO SISTEMA FINANCEIRO!
PAGAR A CORRUPÇÃO DA CLASSE POLITICA!
UMA VIDA DE “METRO, TRABALHO, SEPULTURA”!
Nós pagámos os seus lucros, mas não queremos pagar a sua crise!
Uma vez, quando desempenhava funções públicas, Confúcio mandou enforcar um aristocrata considerado perigoso para o Estado. E justificou a sua decisão:
- pior do que furto e roubo é a atitude de insubordinação associada à astúcia
- um carácter mentiroso associado à tagarelice
- uma memória do escandaloso associada a conhecimentos por toda a parte
- e o consentimento da injustiça associada à sua dissimulação.