30/09/10

Doutorado em raiva

OE 2011

CABRÕES DE MERDA!!

SÓ RESTA A VIOLÊNCIA E A LUTA ARMADA!

18/09/10

O que devia ser implementado nas instituições

Seja empresário ou político, seja no sector privado ou público, eis a cultura que devia existir e que leva uma organização ao sucesso:

One of the most striking Internet success stories in recent years is Zappos, the $1+ billion e-commerce business which was bought last year by Amazon.

But, as is often the case, the Zappos empire was not created overnight. Ten years ago, the online retailer known for selling shoes was actually desperate for sales. It wasn’t until a young Tony Hsieh came aboard in 1999 -- as a business consultant and investor -- did that all begin to change.

Hsieh’s unorthodox approach to company culture turned Zappos not only into a very lucrative business, but one beloved by customers and employees alike. He was named CEO in 2000 and attributes Zappos’ success to sticking by the company’s core values, which were designed to make employees happy.

“Our number one priority at Zappos is company culture. Our belief is that if we get the culture right most of the other stuff like delivering great customer service or building a long-term enduring brand for the company will happen naturally on its own,” says Hsieh who is also the author of a new book “Delivering Happiness: A Path to Profits, Passion and Purpose.”

(…) He must be on to something: Fortune magazine named Zappos #15 on its annual ranking of “Best Companies to Work For” at the beginning of the year.

Zappos named him CEO and he did what he set out to do. Hsieh grew the company that had nearly non-existent sales when he started, to over $1 billion in sales today.

His guiding principle: Happiness. When you enjoy what you do and where you work, great things will happen.

“We have 10 core values at Zappos. We try to do is hire people whose personal values match their corporate values,” says Hsieh while also stressing the importance not hiding or holding back who you are outside of the office. “It is about being yourself in the office because we found that when true friendships are formed, that is when creativity really blossoms (in our employees) and great ideas come out, which is what has driven our growth.”

The company will not hire anyone who does fit within their corporate culture.

One our values is to be humble, and that is the one that trips us up most during the hiring process. There are a lot of smart people out there that are also egotistical and for us it is not a question, we just won’t hire them,” says Hsieh.

In the same vein, the company will fire employees who do not live up to those standards.

Often, when growing companies are acquired by much-larger ones, such cultures are destroyed, as the acquirer seeks to wring out the "synergies" used by financial folks to justify the acquisition. [mega-agrupamentos?!]

But that's not so in this case, Hsieh says. Before Amazon and Zappos agreed to their deal, Amazon signed a document saying it would let Zappos continue to do its own thing. And Hsieh says Amazon has honored that commitment.


http://finance.yahoo.com/tech-ticker/zappos-ceo-tony-hsieh-happy-making-36000-a-year-working-for-amazon-535410.html?tickers=AMZN


Tem sido implementado exactamente o oposto: mau ambiente, competição feroz entre colaboradores, comportamentos humilhantes, o individualismo…

...e consequentemente o insucesso...

11/07/10

Após 5 anos de (des)governação teoricamente socialista, importa sumariar as principais alterações politico-sócio-económicas:

- a esquerda social e democrática morreu. Triunfou a direita neoliberal, preconizadora do mercado livre e desregulado, baseado na competição destrutiva e no modelo social darwinista.

- a morte da esquerda foi ironicamente provocada pelos seus legítimos representantes durante décadas: os partidos socialistas.

- diminuição, com tendência para a extinção, dos direitos sociais implementados ao longo dos anos (subsidio doença, subsidio de desemprego, aposentação, abono de família, subsidio de funeral, etc.)
- implementação de um novo modelo politico: a ditadura eleitoral. É permitido aos cidadãos votar mas estão impedidos de exercer outras formas de escrutínio político, ficando reféns do poder durante o mandato eleitoral. Neste, governa-se como no modelo de ditadura sem eleições.

- diminuição, com tendência para a extinção, dos serviços públicos: saúde, educação, segurança social.

Neste contexto, verifica-se a manutenção dos mesmos problemas sócio-económicos que atormentam o país há séculos.
As escolas, hospitais, etc., estão a reproduzir o actual estado politico-economico-social: profissionais a aplicar os mesmos métodos anti-democráticos que criticam nos políticos e o mesmo modelo neoliberal darwinista nas relações laborais. É desnecessário dissertar longamente para compreender o que vai acontecer a médio prazo.
Enquanto a lenta hectacombe vai progredindo desde os estratos mais baixos até aos superiores, muitos de nós vão enfrentar os maiores receios que só oniricamente existiam na mente de cada um…
A todos os bondosos e humildes, um até breve onde só vocês têm direito a estar...

23/01/10

O sentido da Vida

Chegou o momento ideal de fazer um balanço desta participação cibernética. A conclusão é que não produziu efeitos visíveis e palpáveis. O tempo dedicado, as milhares de palavras escritas, conduziram a alguma mudança? Apenas desabafos de frustrações, raivas, injustiças, num típico regime de desigualdade social. As acções é que são relevantes; as opiniões são efémeras.

Por isso, o tempo é escasso e precioso para ser consumido em opiniões, e será utilizado nas acções.

Tudo vai continuar na mesma durante os próximos séculos:

- hierarquia social,

- grupos de humanos a dominar outros,

- exploração de pessoas,

- desigualdade sociais, de distribuição de riqueza, de acesso ao poder

- grupos de humanos mais poderosos e impunes ao desrespeito das regras

- destruição paulatina do ambiente


Olhamos a história e sempre foi assim: os regimes politico-socio-económicos foram se sucedendo mas persistiam as causas que levaram à mudança no novos regimes.

A inevitável tragédia da contagem do tempo e da existência da morte, é uma ambivalência: tanto leva a comportamentos assertivos e abnegados como a perigosos comportamentos niilistas.

Portanto, a consequência imediata é cada um tratar da sua vida, com decisões e acções que o conduzam a patamares elevados da hierarquia social; uns têm sucesso e outros têm insucesso, o ingrediente necessário para a violência…

O caminho será inexorável: a Humanidade continuará com os mesmos desequilíbrios porque para os alterar seria necessário alterar a natureza e condição humanas, algo que cai na esfera do utópico.

Esse caminho será finalizado pelos limites quantitativos da Natureza, e quando forem atingidos, uma página será encerrada na história do planeta Terra…




Esbanja-se e depois népias para o povo

Centenas de exemplos destes que ocorrem há anos, é que levam a que a população deste país não tenha melhor qualidade de vida. Por isso, já não vou na cantilena da ‘época das dificuldades’, ‘sacrifício para um futuro melhor’, ‘apertar o cinto em nome da nação’. Prefiro que o barco afunde do que servir de escravo a estes vampiros…


Mais um projecto tecnológico, o do aproveitamento da energia das ondas, anunciado com grande pompa como uma iniciativa pioneira pelo governo, termina na falência.


Primeiro foi assim


http://tv1.rtp.pt/noticias/?arti...;layout=10


http://www.jornaldepeniche.pt/index.php?id=4...;task=view




O final acabou por ser bem diferente do anunciado:


http://sic.sapo.pt/online/video/i...-20383.htm

Lá por fora é assim

DR, 2ª série, nº 9, 14/01/2010

Aviso n.º 922/2010

3 — O vencimento base mensal dos professores do ensino secundário, de acordo com o determinado no Estatuto do Pessoal Destacado nas Escolas Europeias, oscila entre €5.198,32, no princípio da carreira, e €7.419,92, em fim de carreira, consoante o escalão em que o professor ficar posicionado (12 escalões com dois anos de permanência cada). A este vencimento é depois feita a dedução do montante ilíquido do salário auferido no sistema educativo nacional.

21/01/10

O que vai na alma de cada um

Por ser bastante eloquente, é pertinente mostrar:

18/01/10

O que todos já sabíamos

"o financiamento do Inglês no 1º ciclo , ensino profissional e Novas Oportunidades, fez-se à custa da contenção nos salários dos professores. Em 2007 e 2008, aquelas 3 politicas terão custado ao erário público € 543 milhões, mas o Estado terá poupado, no mesmo período, cerca de € 1099 milhões com o pessoal. (...) Entre 2003 e 2008, diminuíram de 83% para 77%".


http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S1645-72502009000100004&lng=pt&nrm=iso&tlng=

17/01/10

Requalificação interesseira

A requalificação do parque escolar, dá emprego sazonal a alguns portugueses e enriquece mais uns milhões de euros as empresas de construção civil administradas por ex-dirigentes socialistas. E não entro nos pormenores da metodologia de construção, em que se paga 100 para ter coisas de 50...
Ironicamente, criam-se melhores condições físicas na educação, que teoricamente possibilitam melhor formação dos jovens, mas que o país corre o risco de os ver emigrar porque não lhes oferece oportunidades profissionais. Gastam-se milhões de euros para eles irem produzir riqueza nos outros países...

Para quê?

A terra é um planeta maravilhoso mas após atingir metade da esperança média de vida, confesso que tenho pensado muitas vezes que preferia não ter nascido como humano. A espécie Homo sapiens é simplesmente detestável, exceptuando alguns indivíduos que mostram a parte bela da natureza humana. Contudo são cada vez mais uma minoria, o que significa pouca motivação para conviver entre humanos. Cada vez mais as relações interpessoais são de interesse e conveniência, baseadas na hipocrisia, cinismo, e atingindo os membros consanguíneos. Acrescentando a tudo isto a paradoxal inevitabilidade da morte, o sentido da vida é imperscrutável…

Resistir ferozmente

Quando um país passa por dificuldades económicas provocadas por motivos involuntários (catástrofes naturais, por exemplo), os cidadãos sentem-se naturalmente motivados para voluntariamente se sacrificarem pessoalmente. Contudo, quando essas dificuldades são resultado da corrupção, peculato e fraude das elites dirigentes, os cidadãos têm o direito moral de recusar qualquer sacrifício pessoal e exigir que os causadores resolvam a situação. Por isso, quando se gasta €5000 diários do orçamento de estado para manutenção do estádio do Algarve (acrescentando os custos com o pessoal dirigente e trabalhador), um equipamento completamente fútil e inútil, que só serviu como pretexto para enriquecer os tais assaltantes do erário público, não aceito que me peçam mais sacrifícios, que congelem o salário e a progressão na carreira.

Na prática, somos os escravos trabalhadores que geram a riqueza para os assaltantes que estão no poder viverem faustosamente.

16/01/10

(Sobre)Viver num país em falência

É bastante plausível que muitos considerem esta opinião cínica, mas analisando dentro do contexto realista talvez seja prematuro essa classificação.

Existe uma intensa cobertura mediática sobre o sismo no Haiti, com um dramatismo bastante melodramático. O ano passado ocorreu um sismo semelhante em Itália, com a destruição de 70% da cidade, milhares de mortes e o dramatismo foi mais realista.

Contudo, num território que de país só tem o nome, onde uma população vivia há anos em permanente estado de violência, pobreza, fome, miséria, sem serviços básicos (água, esgotos, electricidade), com um Estado em falência total, talvez a morte tenha sido libertadora para muitos. Num território neste estado, os sobreviventes terão motivos de regozijo e alegria? Perante a perspectiva catastrófica de um país arruinado que ainda ficou mais arruinado, as condições de vida nos próximos anos serão dramáticas e horríveis. Neste contexto, quem morreu no sismo foi uma bênção, foi uma libertação, porque deixaram todo o sofrimento que já tinham e o que supostamente ainda continuariam a ter. Um personagem de um filme de terror afirmava que “existem muitas coisas bem piores do que a morte”; viver no Haiti é uma dessas coisas.

12/01/10

Vamos continuar nisto até à guerra total?

A recessão agravou as condições de vida dos jovens

A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?

10.01.2010 - 08:03 Por Ana Cristina Pereira, com Romana Borja-Santos (PÙBLICO)

Geração perdida. A expressão, amarga, integral, acaba de ser usada no Reino Unido para encaixar quem tem agora entre 16 e 25 anos. Em Portugal há indicadores.

Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos - que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8). O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): "Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros." Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: "Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa". Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões - 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos - mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados - mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, "as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho", avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center. Havia, aponta Elísio Estanque, da Faculdade de Economia da UC, "uma empregabilidade relacionada com a aprendizagem". Os alunos tentavam seguir o gosto, a vocação. O ensino "democratizou-se, mercantilizou-se". A garantia esfumou-se. A crise agudizou o fosso. Agora, "a grande preocupação é se o curso tem ou não saída. Perversamente, têm mais dificuldades em obter melhores resultados".
A difícil transição
Nem só os universitários vivem a calamidade. Os menos qualificados também - todos os dias, empresas a falir, fábricas a fechar portas. A transição do mundo juvenil para o mundo adulto alterou-se. Os jovens deixam-se estar em casa dos pais. Adiam compromissos - como comprar casa ou constituir família, precisa Virgínia Ferreira. Por toda a parte se vê desejar um trabalho precário. Não aquele em vez de outro: aquele porque não há outro. "À minha volta está tudo deprimido por não ter expectativas e por ter de conviver com um emprego insatisfatório", desabafa Sara Gamito, do movimento Precários Inflexíveis. "Ficam com os pés e as mãos atados e vão perdendo o alento."
"Apesar de não nos definirmos só pelo que fazemos, o trabalho desempenha um papel fundamental na construção do eu", explica Sofia Marques da Silva, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. "E o salário é um elemento essencial para aceder a bens e organizar a transição. Sem salário, há um recuo ligado até à dignidade.
"Recusa o epíteto "perdida", mas está convencida de que "esta geração tem muita dificuldade em ter uma cultura de projecto - em imaginar o que vai fazer num tempo que ainda não existe". Fixa no presente o sentido dos dias e isso parece-lhe "perigoso": "Alguém que não imagina etapas na sua vida, às vezes, só quer usufruir rapidamente momentos, sensações". Não fala em revolta, como se viu noutros países europeus. Fala de ingresso na criminalidade, por exemplo. Elísio Estanque observa alheamento e inquieta-se com a saúde da democracia. Não só por o sistema não funcionar sem uma base de participação eleitoral. Também por ser importante haver associações para o olear. E existir "pouca disponibilidade dos jovens para participar: condiciona-os o medo".
Não se pode homogeneizar. Há focos de protesto, inclusive através de blogues e movimentos, como lembra Cristina Andrade, da Fartos d"Estes Recibos Verdes. Mas impera "uma docilidade que é assustadora", torna Sofia Marques da Silva. "As empresas olham para estes jovens como dóceis. Aceitam tudo." Ao fazer uma etnografia numa casa de juventude de Matosinhos, ouviu um dizer: "Comem a carne e deixam-nos os ossos". O rapaz que pronunciou aquela frase não aceitava tudo. Tinha 20 anos e já fora cortador de carne, já fora estivador no Porto de Leixões e não aceitou um trabalho na construção - era mal pago, era nocturno e em tempo de chuva.
Há estratégias de valorização - de sobrevivência mental. Às vezes, basta-lhes uma centelha. Sofia Marques da Silva viu aquele rapaz explicar, por exemplo, como carregar contentores é exigente em termos físicos. Ou uma rapariga que trabalhava numa fábrica gabar-se de saber fazer de tudo: cortar, coser, limpar.
Factos e números sobre o problema maior de uma geração
- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.
- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.
- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.
- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.
- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.
- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.
- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.
- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.
- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.
- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).

As elites planeiam refugiar-se atrás das forças das armas compradas com a sua riqueza (alugando as forças armadas e as forças de segurança), e por isso não vão ser elas que irão implementar as decisões para impedir o descalabro. Implementou-se a ideia de viver um dia de cada vez, como forma de escape à fealdade do quotidiano; como diz no artigo, uma ideia perigosa porque conduz à falta de projectos e ao devaneio.
Só quando as ruas estiverem a ferro e fogo (como aconteceu em França) é que finalmente se questionam sobre o que se passa e o que causou. Nesse momento será tarde, porque a violência será imparável e dará azo a regimes policiais, mafiosos ou cleptocráticos.
O humano não aprende com a história, e os mesmos sintomas que levaram à barbárie de duas guerras mundiais estão estupidamente a ser ignorados.

A falsidade da avaliação

Já ando a ficar saturado com a mesquinhez e inveja do povinho português. Existe uma cambada de ignorantes que estão convencidos que se os outros piorarem, eles se sentem melhor. A monumental estupidez deste sentimento, mina completamente qualquer relacionamento social saudável. Uma ignorância completa é pensarem que a avaliação é a panaceia dos males do país, quando na realidade, estes males têm origem na mentalidade e cultura do povo gerada hà séculos.
Esta coisa de dizerem que nas empresas avaliam, é a maior treta contada; exceptuando as grandes empresas devidamente organizadas, a avaliação que é aplicada no mundo empresarial é a olhómetro e feita por chefias intermédias sem qualquer formação. Uma avaliação que se baseia nas caras, na bajulação, na subserviência, etc., tudo menos no mérito. A avaliação não vai mudar nada, excepto o nível das despesas salariais, que diminui (e fundamentalmente, é o objectivo único da avaliação); aliás, a avaliação conflituosa só vai piorar em muitas circunstâncias a produtividade porque os indivíduos em vez de cooperarem vão competir destrutivamente entre si, prejudicando o cliente/utente. O cirurgião X que podia ajudar o Y já não o fará, porque tem de mostrar que é o melhor, e quem vai perder é o paciente, que podia ter um melhor tratamento.
É ignóbil estar a trabalhar num ambiente onde há desconfiança, hipocrisia, aparência.
Portanto, esta organização social, baseada num modelo económico que estimula a competição e concorrência eminentemente destrutiva (porque o objectivo é eliminar o outro), só cria uma sociedade baseada no conflito, desconfiança e violência.

É nojento

O que mais me enoja são aqueles indivíduos que usufruíram da plenitude do Estado social, algumas vezes abusaram dele, que se aposentaram entre os 50-60 anos, e que agora defendem acerrimamente as alterações gravosas que este governo provocou ao nível dos direitos sociais. Apoiam inequivocamente o agravamento das condições sociais com a justificação demagógica do défice e divida nacional. como se alguma vez soubessem como isso se calcula. É nojento porque sei que estes indivíduos vociferavam cobras e lagartos se lhes fizessem o mesmo, mas como já têm a vidinha garantida, borrifam-se completamente para os outros. Este sentimento asqueroso estende-se aos fazedores de opinião especialistas, que também têm pensões de reforma chorudas, e defendem os cortes nisto e naquilo como decisões tecnicamente acertadas, esquecendo-se convenientemente que também contribuíram para o estado actual ao aposentarem-se aos 50 e tal anos com milhares de euros.
Esta falta de solidariedade geracional é abjecta.
A sociedade portuguesa têm resmas destes indivíduos.

Ajuste de contas

Parecendo que a tempestade está acalmar, talvez seja o momento de ajustar contas com a história. Ao longo dos anos verifiquei que muitos indivíduos que estão actualmente no topo da sua carreira, a atingiram tranquilamente, sem grande sacrifício e sem terem sofrido grandes convulsões negativas durante o seu percurso. Estão financeiramente confortáveis, mantêm-se durante vários anos no topo da carreira, o que lhes vaia conferir uma velhice financeiramente confortável através de uma pensão de reforma mais elevada. Muitos apenas têm o bacharelato (3 anos de frequência universitária) em áreas do conhecimento sem qualquer afinidade com o trabalho que executam, num contexto de profissão liberal, e apresentam competências medianas no trabalho que executam. Contudo, são esses que estão agora em cargos de comando e com funções directivas, a implementar decisões que tornam instável, irregular e conflituoso o trabalho dos outros, com perspectivas pessimistas no contexto de uma velhice financeiramente desconfortável, porque muitos não atingirão o topo da carreira ou permanecerão pouco tempo.
Esta falta de solidariedade geracional é abjecta.
As escolas têm resmas destes indivíduos.

09/01/10

A tristeza da história repetitiva

Em 1991:





...e ainda continuamos na mesma lengalenga do défice, impostos, etc., e respectivos governantes a encapotarem as aneiradas que fazem...

Principio proporcional da responsabilidade

Fala-se muito de mérito e pouco de responsabilidade. Se nada mudar do que se prevê para a futura carreira docente, será natural começar a aplicar o príncipio proporcional da responsabilidade: entre duas pessoas com a mesma tarefa funcional, deve trabalhar mais aquela que ganha mais.