26/01/09
Os fantasmas existem
24/01/09
Está bem, abelha!
Temos muito fumo e não temos fogo?!
A verdade escondida
José Sócrates é o ministro do Governo de António Guterres referido no já célebre DVD que faz parte da investigação desencadeada em Inglaterra ao negócio Freeport. Trata-se da gravação de uma conversa em que um administrador da empresa inglesa pede explicações sobre avultadas saídas de dinheiro para Portugal.
O intermediário do negócio responde-lhe que o dinheiro se destinou a «pagamentos corruptos», que ficaram combinados numa reunião com o então ministro do Ambiente, hoje primeiro-ministro de Portugal.
O primeiro inspector da Polícia Judiciária que recolheu informação sobre o negócio do Freeport acabou condenado, por fuga de informação para os jornais. José Elias Torrão não se conforma com a forma como foi julgado em Portugal e por isso vai apresentar uma queixa contra a justiça portuguesa no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Num comentário ao que aconteceu à investigação, o polícia reformado só diz ter pena que tenham de ser os estrangeiros a resolver os nossos problemas. TVI
E pronto! Após tanta insinuação finalmente assume-se o que deveria ter sido assumido em 2005. Este PM já revelou muita falta de carácter moral, mentindo descaradamente e despudoradamente aos eleitores, uma licenciatura obtida através de favorecimento pessoal, os casos de aprovação de projectos na câmara da Covilhã, etc..
Mas a guerra continua
- excepto erros grosseiros, os avaliadores classificam com nota máxima todos os seus avaliados. Quando a comissão de avaliação invocar as quotas, os avaliadores invocam impossibilidade de distinguir os avaliados porque cumpriram diligentemente os seus deveres.
- cumprir zelosamente a legislação e o horário de trabalho (estabelecer 7 horas diárias de trabalho e não ultrapassar esse limite; se não completaram o trabalho, completam no dia seguinte. Se conseguirem ser disciplinados, demonstram-se as fragilidades do sistema)
- exigir todo o material necessário para trabalhar. Requisitar o que for necessário porque é um direito que assiste ao trabalhador: a entidade patronal tem de proporcionar as ferramentas de trabalho. Em caso de recusa por falta de verba, está justificada a impossibilidade de executarem as tarefas profissionais.
- caso haja possibilidade financeira, escrutinar a legislação e processar judicialmente todas as ilegalidades.
- boicote: usar o quotidiano para demonstrar que é a muita boa vontade dos profissionais que permite o funcionamento do sistema.
Como a paciência é uma virtude, só a médio prazo é que surgirão resultados; mas se a adesão for tão grande como a união que surgiu, o sistema paralisa.
23/01/09
A ruptura
Eduardo Dâmaso, 23-1-2009
Perante as evidências
A autopreservação vai ser mais forte e o tempo de prolongamento da luta é desfavorável à manutenção de uma força anímica para manter a pressão e por isso os professores vão ter de alinhar neste ECD e consequente modelo de avaliação. Este governo está a usar subrepticiamente a crise como forma de coagir e impor a sua politica; com as perspectivas sócio-economicas num patamar dantesco, muitos professores vão ceder à autopreservação, e o instinto vai conduzir à defesa do emprego, mesmo que em condições muito piores. No actual panorama, poucos se atrevem a enveredar por caminhos de conflitos jurídicos, cujo resultado final é duvidoso e arriscado. Recordo um actual titular avaliador que, no inicio do processo de implantação do modelo de avaliação, referia que o mais importante era manter o emprego, porque muitos professores que pensavam que isto eram “favas contadas”, agora estão na contingência de as perder, porque por cada um de nós estão centenas à porta para entrar...
Existem duas conclusões:
1- a satisfação de, em muitas dezenas de anos, uma classe profissional tão heterogénea e tão passiva se ter unido por tanto tempo.
2- a categoria dos professores titulares vai estar numa posição muito difícil; as relações interpessoais não vão ser as mesmas porque irá ocorrer o distanciamento e a divisão entre 2 grupos: os suplentes e os titulares. Toda a afectividade que existia na escola entre docentes vai desaparecer e as relações vão-se tornar politicamente correctas, estéreis e meramente profissionais. A nível do quociente emocional é evidente que vai existir uma degradação ao nível dos titulares e as consequências a médio e longo prazo são imprevisíveis.
Em resumo, perante um cenário idêntico ao da década de 30 do séc.XX, com as hordas de pessoas a vaguear pelo país em busca da côdea de pão, o desmembramento da união é uma possibilidade bastante plausível.
19/01/09
Paz podre
Vive-se uma paz podre no quotidiano: assistem-se a mais discussões inflamadas no local de trabalho, resultantes de uma contenção prolongada de opiniões. Contudo, a maioria, opta por atitudes politicamente correctas, medindo cuidadosamente o que se afirma, eliminando todas as opiniões controversas, adoptando uma postura estritamente profissional, pouco afectiva e estéril. Isto implica um maior isolamento entre os indivíduos, a maior desconfiança e a maior desumanização. A causa principal disto tudo? O malfadado dinheiro: contenção orçamental, corrupção, manutenção da desigualdade na distribuição de riqueza, leva a adoptar decisões que promovam as divisões entre os cidadãos, os conflitos, para desviar a atenção com a mão esquerda enquanto a direita continua a delapidar...
18/01/09
Pormenores relevantes
- os avaliadores estão isentos da observação de aulas podendo ter acesso às classificações Muito Bom e Excelente
- os avaliados só têm acesso às classificações mais altas por requerimento de avaliação do coordenador de departamento (com observação de aulas). Contudo, não é necessário requerimento para serem sujeitos às classificações mais baixas (Insuficiente e Regular); ou seja, o regime está construído unicamente para prejudicar.
Além de uma descarada e escandalosa discriminação entre profissionais com as mesmas funções pedagógicas, são necessárias mais provas de que este ME criou um sistema de penalização e não de mérito?
15/01/09
A inevitável desmobilização?
Que em muitas escolas existe uma paz podre, não há dúvidas: a relação entre os membros alterou-se, tornando-se calculista, racional, sem qualquer afectividade, contrariamente ao que aconteceu até 2007. As relações são meramente profissionais, em que se coloca muito prudência no que se diz e tudo o que se afirma é sempre de uma forma politicamente correcta; criou-se um ambiente mecanizado, estéril e anódino.
Uma greve tem de provocar prejuízo e todas as acções até hoje evitaram essa faceta; por isso muitos profs, compreensivelmente, não simpatizam com greves às aulas. O tabu de evitar o prejuízo tem de ser derrubado se a classe quer efectivamente pressionar dolorosamente o ME.
Se no fim do ano lectivo se verificar a desmobilização, a partir desse momento a classe docente vai ser sujeita a todas as arbitrariedades de qualquer governo, ficando em condições laborais insuportáveis.
14/01/09
Estratégia envenenada
O regime transitório é um presente envenenado: se surgir um número elevado de professores que hipoteticamente requeiram a avaliação do coordenador (com a observação de aulas), o modelo que se aplica é exactamente o mesmo que o ME quer implementar exceptuando a não utilização dos dois indicadores “resultados escolares” e “abandono escolar” da grelha de avaliação do director/a. Ou seja, os professores são avaliados usando as mesmas grelhas que já estavam planeadas. Deste modo, no final do ano, o ME pode usar essa hipotética adesão significativa como argumento de que os professores voluntariamente aceitam o modelo e o estatuto, já que apresentaram requerimento para usá-lo.
Se eventualmente não surgir adesão significativa, o ME não fica muito incomodado porque assegura que não surgirão promoções mais rápidas e portanto poupa uns euros em salários, além de que ganha tempo para ir desgastando a classe docente com propaganda.
Ser o David não é fácil...
12/01/09
Afirmações pertinentes
(...) O especialista avisa, porém, que nestes sectores - como na economia social - "a lógica das organizações já não é o emprego tradicional mas formas alternativas de trabalho". Por isso é que insiste na ideia de que a formação profissional deve ser apresentada como "um valor em si" e não como uma via para a obtenção de emprego num curto prazo.
"A educação é um valor em si, porque as pessoas aprendem a descodificar as mensagens televisivas, a não cuspir para o chão e a não bater no cônjuge. Agora, estar a dizer que os jovens devem ir para os cursos profissionais porque vão arranjar emprego é um engodo." Hoje, a economia não precisa que todos trabalhem, precisa é que todos consumam, sublinha. Assim, e não se vislumbrando a existência de emprego que corresponda às expectativas que estão a ser criadas a estes jovens, "estão-se a criar as condições para que, daqui a poucos anos, haja tensões sociais muito fortes". E, apesar de considerar que "se calhar, nas próximas décadas, todos teremos que aprender a viver de forma diferente" - e que a responsabilidade por essa aprendizagem não pode ser assacada a nenhum Ministério da Educação, porque extravasa e muito as fronteiras da escola -, o investigador afirma que "quando se põe a multiplicar inadvertidamente as promessas de emprego, o ministério é o primeiro a contribuir para a desvalorização da aprendizagem". N.F. - PÚBLICO
09/01/09
28/12/08
Qualificações para quê?
Aos 32 anos, sofre de um mestrado e está quase a apanhar um doutoramento. Factores nada favoráveis ao mercado de trabalho, descobriu Susana Alarico, investigadora em Coimbra. "Arriscou" constituir família e ainda não recuperou do susto. Uma série a partir de hoje no P2, com portugueses em vários pontos do país a olhar a crise. Por Graça Barbosa Ribeiro - PÚBLICO
Num placard do Laboratório de Microbiologia da Universidade de Coimbra, os avisos e outros documentos institucionais convivem com a fotografia de uma criança e com um cartoon. O cartoon representa um mendigo que pede esmola queixando-se: "Sofro de grande licenciatura, mestrado e ainda apanhei um doutoramento no estrangeiro." A foto é de Gabriel, um bebé. "É o meu filho", aponta Susana Alarico com um sorriso, sem abrandar o passo determinado com que percorre o labirinto de divisórias falsas que espartilhou o espaço, outrora amplo, do edifício.
Não foi Susana quem ali dispôs as fotocópias. Mas a imagem que surge no placard parece concebida para ilustrar a situação da investigadora de 32 anos de idade, que decidiu "não adiar a vida" e ainda não recuperou do susto.
Investigadora na área da microbiologia, quase doutorada, com sete publicações em revistas científicas internacionais, achou que podia arriscar ter um filho. E foi por pouco que não acabou o ano a trabalhar numa loja de roupa, para o poder sustentar. Desde Maio que procurava emprego e só há menos de duas semanas soube que conseguiu uma bolsa de pós-doutoramento. "A resposta chegou no limite dos limites - tinha de ganhar dinheiro", explica.
Susana entra num gabinete acanhado e, com naturalidade, apresenta o marido. Conta que foi ali, no laboratório de microbiologia, que conheceu Igor Tiago, também bolseiro. Ainda construíam as suas carreiras, vivendo com as parcas bolsas de investigadores (de 750 euros cada), quando decidiram não esperar "pelas condições ideais" para constituir família. Em 2004 pediram um empréstimo e compraram casa própria, em 2005 casaram e a 23 de Novembro do ano passado tornaram-se pais de Gabriel.
"A verdade é que somos privilegiados, temos o apoio dos nossos pais e decidimos não adiar a nossa vida. Arriscámos!", explica Susana.
Igor sublinha a excepção: "A maior parte dos nossos amigos não pode fazer isto. Andam com o relógio biológico aos saltos, mas têm de o ignorar..."
Não há lugar para nós
Não se pode dizer que o risco tenha sido rigorosamente calculado. Quando Gabriel nasceu, estavam ambos com bolsas de doutoramento, cada uma no valor de 950 euros. Mas, em Maio deste ano, Susana ainda estava escrever a tese (que vai defender em 2009), quando a sua bolsa acabou. Estava previsto, não entrou em pânico. Afinal, bastava arranjar um emprego, pensou. Mas não foi assim tão fácil.
Em pé, junto a uma das secretárias que enchem o gabinete, Igor acompanha a conversa. Susana descreve em tom sereno a surpresa e o susto com que, dia após dia, folheou os jornais na inútil busca de uma oferta de emprego que se lhe adequasse. Igor interrompe-a, impaciente: "Brutal... É brutal quando percebemos que, depois de toda a formação e experiência acumuladas, não há lugar para nós no mercado de trabalho".
Ficaram indignados com as palavras do ministro Mariano Gago, que se congratulou com o facto de Portugal ser o país europeu onde a investigação científica mais cresceu, entre 2005 e 2007. "Fala de percentagens, de números... É só isso que este Governo vê? E as pessoas?", exclama Susana Alarico.
Quando diz "pessoas" refere-se, antes de mais, àqueles que fazem ciência. As da sua geração, protesta, vivem "com bolsas que não são actualizadas desde 2001, sem subsídios de férias, de Natal e de desemprego e sem perspectivas de futuro. "Pior", acrescenta Igor: "Em Portugal não merecemos qualquer reconhecimento por parte da sociedade, que nos considera parasitas. E eu pergunto: se nós não fizermos ciência, quem a vai fazer?".
Susana Alarico diz que a consciência de que a crise afecta toda a gente tem sido crescente. "É assustador. Só penso: o que é que vai ser de nós, de todos nós, quando, num momento em que já não sabemos como apertar mais o cinto, nos dizem que o que aí vem ainda é pior?"
No seu caso, os airbags familiares funcionaram. Os pais dela começaram a pagar-lhes o empréstimo da casa, os dele ajudam de outras formas. Mas ambos se sentem desconfortáveis com a situação.
Tomaram medidas. Abdicaram das férias e dedicaram-se à exploração das marcas brancas no mundo dos super e hipermercados; não renovam os guarda-roupas; almoçam sempre nas cantinas; fazem o jantar em casa, todos os dias; não saem à noite; prescindiram de todos os pequenos luxos; decidiram não dar presentes de Natal a ninguém. Nem ao Gabriel? "O Gabriel só tem um ano. Não vai sentir falta de um presente", diz Susana. Parece triste. Que não, que não está: "Há muita gente bem pior do que nós".
Um "clima" contagioso
Ela própria alerta que "é preciso ter cuidado", que "a crise não pode servir de cobertura a tudo". Mas admite que, quando soube que partiram o vidro do carro e roubaram a carteira a uma amiga, enquanto ela deixava o filho na creche, não conseguiu deixar de pensar: "Será alguém que não tem dinheiro para comprar um presente de Natal a um filho?".
Preocupam-na os casos de pobreza - este ano, por exemplo, foi ainda mais generosa do que é costume ao participar na campanha do Banco Alimentar contra a Fome. Mas também as consequências, para o país, "do desânimo e da revolta da generalidade das pessoas".
"Face às dificuldades, adaptamo-nos, mudamos o estilo de vida, o que é que havemos de fazer? Mas há uma tristeza, uma tensão, que se reflecte em tudo o que cada um de nós faz: na maneira como os professores ensinam, na forma como os médicos atendem os doentes", exemplifica. Custa-lhe, especialmente, que "este clima" alastre às crianças e aos adolescentes, como uma doença.
Susana nasceu e cresceu à solta no Tramagal, uma vila do concelho de Abrantes. Com a irmã, que morreu há cinco anos, e outros amigos, partia em debandada pela manhã e só regressava quando o sol se punha. Hoje, diz, tem a certeza de que o seu filho não terá uma infância tão livre e cheia de aventuras porque, entretanto, "a sensação de segurança desapareceu".
Também a aflige que Gabriel possa não vir a sentir-se tão confiante em relação ao futuro quanto ela se sentia quando fez o secundário, em Abrantes, ou ingressou em Biologia, em Aveiro. "Éramos ambiciosos e guiados por exemplos de sucesso. Acreditávamos que, se nos esforçássemos, alcançávamos o que queríamos". Faz uma pausa, como se a conclusão a espantasse: "E agora? Como é que os jovens hão-de ter incentivo para estudar e trabalhar se os exemplos somos nós?..."
27/12/08
O despudor vergonhoso
Após a mensagem de Natal do PM, só resta concluir inequivocamente que somos governados por um mentiroso descarado, um hipócrita, e que escandalosamente se mantém no poder com a indiferença de uma população com pouca cultura cívica. Afirmar que criou condições para baixar os juros (quando na realidade é o BCE que os controla e não os governos), que a acção social escolar se alargou (quando na realidade se baseia no critério falível do IRS) perante uma nação, é o cúmulo. Mentir descaradamente e despudoradamente tornou-se banal para os políticos e conivente para os eleitores; é por isto que fico apavorado com o futuro próximo…
26/12/08
Significados que se perdem
21/12/08
O fruto da desigualdade
A população de Ciudad Juárez, no Norte do México, tem mais um motivo para andar aterrorizada: a ameaça em panfletos anónimos colados à porta das escolas exigindo aos professores que entreguem os seus abonos de fim de ano, caso contrário verão alunos sequestrados.
Não há senão pistas dos autores da chantagem: as autoridades oscilam entre os cartéis de narcotraficantes que trazem a cidade assustada e bandos de delinquentes que se querem aproveitar da instabilidade.
Ciudad Juárez vive tempos dementes. É o epicentro da guerra entre os grandes gangs da droga, em luta pelo domínio do mercado norte-americano, e entre estes e as forças de segurança. Só este ano, lembrava ontem a BBC online, foram ali mortas mais de 1400 pessoas. Os assassínios, ou mesmo massacres, são quase diários.
As notas vêm aparecendo coladas às portas. Uma delas foi colocada no muro de um jardim infantil. Todas têm em comum a mesma chantagem: os professores entregam o seu 13º mês ou arriscam-se a ver os alunos, um dia destes, desaparecidos. Muitos pais estão a tirar os filhos das escolas.
O medo está também de pé nos hospitais. Na semana passada, de acordo com aquela estação, médicos manifestaram-se para denunciar eles também ameaças de raptos. Homens armados têm entrado nos estabelecimentos clínicos para levarem consigo pessoas em tratamento. PÚBLICO
19/12/08
Junto ao Atlântico, nada de novo
A desigualdade salarial aumentou. E "é um dos principais motores" da assimetria de rendimentos que existe em Portugal, segundo o economista Carlos Farinha Rodrigues, que analisou os quadros de pessoal das empresas portuguesas. Em 2005, os 20 por cento de trabalhadores com maiores ordenados auferiram 45 por cento de toda a massa salarial. PÚBLICO
Entrevista a reter
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={FAC8D8E5-0EDB-45B5-BB20-8F332BE338DC}

