17/04/08

Assumir as divergências

Na blogosfera, exista quem defenda a plataforma sindical invocando que era o possível que podia ser feito, como por exemplo o conhecido A Educação do meu Umbigo
Neste momento o possível não chega; os sindicatos tinham de ter a coragem de endurecer a luta, porque nada de pior iria aparecer; o que é que de pior os professores iriam encontrar se não existisse entendimento?
Com o mandato da unanimidade docente conferido em 8 de Março, a plataforma tinha todas as condições para encostar o ME às cordas, tal como foi feito nos tempos idos de 1989 (também com maioria absoluta), e se necessário, recorrer às formas de luta mais duras. A preocupação com a opinião pública é uma falácia porque nunca esteve do lado dos docentes, sendo esse um dos motivos porque mobilizou quase toda a classe. Apesar dos contornos politicos, é um conflito laboral, e não se pode estar preocupado com o que terceiros pensam sobre a situação.
Com este entendimento, 2/3 dos profs ficam na mesma (com umas ligeiras melhorias do trabalho docente no estabelecimento), o boicote das escolas foi infrutífero, o modelo da avaliação é exactamente o mesmo bem como o ECD, os professores titulares têm perspectivas de melhorar as suas condições de trabalho e remuneratórias, estando criado o combustível para atear a fogueira.
Daqui as uns meses já não existe mobilização para os sindicatos reivindicarem a negociação dos aspectos não negociados, porque os professores entretanto arrepiaram caminho e adaptaram-se às circunstâncias.

Ouve o que digo

Ontem vi um debate sobre a situação económica mundial com 4 prelectores: um dirigente sindical, um empresário conhecido mediaticamente e dois ex-governantes. Acho muito interessante as opiniões que defendem de aspectos que afectam o comum de cidadãos, nomeadamente a:
- flexibilização laboral,
- a endeusada competitividade como justificativa da necessária precariedade laboral,
- os baixos salários para as empresas poderem aguentar a crise económica
- a diminuição dos direitos sociais (os diversos subsídios, pensões de reforma, etc.)

Acho interessante porque:
- nenhum deles está em precariedade de trabalho nem se sujeitaria a tal,
- alguns já têm pensões de reforma chorudas e ainda ocupam lugares de trabalho,
- não têm baixos salários,
- não se sujeitaram à perca dos direitos sociais.

Nem eles e nem os que vivem com eles; assim, é muito fácil emitir opiniões sobre decisões que afectam negativamente os outros, tal como é fácil ser primeiro-ministro ou ministro e tomar decisões que jamais os afectarão pessoalmente...

Vilipendiados ou cuspidos




Estes são os 3 indivíduos mais procurados na Educação.
São considerados os mais perigosos terroristas sociais na actualidade porque recentemente usaram reféns para pedirem um resgaste laboral. A chantagem que exerceram, de forma abjecta e ignóbil, implicava colocarem os reféns (contratados) em situação sócio-económica dramática. Os chantageados (sindicatos), em vez de não negociarem com terroristas como é apanágio do protocolo neste tipo de situações, cederam ao seu humanismo, e pagaram o resgaste.
Apenas pelo seu humanismo, não corto definitivamente com o movimento sindical, mas fiquei extremamente desiludido e preocupado pelo precedente aberto.
Contudo, é divulgado a identidade dos terroristas a toda a população, para quando os encontrarem lhes cuspirem em cima ou vilipendiarem, o mínimo que merecem por revelarem o seu carácter desumano.

16/04/08

Na corda bamba

O pior que podia acontecer era ficar com esta sensação de estar na corda bamba: concordar parcialmente com o entendimento dos sindicatos. Em função do que aconteceu nos 2 últimos anos, soube a pouco.
No meio disto tudo, o ME é sempre o vencedor.
Os sindicatos podem ter argumentos válidos e até uma estratégia que não podem revelar, mas é dificil discordar desta análise:

PUBLICO
16.04.2008, Santana Castilho

É verdade que os sindicatos ganharam uns trocos. Mas o lance era para devolução integral: da dignidade perdida

Comecemos por uma questão semântica: entendimento e acordo são vocábulos sem diferenças, do ponto de vista da significação, que justifiquem o esforço da Plataforma Sindical para os distinguir. Vão a um bom dicionário. No contexto que "aproximou" sindicatos e ministério, são sinónimos. Mas se essa fosse a questão, então capitular dirimia o conflito. E não estou a ser irónico. Voltem a um bom dicionário.Posto isto, passemos ao que importa. ministério e sindicatos acertaram, concertaram sob determinadas condições. No fim, os sindicatos cantaram vitória. Permitam-me que invoque alguns argumentos para desejar que os sindicatos não voltem a ter outra vitória como esta.A actuação política deste Governo e desta ministra produziu diplomas (estatuto de carreira, avaliação do desempenho, gestão das escolas e estatuto do aluno) que envergonham aquisições civilizacionais mínimas da nossa sociedade. A rede propagandística que montaram procurou denegrir os professores por forma antes inimaginável. Cortar, vergar, fechar foram desígnios que os obcecaram. Reduziram salários e escravizaram com trabalho inútil. Burocratizaram criminosamente. Secaram o interior, fechando escolas aos milhares. Manipularam estatísticas. Abandalharam o ensino com a ânsia de diminuir o insucesso. Chamaram profissional a uma espécie de ensino cuja missão é reter na escola, a qualquer preço, os jovens que a abandonavam precocemente. Contrataram crianças para promover produtos inúteis. Aliciaram pais com a mistificação da escola a tempo inteiro ( que sociedade é esta em que os pais não têm tempo para estar com os filhos? Em que crianças passam 39 horas por semana encerradas numa escola e se aponta como progresso reproduzir o esquema no secundário, mas elevando a fasquia para as 50 horas?). Foram desumanos com professores nas vascas da morte e usaram e deitaram fora milhares de professores doentes (depois de garantir no Parlamento que não o fariam). Promoveram a maior iniquidade de que guardo recordação com o deplorável concurso de titulares. Enganaram miseravelmente os jovens candidatos a professores e avacalharam as instituições de ensino superior com a prova de acesso à profissão. Perseguiram. Chamaram a polícia. Incitaram e premiaram a bufaria. Desrespeitaram impunemente a lei que eles próprios produziram. Driblaram as leis fundamentais do país. Com grande despudor político, passaram sem mossa por sucessivas condenações em tribunais. Fizeram da imposição norma e desrespeitaram continuadamente a negociação sindical. Reduziram a metade os gastos com a Educação, por referência ao PIB. No que era essencial, no que aumentaria a qualidade do ensino, não tocaram, a não ser, uma vez mais, para cortar e diminuir a exigência e castrar o que faz pensar e questionar. A questão que se põe é esta: por que razão esta gente, que tanto mal tem feito ao país e à Escola, que odeia os professores, que espezinhou qualquer discussão ou concertação séria, que sempre permaneceu irredutível na sua arrogância de quero, posso e mando, de repente, decidiu "aproximar-se" dos sindicatos? A resposta é evidente: porque os 100.000 professores na rua, a 8 de Março, provocaram danos. Porque a campanha eleitoral começou a reparar os estragos para garantir mais quatro anos. O tempo e a oportunidade política da plataforma sindical aconselhava uma firmeza que claudicou. Porque quem estava em posição de impor contemporizou. Porque de um dia para o outro se esqueceram as exigências da véspera. Porque quem demandou a lei em tribunal pactuou com uma farsa legal. Porque quem acusou de chantagem acabou a negociar com o chantagista. Porque quem teve nos braços uma unidade de professores nunca vista pensou pouco sobre os riscos de a pôr em causa. É verdade que os sindicatos ganharam uns trocos. Mas o lance não era para trocos. Era para devolução integral: da dignidade perdida. Aqui chegados, permitam-me a achega: pior que isto é não serem capazes de superar isto. E lembrem-se de Pirro, quando agradeceu a felicitação pela vitória: " Mais uma vitória como esta e estou perdido".

Professor do ensino superior

Até os alunos compreendem

Esta semana numa aula de uma turma do secundário, surgiu a dúvida sobre um tema da genética e um aluno comentou que a profª de Filosofia provavelmente se tinha enganado ao explicar o tema. Na discussão gerada um aluno afirmou:”A stora não é fixe”. Intuitivamente compreendi no imediato onde o aluno queria chegar e aproveitei para dissecar a afirmação. No final, o aluno anuiu que avaliou a profª de acordo com a sua maneira de ser, a sua personalidade e não com a sua competência técnica. Com esta maêutica, aproveitei para explicar os motivos pelos quais os profs estão revoltados com este modelo de avaliação: é que ele abre portas a uma avaliação com base na personalidade e na opinião. Quando questionei se consideravam essa avaliação adequada aos alunos, todos em uníssono responderam que seria uma injustiça.

15/04/08

Na prática, tudo na mesma...

A manif do dia 8 de Março conferiu uma mais-valia negocial para enfrentar o autoritarismo ministerial. Podem existir argumentos válidos para obter um entendimento, mas garantidamente o modelo de avaliação mantém-se tal como foi proposto e vai ser implementado durante um ano. Duvido que os que saíram à rua se sintam satisfeitos por servirem de cobaias.
A exigência da plataforma era aplicar a moção que levaram à manif: negociação do modelo de avaliação e do ECD. Se o ME se mantivesse irredutível, o caminho era o endurecimento das formas de luta, e para isso faria sentido o dia D; é preciso assumir que os docentes estão em guerra laboral com este ME, portanto, ou existe um armsticio (com a consequente negociação em que ambas as partes cedem) ou a luta tem de perdurar.
A plataforma sindical não capitalizou convenientemente a adesão maciça dos docentes, por razões que não consigo discernir. Mas perdeu capital para novas formas de luta a médio prazo, com prejuízo para 2/3 dos professores, os que vão ficar às portas das redes das quotas durante anos...

Lá fora, a união é transversal

EXPRESSO

40 anos depois de Maio de 68
Estudantes manifestam-se com os pais em Paris


Os estudantes liceais franceses radicalizam os protestos contra a supressão de postos de professores mas manifestam-se esta tarde acompanhados pelos pais e educadores.

Daniel do Rosário, correspondente em Paris


Milhares de estudantes liceais franceses, acompanhados pelos pais e professores, manifestam-se de novo esta terça-feira em toda a França contra o projecto do governo de suprimir 11.200 postos de professores no próximo ano lectivo.
40 anos depois da revolta de Maio de 68, quando os estudantes bloquearam a França durante um mês, os alunos do secundário radicalizaram o movimento iniciado há algumas semanas.
Nas manifestações dos últimos dias verificaram-se alguns incidentes no decorrer dos desfiles e diversos liceus e colégios continuam ocupados pelos estudantes na região de Paris. Mas as reivindicações dos alunos são completamente diferentes das de há quarenta anos, quando os estudantes contestavam, através de autênticas cenas de guerrilha urbana, a ordem e a autoridade, incluindo as dos pais e dos professores. Hoje, os estudantes pedem mais professores, melhor qualidade do ensino, mais vigilantes e maior segurança nas escolas.
Determinadas e muito mobilizadas, as associações estudantis e de pais, bem como os sindicatos de professores, marcaram já novas manifestações para os próximos dias. Para o desfile desta tarde em Paris, que devera mobilizar mais de 20 mil manifestantes, as autoridades aconselharam os comerciantes das zonas por onde vai passar o cortejo a fecharem os estabelecimentos.
A oposição socialista acusou o governo de ter instalado "uma lógica de braço-de-ferro" com os estudantes que poderá, a prazo, cair num "perigoso apodrecimento" da situação. O ministério da educação garantiu estar aberto ao dialogo com os organismos representativos do sector, mas mantém a intenção de levar por diante o plano de diminuição de professores dizendo que o projecto "não tem incidência na qualidade do ensino".

Os protestos na TVI

Foi a única estação televisiva a cobrir os protestos:

http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=940079#
(carregar no link "Video" ao lado da fotografia)

O número de profs avançado está subestimado em função da massa humana que se prolongava pela Avenida dos Aliados acima.

14/04/08

Afluência ignorada

Obtive em directo a informação que existiu uma grande afluência de profs ao protesto no Porto.

Contudo, nem uma virgula na comunicação social, o que indica que para eles já foi chão que deu uva.
Apesar de estar muito, muito apreensivo com os níveis de adesão, fui surpreendido.
Talvez o efeito se repercuta nas próximas 2ª-Feiras.

13/04/08

Inglês obtido nas Novas Oportunidades

http://www.youtube.com/watch?v=FQt-h753jHI&feature=bz303

Dividir para reinar

Aquilo que eu temia aconteceu: o ME está a seduzir os titulares com redução de horário e outros rebuçados. Verdade seja dita, os nossos colegas titulares estiveram pouco interventivos porque sentiam que as mudanças não os afectavam muito, até ao momento em que se confrontaram com o método de avaliação proposto. Se o ME os conquistar, perdeu-se a batalha, mas eles pagarão um preço caro, porque vão lentamente ser ostracizados pelos colegas subordinados e vão entrar numa era de conflito regular.
Como disse um futuro avaliador, existe um grupo que vai ser altamente beneficiado com este ECD: os advogados...

Vitória?!

No judo existe uma técnica denominada Kuzushi, que essencialmente é uma técnica de sacrifício aparente: o atacado sacrifica o seu equilíbrio, iludindo o atacante que está a ser dominado, para aproveitar a energia do oponente projectando-o.
Este entendimento/acordo sobre uma minudência foi um Kuzushi do ME à plataforma sindical, porque continua o mesmo modelo de avaliação com os mesmos parâmetros, mantendo os absurdos.
Além disso são mantidos os absurdos do ECD com todas as consequências socio-económicas gravosas.
Vitória? Foi...uma vitória de Pirro...

12/04/08

Maioria absoluta, jamais!

Antigos chefes militares dizem ter o "dever de falar" em público
MANUEL CARLOS FREIRE - DN

Um dos 'capitães de Abril' afirma que autor da proposta "tem visões"

Os militares reformados, em especial se tiverem exercido cargos de chefia, têm o dever de transmitir publicamente as suas posições sobre questões que entendam ser do interesse da nação, defenderam ontem altas patentes na reforma, ouvidas sobre a proposta do novo Regulamento de Disciplina Militar (RDM) pelo DN.
O general Martins Barrento, ex-comandante do Exército e co-autor de textos críticos sobre as políticas do sector publicados pela Revista Militar, disse ser "muito estranho" alargar a restrição da liberdade de expressão aos militares reformados e reservistas. "Um dos problemas que referi [na revista] foi o da pouca sensibilidade para os assuntos militares. Se a proposta for para a frente, isso só me dá razão", observou.
O general Garcia Leandro, ex-governador de Macau e actual presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, disse que é "a consciência de cidadãos" que leva antigos responsáveis militares a tomar posições públicas. "Não conheço países no mundo onde oficiais aposentados e com uma longa carreira de serviço à Nação e ao Estado não possam transmitir as suas opiniões", assinalou.
O vice-almirante Reis Rodrigues, autor de um site na Net dedicado às questões de Defesa e Segurança, deu o exemplo do chefe militar que discorda das opções da tutela e se demite, até por questões de consciência: ele "tem o dever, quase a obrigação", de dar a conhecer as razões da sua decisão, frisou. "A lealdade não é só com os responsáveis das instituições do Estado [que mudam], mas com o próprio Estado. Se sujeitam os militares na reforma às mesmas regras dos do activo, coarcta-se um direito", disse. O general Silvestre Santos, da Força Aérea, considerou estar-se perante "uma maneira perversa de não deixar falar" os militares reservistas e reformados. "Se for preciso alterar as leis para isso, fazem-no. Só não podem mudar a Constituição", adiantou o militar.
Num tom cáustico, o coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, reagiu com ironia: "Deve haver alguém com visões. Vou-me fartar de rir se alguém quiser aplicar-me o RDM, por muitas estrelas que tenha em cima". O novo RDM prevê que os militares na reserva, reforma ou inactividade temporária fiquem sob a mesma regra de silêncio sobre a instituição militar que se aplica a quem está no activo. Em caso de incumprimento, os militares são sujeitos a sanções disciplinares.


A conclusão é definitiva, não necessito de mais nenhuma prova ou método experimental: em Portugal não existe maturidade política e cultural para ser governado por um governo de maioria absoluta.
Os tiques autoritários tornam-se comportamentos desviantes da democracia, e esta intenção revela a tentativa de calar as vozes criticas e de pensamento livre, inclusivé aquelas que já perderam o vinculo profissional do dever e lealdade.
No 1º governo de maioria absoluta, também existiram as mesmas tentativas e mudando a cor politica, repete-se o processo, o que significa que a ideologia não influencia o comportamento tirânico.
A maior vitória que o povo português pode ter em 2009, é não existir maioria absoluta.

11/04/08

Uma reflexão recebida por e-mail

Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não o apliquem a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc). Se é suposto compreenderem o que está em causa e as virtualidades deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão, os médicos. A carreira seria dividida em duas: médico titular (a que apenas um terço dos profissionais poderia aspirar) e médico. A avaliação seria feita pelos pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados. Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes. O médico teria de estabelecer, anualmente os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc. A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável, ou terminal. Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética... Poder-se-ia estabelecer a analogia completa, mas penso que os nossos 'especialistas' na área da educação não terão dificuldade em levar o exercício até ao fim. A questão é saber se consideram aceitável o modelo? Caso a resposta seja afirmativa, então porque não aplicar o mesmo, tão virtuoso, a todas as profissões?

10/04/08

Os sinais já começaram a surgir

Preços dos alimentos estão a causar conflitos
LUÍS NAVES - DN

Vários países mergulham no caos devido a protestos

Violentos motins causados pelo aumento dos preços dos alimentos estão a provocar o caos no Haiti. Os tumultos já duram há uma semana e provocaram até agora pelo menos 5 mortos e 40 feridos. A situação agravou-se ontem, quando manifestantes tentaram atacar o palácio presidencial, em Port-au-Prince. Forças da ONU dispararam balas de borracha para dispersar a multidão e o Brasil, que comanda a missão das Nações Unidas, já enviou comida de emergência.O Haiti é apenas um dos países afectados por um problema que se agrava em cada dia que passa: o aumento mundial dos preços dos alimentos, fenómeno complexo que ameaça a estabilidade de regiões pobres e centenas de milhões de vidas.Os preços mundiais estão a aumentar há três anos. Só o custo do trigo, por exemplo, subiu 181% em 36 meses. As razões são diversas, mas estão sobretudo relacionadas com mudanças no consumo e com o petróleo caro. O aumento do preço da energia torna os fertilizantes mais dispendiosos e o transporte mais caro. Também estimula a produção de biocombustíveis (por exemplo, à base de milho, girassol ou soja), que por sua vez, desequilibram a oferta de rações para animais.A isto somam-se alterações climáticas, que não têm impacto nas produções mundiais, mas podem ser catastróficas a nível regional.Ontem, em Nova Deli, Jacques Diouf, o director-geral da FAO (a agência da ONU para a alimentação) fez um novo alerta para o problema do aumento dos preços e os respectivos efeitos na alimentação dos mais pobres. "Os preços subiram 45% nos últimos nove meses e há uma séria falta de arroz, trigo e milho", disse Diouf.As organizações internacionais, como a FAO ou o Banco Mundial, têm alertado para a questão. Além do Haiti, já houve incidentes no Egipto (anteontem morreu um jovem durante uma manifestação provocada pelos preços elevados da comida), na Costa do Marfim, Camarões, Bolívia, México ou Iémen, entre muitos outros.A crise alimentar atinge 36 países, segundo a FAO, não apenas pelo aumento dos preços dos alimentos, mas por efeitos regionais, tais como secas, inundações, conflitos políticos ou dificuldades de pós-conflitos. A Suazilândia ou o Lesotho, por exemplo, estão em seca há vários anos. O Zimbabwe mergulhou em profunda crise política. A respectiva situação alimentar é de "faltas excepcionais" de alimentos.Na Ásia, a situação mais grave é no Iraque, onde há milhões de deslocados, mas também no Afeganistão ou na Coreia do Norte. A insegurança alimentar (situação menos séria do que a anterior) afecta países muito populosos, tais como República Democrática do Congo, Quénia, Etiópia, Paquistão, Indonésia ou ainda Bolívia, entre outros.A população mundial aumenta entre 50 milhões e 70 milhões de pessoas em cada ano. Isto está a provocar uma forte pressão sobre a terra arável disponível. Enquanto os países mais ricos, como os da União Europeia ou os Estados Unidos, estão há duas décadas a reduzir os espaços agrícolas; outros, como China, Índia ou Brasil tendem a aumentar as terras aráveis, causando maior erosão dos solos.O enriquecimento de alguns países também tem impacto. Em 1980, o consumo per capita de carne, na China, era de 20 quilos; agora é de 50 quilos. Mas, nos países mais pobres do mundo, um quarto da população gasta 70% a 80% do seu rendimento em comida. São estes países que mais sofrem com a inflação internacional.Um dos Objectivos do Milénio, proclamados pela ONU com meta até 2015, era o de erradicar a pobreza extrema e a fome. As razões para o aumentos extraordinário dos preços dos alimentos não vão desaparecer tão cedo e o objectivo parece comprometido. As grandes fomes do passado foram provocadas por conflitos ou falhanços catastróficos de colheitas. A actual situação de subida muito rápida e acentuada de preços mundiais é inédita, dada a extensão do comércio internacional. As consequências são uma incógnita.

Há vários anos que os mais clarividentes vêm alertando para o início de uma situação idêntica. A principal causa de todos os problemas ambientais e de desigual distribuição de recursos não foi e nem é combatida: o aumento exponencial e ininterrupto da população humana. O planeta é um sistema fechado e como tal, possui recursos naturais limitados em quantidade, que só satisfazem um determinado número de indivíduos de cada espécie. Como os estudos de Malthus demonstraram no séc. XVIII (e a partir dos quais Darwin idealizou a teoria da selecção natural) quando a quantidade de indivíduos de uma espécie ultrapassa a quantidade de recursos disponíveis, a taxa de mortalidade aumenta inevitavelmente.
Há 12 anos atrás já existiam cientistas a alertar para as consequências ambientais catastróficas, no caso da China e da India aumentarem o seu nível de vida e não evitarem o aumento das suas populações.
Adicionando o aumento demográfico com as alterações climáticas, estão criadas as condições para a catástrofe, que contrariamente ao que é afirmado no final da notícia, não é uma incógnita: motins, revoltas sociais, fome, aumento da violência e criminalidade, a 3ª guerra mundial…

Um camelo valioso

Dubai crown prince buys camel for record $2.7 million
Mon Apr 7, 4:13 PM ET


The crown prince of the United Arab Emirates of Dubai has bought a female camel for a record 2.72 million dollars, an organiser at a camel beauty pageant said on Monday.
Sheikh Hamdan bin Mohammed bin Rashed al-Maktoum "bought camels... worth 16.5 million dirhams (4.49 million dollars), including a female camel... for 10 million dirhams (2.72 million dollars)," Hamad bin Kardoum al-Amiri said.

Como vivemos num planeta em que toda a população humana vive com qualidade de vida, então podem ocorrer estes ‘pequenos’ luxos; torna-se irrelevante considerar que o preço deste camelo equivale a 100 anos de salário anual de uma família de classe média...

Qual o espanto do aparecimento de extremismos e fundamentalismos ideológicos fomentados por estas imoralidades sociais?

Com esta equidade social, até Cristo ficaria embaraçado de vergonha...

A mentalidade cultural portuguesa

Batalha de La Lys
jornal PÚBLICO (09/04/2008)

(...) Em Agosto de 1914, o Governo republicano de Afonso Costa considerou que a intervenção militar portuguesa na Grande Guerra seria a solução para os problemas e divisões internas do país. Pensou também que essa intervenção iria dar a Portugal um lugar à mesa das negociações do pós-guerra, entre as potências vencedoras. Por isso, fez tudo para que Portugal pudesse ir ajudar os ingleses, apesar de todos os esforços destes para que as tropas portuguesas ficassem em casa.
Fardas de Verão no Inverno
Desde o treino militar especial em Tancos, até ao embarque em Lisboa, tudo foi feito de forma precipitada e deficiente.Em Janeiro de 1917, cerca de 55 mil jovens provenientes das zonas rurais, quase analfabetos na sua maioria, partiram do cais de Alcântara (a maior parte nunca tinha visto Lisboa) de barco para Brest, em França. Após uma viagem em que escasseavam os alimentos e a higiene, o CEP viajou logo a seguir de comboio para a Flandres. Chegados ao destino, tiveram de caminhar cerca de 30 quilómetros, carregados com todo o equipamento de campanha, até aos seus locais de acantonamento. Era o Inverno mais frio dos últimos anos na região, e as fardas dos portugueses eram de Verão. As botas eram de couro de má qualidade, não impermeável à chuva e à neve, os capacetes de ferro eram muito pesados e pouco eficazes na protecção, e a "mescla" das camisolas não protegia do frio. As tendas eram insuficientes para todos e as mantas de dormir ficavam empapadas na lama e na neve.A falta de hábitos de higiene propiciou o alastrar das doenças e dos piolhos, sarna e outros parasitas.Além disso, o armamento era insuficiente e inapropriado, e ninguém tinha recebido treino adequado para a guerra das trincheiras.É verdade que, com a falta de disciplina e de organização, os "praças" portugueses desobedeciam às ordens dos superiores, não permaneciam nos lugares que lhes estavam destinados, não cumpriam as regras e os procedimentos de segurança, para exasperação dos comandantes ingleses.É verdade que, furiosos com as más condições e com as diferenças de tratamento entre os soldados e os oficiais, muitas vezes os portugueses se sublevaram, se esconderam ou fugiram.É verdade que, com o frio, os portugueses roubavam roupas aos militares ingleses e às populações das aldeias.

Um exemplo concreto da típica cultura portuguesa:

- exploração dos mais fracos e mais pobres
- para um politico é muito fácil enviar os filhos dos outros para a guerra como meio de satisfazer os seus interesses políticos
- a desigualdade entre as elites (oficiais) e o povo (soldados): uns tinham a roupa, comida e alojamento e os outros népias.


Um relato do inicio do séc.XX; alguma coisa mudou?

Como funciona a Bolsa de acções

Para o cidadão comum não é fácil compreender o funcionamento da Bolsa de acções, mas é este tipo de economia virtual que comanda o mundo e muitas vezes a responsável pelas mais graves crises económicas. Nesta economia, a especulação domina, independentemente de como está a funcionar a economia real (aquela onde se transaccionam mercadorias).
Eis um exemplo de como se ganha uma pipa de massa só utilizando e manipulando informação:

Insider trading confirmado na dona da Airbus
09.04.2008 - PÚBLICO

Os principais gestores e os accionistas de referência da EADS (que controla a Airbus) tiveram conhecimento, em Junho de 2005, dos problemas que a construtora estava a enfrentar e tiveram tempo suficiente para se desfazerem de acções antes que a divulgação pública dos atrasos na montagem do A380 derretessem o valor dos títulos em bolsa - cerca de um ano depois.Estas são as conclusões da investigação conduzida pela Autoridade dos Mercados Financeiros de França ao caso de insider trading na companhia aeronáutica, avançadas pelo Mediapart, um canal de notícias on-line, em França. Quando os atrasos na entrega do gigante dos ares da Airbus foram conhecidos, as acções da companhia sofreram uma forte penalização em bolsa e abriram uma frente de problemas na companhia, que obrigaram mesmo à alteração da liderança. O avião acabou por chegar aos seus primeiros clientes com mais de um ano de atraso em relação ao previsto

09/04/08

A vitória da repressão e da intimidação

“Etelvino Rodrigues, porta-voz dos 40 presidentes de conselhos executivos (CE) de escolas do distrito de Coimbra que ontem se reuniram para decidir o que fazer sobre a avaliação dos professores, assegura que "não houve capitulação". Mas admite que a possibilidade de os membros de aqueles órgãos serem alvos de processos disciplinares "foi determinante" para a decisão de avançarem com a avaliação e a classificação dos colegas que se encontram com contrato. "Temos de cumprir a lei", justificou.
No encontro, que decorreu em Coimbra, a possibilidade de demissão chegou a ser ponderada, mas só "três ou quatro" presidentes de CE se disponibilizaram para recorrer a uma medida tão drástica para fazer frente ao actual modelo de avaliação, que todos contestam. E, afastada aquela estratégia, não havia alternativa à sua aplicação, sustentaram vários participantes. "Nos termos da lei, tornamo-nos alvos de processos disciplinares se não avançarmos com a avaliação; por outro lado, qualquer professor contratado que, para o ano, não veja o seu contrato renovado por não ter sido avaliado pode vir a pedir a nossa responsabilização", explicou Etelvino Rodrigues.
(...)"Não somos heróis...", desabafava um dos participantes, no final da reunião.”

PÚBLICO, 09/04/2008

Eu compreendo e tolero esta atitude dos CE, mas a alternativa é impensável: não existe liberdade. A repressão e intimidação resultaram, a chantagem ignóbil usando a vida pessoal de pessoas é criminosa (o que revela o carácter do triunviriato ministerial), e é uma ilusão cada um pensar que é livre, pois é uma liberdade condicionada (restringida pelos limites de não incomodarmos as elites e o poder instalado por elas).
Analisando, concluo que o poder mesmo em democracia é autocrático; a atitude adequada a esta intransigência era a demissão em bloco das centenas ou milhares de CE.
Realmente não há heróis, mas existem escravos?

05/04/08

A infiltração chinesa

O que tinha vaticinado há uns meses aconteceu: vão aumentar o horário semanal de trabalho até 50 horas!
Obviamente que o sector privado também vai levar no lombo, porque o código do trabalho de certeza que vai incluir essa alteração. O que é extraordinariamente irónico, é que esta mudança é introduzida por pessoas que advogam o socialismo, o modelo politico que sempre defendeu a implementação das 35 horas/semanais, e da introdução de leis que impedissem a exploração laboral. Outra ironia, é o apoio de sindicatos afectos à área socialista e de esquerda que assinam este acordo, numa asquerosa promiscuidade entre politica partidária e sindicalismo.

Definitivamente, o obituário do socialismo e da esquerda está assumido, e o coveiro foi o próprio socialismo, num suicidio que colocou todos à mercê do capitalismo neoliberal; qual será a motivação psicológica dos dirigentes que implementam sistemas dos quais conhecem as profundas desigualdades e injustiças que acarretam? Como podem argumentar que são os sitemas que promovem sociedades harmoniosas, pacificas e felizes? Porque está a ocorrer um retrocesso civilazacional, com a implementação de normas que existiam na época da revolução industrial?

O que é garantido é que, com pezinhos de lã, lá vão introduzindo o modelo chinês…

Governo garante 35 horas semanais como duração média do trabalho durante um ano para os contratos no Estado
05.04.2008, Sérgio Aníbal - PÚBLICO

A proposta para o novo regime de contrato de trabalho em funções públicas começa a ser discutida com os sindicatos nas próximas semanas

O secretário de Estado da Administração Pública garantiu ontem que o Governo pretende manter as 35 horas semanais como o tempo médio, durante um ano, que um funcionário público terá de trabalhar. "A duração média do trabalho, durante um período de 12 meses, deve manter-se nas 35 horas por semana", disse João Figueiredo aos jornalistas num dos intervalos da ronda de negociações que teve ontem com os sindicatos da função pública. Em causa está a proposta de Lei para o Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas que o executivo vai apresentar durante os próximos dias aos sindicatos. Uma primeira versão conhecida, que o Diário Económico noticiou na sua edição de ontem, aponta para uma série de alterações na legislação laboral aplicada aos funcionários públicos em regime de contrato que a aproxime das regras aplicadas no sector privado.

Uma das áreas é a da duração do trabalho. Passaria a ser possível, de acordo com esta versão da proposta do Governo, que, em resultado de um processo de negociação colectiva, trabalhadores e Estado acordassem para determinados sectores e carreiras a possibilidade de se alargar em três horas por dia e até às 50 horas semanais o horário de trabalho dos funcionários públicos com vínculo de contrato. Este volume de trabalho seria compensado noutros períodos do ano com menos horas de trabalho semanal, mas a média, em 12 meses, poderia chegar até às 42 horas.