10/06/09

Dia de Portugal

Segundo os documentos da época, Hitler teve intenções de invadir Portugal. Um dos motivos que apresentava é que considerava o pais uma “aberração geográfica”. Na realidade, é um argumento pertinente porque é um território que está confinado pelo oceano, tem uma área geográfica reduzida, o que implica inexistência de recursos naturais que permitam a sustentabilidade da população. Neste contexto, é incompreensível como o país manteve a soberania do território durante estes séculos. Em parte explica-se por demérito de Espanha, que durante muito tempo era um país fragilizado devido à desunião territorial. Na fase em que Espanha esteve unida como um pais coeso (época dos Filipes), invadiu e dominou Portugal, integrando-o como uma província espanhola. E manteve-se durante 60 anos, momento em que Espanha enfraqueceu com a guerra com França. Por outro lado, o domínio territorial de África, Índia e Brasil proporcionou os recursos naturais à sustentabilidade do país. A partir de 1974, quando se perdeu tudo, foi po descalabro. Portanto, Hitler fez uma análise correcta: este pais não tem hipótese de se sustentar, devido á raiz cultural do povo, eminentemente corrupta.
Retirem as tetas europeias, e regressamos ao período de 1974-1986, um país no pântano sócio-economico idêntico a qualquer outro do 3º mundo…

Os salários escondidos dos politicos

Salários milionários
Antigos ministros ganham fortunas

Jorge Coelho, Fernando Gomes, Dias Loureiro ou Armando Vara são apenas alguns dos ex-políticos apontados por passarem a ganhar fortunas depois de saírem do Governo, noticia o 24Horas

Segundo o 24Horas, outro caso de sucesso na vida pós-política é o de Jorge Coelho, antigo ministro de Estado de Guterres, que decidiu enveredar pela carreira de gestor, em Maio do ano passado quando tomou posse como vice-presidente do conselho de administração da Mota-Engil. Enquanto esteve no Governo ganhava 160 mil euros por ano, agora ganha mais de 300 mil.
Armando Vara, na sua passagem pelo Governo de António Guterres, ganhava 100 mil euros por ano, mas foi quando abandonou o seu cargo político que viu a sua vida financeira prosperar. Armando Vara começou a sua carreira profissional como simples empregado de balcão, na Caixa Geral de Depósitos, mas, depois como administrador, o ex-ministro passou a ganhar cerca de 240 mil euros por ano.
De todos os políticos que abdicaram do serviço público em prol de cargos em grandes empresas, Fernando Gomes é daqueles que mais sucesso alcançou. Em dez anos, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto e actual administrador da GALP, passou de 45 mil euros anuais para uma remuneração de mais de 700 mil. SOL

Fica comprovado que o tema dos salários dos políticos é uma falácia porque todos eles sabem que, pelo simples facto de ocuparem cargos superiores no Estado, são sobrevalorizados pelo sector privado, que procura avidamente por estes indivíduos. Essa procura baseia-se no acesso a informações privilegiadas e confidenciais que esses políticos têm no exercício do cargo que posteriormente podem ser usadas em benefício do grupo económico para o qual foram contratados.

09/06/09

A estupidez humana

Apesar da actual crise económica, as despesas militares mundiais alcançaram um recorde de 1,4 biliões (milhões de milhões) de dólares em 2008
"As guerras no Afeganistão e no Iraque já custaram mais de 903 mil milhões de dólares aos EUA", revelou Sam Perlo-Freeman, responsável pelo projecto sobre Gastos Militares no SIPRI, citado pela Reuters. Público

Se o ser humano fosse verdadeiramente altruísta e não intrinsecamente maléfico, imagine-se a qualidade de vida que existiria neste planeta…

Ganhou a revolta

A indignação e a revolta expressas na percentagem de abstenção é que são as vencedoras.
Com politicos moralmente e economicamente corruptos, tipo o avô cantigas, a velhinha estrela e outros que tais, atingiu-se o ponto de saturação.
Mas mais uma vez, eles vão ser autistas porque no fundo alcançaram o que queriam: o tacho luxuoso na europa e o resto são tretas...

03/06/09

É vital que não se repita

Há 80 anos atrás, em 1929, aconteceu o que hoje se denomina a Grande Depressão. Tal como actualmente, o sistema financeiro bolsista colapsou, lançando uma onda de falências a nível mundial que provocou milhões de desempregados. Nos EUA, as ruas e estradas encheram-se com milhares de pessoas procurando emprego. Defendo a tese que a Depressão durou 10 anos, dando origem à II Guerra Mundial; os povos desesperados, com corpos que apareciam nas ruas vitimas da fome, elegeram ditadores em vários países. A Alemanha foi um deles, e um país considerado culturalmente e tecnologicamente evoluído, conduziu o mundo à barbárie. O desespero leva o ser humano aos actos mais ignóbeis, e os campos de concentração alemães são o exemplo até que ponto pode ir a frustração humana.

A contestação que tem ocorrido nos últimos tempos é a reacção de todos aqueles que não querem que se repita o que aconteceu à 80 anos, com uma consequente III guerra mundial, porque esta fará o inferno parecer o jardim do éden...




31/05/09

Boicotar

A manif de sábado continua a ser relevante, independentemente de serem mais ou menos que as outras. É garantido que foram mais que as que nunca foram feitas antes de 2005.
Só um inculto político é que acredita no Pinócrates quando este afirma que os professores são instrumentalizados pelos partidos.
E agora?
A luta tem de passar para dentro da escola. Boicotar é a palavra de ordem. Verifico que os dirigentes políticos não têm pejo em desprezar o rigor e a competência para atingir os seus fins mas os subordinados chegam a ser mais zelosos. Verifico que muitos professores têm a preocupação de cumprir zelosamente mesmo que não concordem, o que é ridículo face aquilo que os seus superiores hierárquicos fazem.
Em vez de boicotarem a avaliação, vejo os avaliadores preocupados em preencher a grelha, dissecando o que se fez e não se fez. Não há hipótese! Quando são os atingidos a aplicar este zelo, qualquer lei pode ser publicada por muito estúpida que seja.
O ME não tem a mínima hipótese de controlar todas as escolas; o seu sistema baseia-se na denúncia, que infelizmente se revela várias vezes eficaz devido à mesquinhez de muitas pessoas.
De outro modo, que raio de vida vamos ter? Quem se vai sentir realizado a trabalhar num ambiente paranóico em que não sabe em quem confiar?
Queremos viver ou sobreviver?

O que todos já sabiam

Fiquei espantado ser o jornal Público a escrevê-lo de forma tão explicita (obviamente que também se aplica aos deputados nacionais...):

Como é que se distinguem os bons eurodeputados dos maus? Os maus, que os há, e não são poucos, são fáceis de definir e incluem os ausentes crónicos, os que se limitam a fazer figura de corpo presente e os que só entram nas salas das reuniões por breves minutos para assinar o livro de presenças de modo a obter o complemento salarial confortável resultante do reembolso das elevadas ajudas de custo e das despesas de viagem.São os deputados-"fantasma" que não têm qualquer peso no trabalho parlamentar. Mesmo quando participam numa ou noutra votação, não têm a menor ideia do que está em causa, limitando-se a seguir as indicações do coordenador de bancada para cada tema ou as listas de voto detalhadas fornecidas pelo secretariado do respectivo grupo parlamentar.

30/05/09

Um menino-Homem

Entrevista de uma equipa de reportagem televisiva a uma criança mexicana de 9 anos, na sequência das manifestações a exigir melhores condições de vida em Oaxaca (2007):
- a policia prendeu-te?
- sim
- e apontou-te uma arma?
- sim, duas vezes.
- tiveste medo?
- não. Ainda ganhei mais coragem.
- Porque estás a protestar?
- Porque estou sem o meu papá, que teve de ir para outro país. Estou a lutar para que outras crianças não fiquem sem o papá. Estou a lutar para que elas não sofram o que eu estou a sofrer.

Perante este testemunho, muitos adultos deviam sentirem-se cobardolas...

Outra forma de euromilhões

STOCKHOLM (AFP) – A 16-year-old Iraqi immigrant living in Sweden has cracked a maths puzzle that has stumped experts for more than 300 years, Swedish media reported on Thursday. (…) Altoumaimi, who came to Sweden six years ago, said teachers at his high school in Falun, central Sweden were not convinced about his work at first.


A este jovem saiu o euromilhões: viver num país verdadeiramente desenvolvido a nivel sócio-económico, cultural e politico. Muita inveja e desespero perpassa pelo meu ser, por ter tido o azar de ter nascido no seio de um povo chamado português...

27/05/09

O negócio do desemprego

"Humilhação dos trabalhadores desempregados" - foi este o mote de um requerimento apresentado pela deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca, ao Ministro do Trabalho e Segurança Social. Em causa está a recém introduzida "Procura Activa de Emprego", engenharia do Governo Sócrates que visa dificultar o acesso ao Subsídio de Desemprego. Para além da mendicidade a que estão postos os desempregados com este Plano, existem relatos de vários trabalhadores desempregados que se queixam de serem mal recebidos nas empresas às quais se vão propor a emprego. Queixam-se ainda que muitas empresas se recusam a carimbar o comprovativo de procura de emprega (carimbo esse crucial para a manutenção do subsídio de desemprego). Pior que tudo, existem patrões a cobrar 5 euros aos desempregados pela colocação do dito carimbo.

As recentes alterações legais no relacionamento do Estado com os desempregados introduziram a chamada “Procura Activa de Emprego” (PAE). Ora, o que se verifica, é que a materialização desta consigna não é uniforme nos Centros de Emprego. Nuns basta a entrega de cópia de envio de currículos por e-mail, noutros, até porque nem todos os desempregados têm e-mail ou dinheiro para pagar Internet, exige-se a entrega de cartas de pedido de trabalho justificando-se a procura activa com a aposição de um carimbo pela empresa onde se foi pedir trabalho, e obedecendo a apresentações periódicas, normalmente quinzenais, nos Centros de Emprego.

  • Muitos dos candidatos a emprego são mal recebidos por muitas empresas, com desconfiança até, pois estas não estão nem sensibilizadas nem informadas para este tipo de práticas.
  • Há empresas que pressionadas por constantes pedidos de emprego e respectivo carimbo em folhas, vindos de um número elevado de pessoas, começam a tratar mal os desempregados com o objectivo de os afugentar. “Para que lá não voltem”.
  • Outras empresas recusam colocar o carimbo, alegando que não o têm (carimbo esse que se torna indispensável para a confirmação de pedido de emprego).

E paulatinamente se regressa ao modelo social do inicio da revolução industrial...

25/05/09

Nada escapa...

Marinho Pinto já gastou mais do que Rogério Alves
(…) Mas, por exemplo, só no caso dos honorários houve um aumento de 25% face a 2007. Isto porque mal Marinho e Pinto tomou posse decidiu que para se dedicar à função a tempo inteiro teria de ter uma remuneração fixa mensal de bastonário, no valor de oito mil euros. (…) O gasto total, de acordo com o relatório, atingiu os 215 mil euros, englobando as despesas de representação, nalguns casos, viagens aéreas feitas pelo próprio bastonário em classe executiva. No ano passado, e no que toca a este tipo de gasto, Marinho acusava os dirigentes da Ordem de gastadores: "Para se fazer uma ideia, basta dizer que, só este ano, os dirigentes da OA já gastaram mais de cem mil euros em despesas de representação, refeições por conveniência de serviço e bebidas", afirmou. Indignado, sublinhava ainda que nas mesmas rubricas foram gastos, em 2007, "cerca de 180 mil euros". Mas, no seu mandato, este montante já foi ultrapassado. DN

Admito que o bastonário peca pela forma e não pelo conteúdo, ou seja, muito do que abertamente denunciou é verídico mas o tom truculento com que afirma diminui o poder da mensagem. Contudo, essa sua atitude corajosa fica irremediavelmente comprometida com esta informação; afinal, existem cargos dirigentes de determinadas instituições que possuem regalias melhores que o Presidente da República. Agora percebo melhor porque surgiam sempre vários candidatos às eleições para o cargo…
Cada vez mais se implementa a perigosa percepção que nada é impoluto, que tudo está corrompido, e que só os que pertencem às classes privilegiadas é que se safam. Isto leva ao descalabro social…

23/05/09

Casos semelhantes, atitudes diferentes

O Tribunal de Faro deu ontem como provado que Leonor Cipriano foi agredida nas instalações da Polícia Judiciária (PJ) de Faro mas ficou por apurar quem praticou o crime. O ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral foi condenado a ano e meio prisão, com pena suspensa, por falso depoimento, e o inspector António Cardoso a dois anos e três meses por falsificação de documento, também com pena suspensa. PÙBLICO

Este caso comprovou o que muitos perceberam por intuição: há justiça para ricos e justiça para pobres. Compare-se os dois casos semelhantes: a menina inglesa e a menina portuguesa. Numa, disponibilizou-se a nata da investigação, gastou-se um milhão de euros, e os pais foram tratados principescamente; no outro, resolve-se tudo numa penada, a mãe leva pancada, e obtém-se uma confissão violentamente. A diferença é que a mãe inglesa é rica e a mãe portuguesa é pobre...
E homens da justiça, com a responsabilidade moral de não contribuir ainda mais para a desigualdade, foram os primeiros a praticá-la...

O Bom torna-se Mau

Com a implementação da avaliação de desempenho na Administração Pública, existiu a argumentação teórica de implementar a meritocracia. Agora está evidente que os objectivos principais foram a poupança nos salários e silenciar os trabalhadores menos 'alinhados'.
Para os cidadãos esta avaliação traz uma possível discriminação: se os funcionários são distinguidos pela sua competência através de uma classificação, então como utente quero ser servido pelos Muito Bom ou Excelente. Quero o médico, o professor, o policia, etc., com estas classificações que me atendam, porque obviamente todos queremos o melhor. E deste modo, o Bom torna-se Mau, porque não vou escolher o funcionário classificado com Bom tendo outros com melhores classificações.
Então na escola como será? Vou querer, como todos os pais, os professores com as classificações máximas; como existem em minoria, e portanto não podem leccionar a todos os alunos, significa que, teoricamente, existem alunos mais privilegiados do que outros, porque vão ser servidos pelos ‘melhores’ professores. Gostaria de saber como, num país democrático, se permite esta discriminação…

17/05/09

O mito das eleições

Por um voto se ganha, por um voto se perde.

As eleições autárquicas de 2001 representaram o fim de um ciclo político. Por uma vantagem de 856 votos na noite eleitoral, o PSD foi a principal força política na capital e Pedro Santana Lopes tornou-se presidente da Câmara Municipal, no lugar do socialista João Soares, contribuindo para a demissão do primeiro-ministro António Guterres. As suspeitas de fraude eleitoral levaram o Ministério Público a investigar e, por fim, a encontrar indícios, «se não de uma conduta intencionalmente falseadora da verdade eleitoral, pelo menos grosseiramente negligente do desempenho das funções de membro da assembleia de apuramento geral».
Este livro é o resultado de uma análise exaustiva dos documentos eleitorais dessa votação e da recolha de depoimentos de autarcas e pessoas ligadas à campanha de Lisboa. Da sua leitura, sobressairão numerosas discrepâncias reveladoras de um processo de escrutínio eleitoral . desde o recenseamento até à publicação dos resultados em Diário da República . significativamente permeável a erros, à adulteração, intrusão ou intenção dolosa de alterar o sentido de voto dos eleitores, eventuais actos que tornam impossível afirmar com segurança quem, efectivamente, ganhou as eleições de 2001 em Lisboa.
in Eleições Viciadas?, João Ramos Almeida, D. Quixote

12/05/09

Mentalidade bacoca do povo português

Amadora
Meio milhão de visitas deixou Dolce Vita sem condições

por DANIEL LAM

Só no domingo estiveram mais de 150 mil pessoas no centro comercial. Os nove mil lugares do parque de estacionamento não chegaram.
O maior centro comercial do País, o Dolce Vita Tejo, recebeu, desde a sua abertura ao público, na quinta-feira, até domingo, cerca de 500 mil pessoas. O dia de maior afluência foi o domingo, em que se registaram mais de 150 mil visitantes, soube o DN junto de fonte oficial do centro comercial.
O dia da abertura ao público do Dolce Vita Tejo, na quinta-feira, ficou desde logo marcado por uma intervenção policial, soube o DN junto de fonte da PSP. O alerta foi lançado, não porque houvesse alguma tentativa de assalto. O problema é que uma das lojas do centro comercial lançou uma promoção especial de abertura, em que oferecia grandes descontos em equipamentos de som, imagem e informática aos primeiros clientes que ali se apresentassem. Muitas pessoas se juntaram numa longa fila nada pacífica, em que uns se queriam colocar à frente de outros, alegando que o lugar estava marcado por familiares ou amigos. Geraram-se tantos desacatos, que foi preciso chamar a PSP para repor a ordem pública.
Esta idolatria pelas catedrais do consumo é reveladora da incultura de um povo.

10/05/09

Comentários

Família jantava quando um grupo de indivíduos entrou em casa. Estiveram sequestrados durante uma hora e tiveram de revelar onde tinham dinheiro e peças de ouro. PJ de Braga está a investigar. DN

Só quando as casas dos políticos e restantes grupos influentes começarem a ser invadidas é que algo será feito para estancar a mais do que provável guerra social…

Gordon Brown, ministros e deputados usaram e abusaram do sistema de financiamento da segunda casa. Cada um podia gastar até 24 mil libras, mas muitos aproveitaram para renovar as primeiras residências pagando até tampas de sanita com verbas públicas.

Já não é novidade que quem se envolve na politica é para proveito pessoal. Poucos ou nenhuns estão para servir.

O prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz considerou hoje que a crise mundial provou que o "pensamento da Direita sobre a economia de mercado" está errada. Crise é o resultado da "luta de classes contra os mais pobres" realizada pelo sistema financeiro norte-americano com a cumplicidade do poder político. (…) Começou por lembrar a forma como as instituições financeiras conseguiram convencer os políticos a desregular os mercados. Foi a "corrupção ao estilo americano", feita através de "contribuições milionárias para campanhas, de forma menos directa do que nos países em desenvolvimento e envolvendo montantes muito mais elevados". "Os bancos falharam muitos investimentos nos últimos anos, mas foram muito bons no investimento político. Apostaram nos dois partidos, à espera de retornos e conseguiram-nos", disse o economista norte-americano.

Não sou perito em economia e há anos que disse o mesmo. Era demasiado evidente que interessava aos possuidores de grande capital que existisse desregulação, para movimentarem o dinheiro sem qualquer controlo estatal.

08/05/09

Que motivação está por detrás da chuva legislativa do governo socialista?

Hipótese provável:

Diogo Freitas do Amaral, Joaquim Gomes Canotilho, Paulo Otero, José Luís Saldanha Sanches, Jorge Miranda ou Vital Moreira juntam-se a Marcelo Rebelo de Sousa no rol dos mais solicitados. Os pareceres são requeridos por entidades tão distintas como federações de futebol, autarquias, multinacionais ou o próprio Governo.
(…) O que é certo é que este mercado continua a mover milhões. O constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia aponta que um parecer jurídico andará entre os "10 e 15 mil euros". Já Saldanha Sanches sobe a parada: "Custam entre 20 e 30 mil euros." Porém, o fiscalista ressalva que "depende da complexidade" e confessa que elabora "à média de um por mês".
DN
O problema dos ordenados da classe política é de difícil discussão. Num país onde o salário mínimo nacional não atinge sequer os 500 euros soa muito mal a boa parte da opinião pública defender que os autarcas, os deputados, os ministros ou até mesmo o primeiro- -ministro e o presidente da República devem receber mais. Afinal, dirá a vox populi, José Sócrates ganha mais de cinco mil euros, Aníbal Cavaco Silva perto de sete mil.
Mas baixos salários para a classe política significam menor qualidade. Com muitas empresas a oferecerem aos seus quadros de topo remunerações acima dos 15 mil euros, e em certos casos bem mais do que isso, uma carreira política não se afigura atractiva para quem tem de pesar entre a qualidade de vida pessoal e o serviço público. E não vale a pena argumentar que servir a sociedade é já paga suficiente - o primeiro presidente americano exigiu um salário, logo no século XVIII. George Washington era abastado, mas os sucessores poderiam não o ser, e assim garantiu que nem só os ricos poderiam ocupar cargos políticos.
Contra os populismos vale também a pena notar que se há quem ganhe bem na política, e sobretudo quando a abandona, há também quem perca dinheiro por optar pela vida pública. O DN fala hoje dos pareceres pagos a peso de ouro que muitos juristas assinam. Vital Moreira é um deles. Mas o catedrático de Coimbra, cabeça de lista do PS às eleições europeias, vai perder dinheiro com a sua passagem por Estrasburgo. E sem garantias de algum dia recuperar, em termos económicos, o que deixará de ganhar enquanto estiver no Parlamento Europeu.
Editorial DN

Comentário:

O principio da defesa de um salário condigno é consensual. No entanto essa condignidade só é defendida para os quadros superiores e nunca para o trabalhador. A tese “baixo salário, menor qualidade” também se aplica aos quadros não superiores; porque não defendê-la para estes e só a defender para os quadros superiores? A qualidade também deveria ser exigida para os escalões laborais inferiores…
Os politicos que ocupam cargos de responsabilidade deveriam ter salários superiores; mas em contrapartida, também deveriam ser responsabilizados individualmente pelas decisões que tomaram em funções, mesmo após o abandono destas. Afigura-se muito fácil optar por decisões que se revelam onerosas para o erário público e escudarem-se na inimputabilidade politica para não serem responsabilizados. Quando os politicos estiverem dispostos a assumir esta cláusula, estão criadas as condições para pagar salários idênticos aos dos grandes grupos económicos.
Contudo, convém salientar que existem regalias implicitas pela ocupação de cargos politicos relevantes: abrem-se portas no mundo empresarial. Todos os politicos que ocuparam altos cargos foram posteriormente contratados pelos grandes grupos económicos, e tal só aconteceu pelo cargo que ocuparam e o acesso privilegiado a informação. Por isso, a compensação surge a médio prazo; quando Vital Moreira regressar do parlamento europeu, já não será pago a peso de ouro mas de diamante pelos pareceres que lhe solicitarem, escudando-se no curriculo que construiu…

A iconografia de colarinho branco



Esta é a imagem que assalta o meu cérebro sempre que penso em banqueiros. Esses 'meninos' pertencem ao grupo restrito de indivíduos que sabem quem tem património, quanto, onde e origem. Contudo, compactuam placidamente em nome do ambicionado lucro, numa total irresponsabilidade social, permitindo pela negligência e indiferença, a existência da corrupção e branqueamento de capitais. À distância de um click, podem obter toda a informação financeira sobre seja quem for, e se fossem cidadãos honrados, moralmente e eticamente íntegros, com responsabilidade social, denunciariam todos os criminosos de colarinho branco. Claro que isto implicava abdicarem dos imensos lucros, e consequentemente, da vida luxuosa a que dariam acesso...