Frontalmente, o ser humano precisa prioritariamente de comer e beber para se manter vivo, o seu principal objectivo. No passado longínquo, teria de escolher um local com recursos naturais suficientes para alimentar uma determinada quantidade de indivíduos. Hoje, tem de ter o dinheiro suficiente para comprar os recursos. E portanto, a sua vida fundamenta-se na execução de actividades que proporcionem o acesso ao vil metal. Essas actividades são executadas num contexto de darwinismo social, sendo um paradoxo em relação à ideologia da época natalícia: solidariedade, paz, harmonia, altruísmo.
A solidão que mais se evidencia nesta época é ilusória: refere-se a não estar acompanhado por outros corpos, a interagir e comunicar com eles. Na realidade, cada um é sempre solitário, porque mesmo acompanhado por corpos, sente, pensa, sem que nenhum dos presentes percepcione essas actividades. Além disso, age em prol da usa sobrevivência individual, o que implica muita actividade solitária.
No contexto de relacionamento cortês e interesseiro- em que cada um se borrifa para o outro mas mantém uma relação cordial porque nunca se sabe quando um dia o outro lhe pode ser útil- é fátuo os votos que anualmente todos se desejam uns aos outros.
Os homens ditos santos- Cristo, Buda, etc.- tentaram pela palavra e acção demonstrar que existe o verdadeiro altruísmo, amor ao próximo, como a melhor opção de organização social. Com insucesso, como se constata no quotidiano: cada um manobra no sentido de obter os melhores proventos, mesmo que prejudique os outros.
Um dia como outro qualquer do ano: apenas simbólico mas sem simbolismo. Muitos milhões encaram o dia como um feriado, um dia em que não trabalham e dedicam ao lazer; e pelo caminho, a época do ano em que se aproveita para comprar os itens mais onerosos, numa fugaz sensação de felicidade e satisfação.
O sentido da vida esmorece, porque tudo se resume a possuir os bens materiais para sobreviver neste planeta…
Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar. A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de «struggle» que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam. Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum, para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta. Urge quanto antes alargar a reforma radical que as escolas novas fizeram triunfar na experiência; que só haja dois estímulos para o trabalho nas aulas: a comparação de cada dia com o dia anterior e com o dia futuro e o desejo de aumentar o valor, as possibilidades do grupo; por eles se terá a confiança indispensável na capacidade de realizar e a marcha irresistível da seta para o alvo; por eles também o sentido social, o hábito da cooperação, a tolerância e o amor que gera a convivência em vez de um isolamento de caverna e de uma agressividade permanente; a vitória de uma ideia de paz sobre uma ideia de guerra.
Ora a democracia cometeu, a meu ver, o erro de se inclinar algum tanto para Maquiavel, de ter apenas pluralizado os príncipes e ter constituído em cada um dos cidadãos um aspirante a opressor dos que ao mesmo tempo declarava seus iguais. Ser esmagada pelos condottieri que dispõem das lanças mercenárias ou pela coalizão dos que manejam o boletim de voto é para a consciência o mesmo choque violento e o mesmo intolerável abuso; um tirano das ilhas vale os trinta de Atenas e os milhares de espartanos. Pode ser esta a origem de muita reacção que parece incompreensível; há almas que se entregaram a outros campos porque se sentiam feridas pela prepotência de indivíduos que defendiam atitudes morais só fundadas na utilidade social, na combinação política. E de facto, o que se tem realizado é, quase sempre, um arremedo de democracia sem verdadeira liberdade e sem verdadeira igualdade, exactamente porque se tomou como base do sistema uma relação do homem com o homem e não uma relação do homem com o espírito de Deus. Por outras palavras: para que a democracia se salve e regenere é urgente que se busque assentá-la em fundamentos metafísicos e se procure a origem do poder não nos caprichos e disposições individuais, mas nalguma coisa que os supere e os explique, aprovando-os ou reprovando-os. O indivíduo passaria a ser não a fonte mas o canal necessário ao transporte das águas; nenhuma autoridade sem ele, nenhuma autoridade dele. Seria assim possível sacudir de vez as morais biológicas que nos têm proposto e, construindo um decálogo sobre os princípios divinos, ligar-lhe indissoluvelmente a política com uma simples extensão ou como outro aspecto de uma idêntica actividade. Não vejo outro alicerce senão o entendimento, o que, fazendo do animal a pessoa, ao mesmo tempo se coloca acima do indivíduo e se impõe como norma universal; e as maiorias, assim, só viriam a obrigar quando as suas resoluções coincidissem com a razão e com os fins últimos que a Humanidade se propõe atingir.
Os povos serão cultos na medida em que entre eles crescer o número dos que se negam a aceitar qualquer benefício dos que podem; dos que se mantêm sempre vigilantes em defesa dos oprimidos não porque tenham este ou aquele credo político, mas por isso mesmo, porque são oprimidos e neles se quebram as leis da Humanidade e da razão; dos que se levantam, sinceros e corajosos, ante as ordens injustas, não também porque saem de um dos campos em luta, mas por serem injustas; dos que acima de tudo defendem o direito de pensar e de ser digno.
1. Será que esta classe não para com as suas atitudes circenses? Basta de reivindicações num País em crise onde são sempre os mesmos a pagá-la. São estes Senhores que menos trabalham: 12/14 horas por semana de 4 dias úteis durante 8 meses pois, têm 4 de férias mas, recebem bem e pontualmente durante 14. Grande parte deles arrastam-se pelas Escolas sem qualquer horário. Como exemplo e para se ter uma noção do que é o vencimentos destes Senhores vou relembrar os 3 últimos escalões: 245 - 2227,93; 299 - 2718,99; 340 - 3091,82 ao que acresce 4,27 euros diários (dias úteis) se subsídio de refeição. O Povo/Contribuinte está farto de tantas exigências e tão pouca produtividade pois são estes que passam a vida a dar no duro para que, os ditos, levem uma vida animada e de luxúria. São os únicos que quanto mais anos têm de serviço e mais experiência, têm redução de Horário e melhor vencimento. São bem pagos para não trabalhar. Que País este onde vivo e tão fracos Governos tem tido, que não consegue pôr a trabalhar os que mais ganham e melhores regalias sociais possuem!!!!!! O Povo/Contribuinte deveria ser chamado a decidir sobre esta classe profissional de empregados do Estado.
2. Uma vez mais, uma das trupes de parasitas deste país vai ganhar. Para protestar, fazer greves e viagens a Lisboa têm tempo. Para melhorarem não. A satisfação de muitos (como eu) é que são, cada vez mais, vistos como parasitas da sociedade, usurpadores da riqueza criada pelo país e como responsáveis pela educação miserável dada às crianças/jovens deste país. Dizem que a culpa é do ministério/ministro. Mas se são eles que mandam no ministério/ministro da educação, podemos concluir que a culpa é deles. Professores? Não. Choradores. É que não fazem mais nada do que reclamar. Alguém lhes dá uma chupeta?
3. Esta Ministra da Educação é uma vergonha e um atentado aos Portugueses. Verga, porque de educação não sabe nada, ao oportunismo dos sindicatos dos professores. Quer dar uma de porreira, como aqueles professores incompetentes que nem escrever sabem e dão notas altas aos alunos para que estes os não chateiem, e dá aos sindicatos tudo o que estes exigem. Desrespeita quem, antes dela, esteve com dignidade e coragem no posto que ela ocupa. Onde está o corajoso Sócrates? Que pesadelo é este Portugal. Que ministra indigna do lugar que ocupa... Que vergonha!
4. É a hora de aproveitar o desgoverno, tudo que mexe com classes profissionais que representam muitos votos, o governo abre as ditas... e não só o governo até a oposição dá tudo. Quem vai pagar tudo isto?, querem que vos diga? os suspeitos o costume, o zé contribuinte, não funcionário público. Por favor entreguem este pedaço de terreno á Espanha, eu sei, eles não vão querer, mesmo de graça, mas está comprovado que os milages, às vezes, acontecem.
O ódio, a inveja mesquinha persiste. Só uma amostra do que se ouve na rua. Os docentes deviam mandar todos para a p*** que os pariu e demitirem-se em bloco todos os 150 000 ‘parasitas’ do sistema educativo, como ameaçaram os enfermeiros finlandeses o ano passado, e que fizeram baixar a bola ao governo finlandês. Mas como os docentes são escravos e temerosos, vão continuar a ser enxovalhados porque estão f*******: precisam da m**** do dinheiro para viver, e portanto, prostituem o seu estatuto social, em prol de uma cambada de ingratos que não reconhecem que sem o sistema educativo, mesmo que mediano, os seus filhos estavam entregues à bicharada e a maioria deles seria delinquente...
Quando em 2005, o governo socialista liderado pelo indescritível PM, implementou a tão propalada reforma da Administração Pública, o cavalo de batalha largamente utilizado foi a avaliação dos funcionários, tendo sido apresentado como a panaceia que iria aumentar a eficiência e produtividade do Estado. No final destes anos, e após a publicação dos resultados da dita avaliação (exceptuando em alguns sectores), o que mudou? Mais conflitualidade, ressentimento, vingança e represálias pessoais, clima de medo e repressão, ou seja, tudo o que contribui para a diminuição da eficiência e produtividade. O cidadão pode afirmar peremptoriamente que os serviços melhoraram significativamente? Pelo estado de alma emanado pela população, a resposta é francamente negativa... Seguindo o raciocínio cientifico, conclui-se que a panaceia não foi mais do que atirar areia para os olhos e um formidável método de poupar euros em salários...
IEFP afasta jurista por actuar de forma isenta e imparcial
Pode até parecer absurdo, mas o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) afastou do serviço um dos seus mais antigos advogados, só porque este insistia em manter uma postura de isenção e imparcialidade.
"Não acompanha os desafios e objectivos" propostos e "necessita de ter outro tipo de estímulo e de experiência dentro da nossa organização", escreveu a directora dos Recursos Humanos da Delegação Norte na proposta de afastamento do advogado. Para o jurista a questão é, no entanto, outra, já que antes a directora o havia criticado pela sua postura de "isenção e imparcialidade" face à lei, advertindo-o de que lhe poderia "prejudicar a carreira". A direcção do IEFP diz que aquela não é a posição do instituto: "Não é a posição do IEFP, nem julgo que alguma vez a dita funcionária o tenha dito", frisa a resposta, por correio electrónico, às questões do PÚBLICO.
O facto é que o escreveu: "Tenho sentido que olha para a lei com a isenção e imparcialidade de um juiz que a tem de aplicar. Contudo, é advogado do IEFP. É certo que o IEFP prossegue o interesse público, mas [você] prossegue outro objectivo, a saber: empregar os seus conhecimentos a favor do IEFP, numa óbvia perspectiva de parcialidade e de pouca isenção em abono do seu cliente. Tudo o que fizer ao contrário deste princípio prejudica a sua carreira", assim escreveu a directora num documento que dirigiu ao advogado e que este apresentou agora no Tribunal do Trabalho.
Aqui está um tema de interessante reflexão. Um advogado deve ou não deve possuir e praticar valores humanos, éticos e morais? Neste contexto, compreende-se que para exercer a advocacia tem de se possuir um determinado perfil. Numa perspectiva profissional, o advogado tem de defender o cliente, independentemente de ter razão ou não. Nesta perspectiva, um advogado não aplica os tais valores morais e éticos, utilizando a manipulação, a falsidade, a argúcia, a desonestidade, para exercer uma representação eficaz. Ou seja, o fim justifica os meios. Numa perspectiva humana, um advogado não é digno de confiança, tornando-se um pária, devido à necessidade da sua acção ter de ser eficaz. Qualquer declaração de um advogado em exercício de funções tem de ser objecto de escrutínio critico muito rigoroso. Portanto, por um lado a directora tem razão e por outro revela os valores pelos quais se rege a sociedade humana, o que não é nada tranquilizante. Por isso, considero que quem possui e pratica os tais valores jamais pode exercer a advocacia de forma competente. Também se conclui que o Estado, quando lhe convém, usa de má-fé e de expedientes para se furtar à aplicação dos valores éticos e morais, de que deveria ser o pioneiro a praticar.
Por mero acaso, ao fazer zapping num dia frio, esbarrei no Discorey Channel. O que me chamou a atenção foi ver uma cara europeia vestida com uma indumentária indiana. No final do documentário, aprofundei a pesquisa e obtive algo que há muito defendo acerrimamente: o capitalismo humanista. Contextualizando, na Índia vive um francês (de seu nome Christian R. Fabre) que se converteu ao hinduísmo e é empresário de uma indústria têxtil de sucesso, com lucros superiores a $300 milhões anuais. O extraordinário desta história, é que a adversidade que atingiu este homem o tornou verdadeiramente humanista e não em mais um indivíduo ressabiado que se rege pelo darwinismo social. Este homem foi viver para a Índia com a família na década de 70, estabelecendo-se no negócio das peles para vestuário. Por acção do governo indiano, perdeu o trabalho, ficando na indigência. A mulher e o filho retornaram a França deixando-o sozinho. Obteve um emprego mal remunerado na indústria têxtil e com as poupanças que foi obtendo, investiu em maquinaria e lançou-se no negócio têxtil com um sócio indiano (que ainda hoje se mantém, na empresa denominada Fashions International). Entretanto, conhece o hinduísmo e converte-se totalmente, ao ponto de se propor para a função de swami (monge, adoptando o nome de Swami Pranavananda Brahmendra Avadhuta). E assim se manteve até à actualidade, trajando unicamente as vestes de monge e gerindo o seu negócio.
O método de gestão é inigualável no mercado industrial e comercial actual:
- 60% dos lucros da empresa são distribuídos por todos os que trabalham na organização (desde o executivo até ao trabalhador na produção). O resultado é que os trabalhadores são os melhores remunerados de toda a Índia neste sector. Não há exploração, maus-tratos, falta de condições de higiene e/ou segurança, obtendo sempre lucros anuais.
- Swami só aufere um salário de $200 mensais e vive numa moradia extremamente simples.
- Desde a fundação da empresa nunca foram despedidos trabalhadores
- O negócio é feito na base da honestidade total: o comprador sabe que a empresa tem um lucro fixo de $2,5 em cada peça que vende e tem de assumir o compromisso de respeitar regras de ética empresarial. Swami determina que só faz negócio com compradores que também apliquem a ética e moral no negócio; caso contrário, prefere não firmar contrato, mesmo que isso implique perder milhões de lucro.
- Swami vive uma vida simples, sem bens materiais (excepto um pc portátil e telemóvel). Portanto, nada de iates, moradias luxuosas, salários milionários, regalias sumptuosas ou quaisquer outras mordomias (cartão de crédito, automóveis, aviões, etc.).
Muitos cínicos do mundo empresarial ao conhecerem este exemplo certamente comentariam sobre a ingenuidade do homem; contudo, a sua empresa mantém-se com lucros, mesmo num mundo pejado de predadores empresariais insensíveis e desumanos.
Este exemplo devia ser esfregado na cara dos muitos empresários e administradores executivos das multinacionais e grandes grupos económicos, bem como na de todos os políticos, para refutar inequivocamente que as ideologias capitalistas que repetidamente tentam impor, são totalmente ineficazes na distribuição da riqueza.
Está aqui um exemplo do que devia ser o capitalismo: direccionado para o bem-estar de todos e não só de alguns.
Citações de Swami
- De cada vez que um jornalista vem ter comigo, a sua primeira pergunta é: Como pode ser um monge e CEO [administrador executivo, empresário]?
A minha resposta é sempre a mesma: quando alguém está apaixonado, está apaixonado po tempo todo. Não existe nenhum momento em que não esteja apaixonado. Desde o momento em que acorda de manhã até adormecer à noite depois de um dia de trabalho. Durante essas horas todas, quer tenha estado fisicamente ou não com a pessoa que ama, nunca cessou de estar apaixonado. No entanto, ele cumpriu as sua funções como amante, marido, amigo, esposa, filho ou filha, homem ou mulher, empregado ou administrador. Passa-se o mesmo comigo. Sou sempre um monge, um homem espiritual, (…) independentemente do que esteja a fazer…
- Despertar é muito mais do que uma crença. Podemos mudar a crença mas não podemos escapar do despertar. Despertar que sou tu…que a minha equipa de trabalhadores me fez compreender que a sua felicidade vem em primeiro lugar.
Que melhor recompensa que a felicidade dos nossos amigos da Fashions International quando eles recebem ordens boas ou um novo cliente ou quando eles recebem a sua parte do rendimento da empresa. Sim não só eles recebem o seu salário mensal e os benéficos sociais, como também recebem uma parte do rendimento da empresa, não lucro…rendimento.
O que é que maior rendimento pessoal iria trazer para mim? Mais vestes do que esta? Mais comida do que o meu estômago pode acomodar? Jóias? Não preciso de nada disso tal como não preciso de parecer rico…
Giuseppe Pillon é o homem do momento em Itália. O treinador do Ascoli, equipa da II divisão de Itália, ordenou que a sua equipa sofresse um golo depois de os seus jogadores terem marcado enquanto um dos adversários do Regina recebia assistência médica. O gesto de Pillon pode ser um exemplo de fair play para muitos desportistas, mas foi muito mal interpretado pelos adeptos do Ascoli, que já exigiram ao clube que abrisse um processo disciplinar ao treinador. O facto de a equipa estar no 19º lugar na série B também não ajuda a paciência dos sócios.
Esta atitude darwinista das sociedades é que vai ser a perdição das mesmas e a barreira eterna à implementação da harmonia social. Os valores éticos e morais são desprezados em nome do materialismo, com consequências ao nível da organização social, que tendencialmente se torna cruel. Se as atitudes moralmente correctas são censuradas e reprimidas, então o que resta?
Parece que é a panaceia que vai resolver os males da Humanidade: avaliar. Uma herança da ideologia capitalista, que preconiza que a avaliação determina uma melhor produtividade e cumprimento das regras. Pela quantidade de fraudes concretizadas por elementos de topo dos grupos económicos, supostos avaliadores daqueles que trabalham para eles, nota-se a eficácia da avaliação… Este instrumento é muitas vezes um método subrepticio de repressão do indivíduo, condicionando-o na sua liberdade e cidadania, com o objectivo de o domesticar e subjugar ao status quo vigente. A avaliação existe exactamente com este intuito, porque a natureza humana é fatalista, e infelizmente, aquilo que devia ter uma função formativa, á aplicada com uma função eminentemente repressiva e penalizadora. A avaliação construtiva é aquela em que o individuo a busca voluntariamente como um ponto de referência à melhoria das suas capacidades e competências, das quais a comunidade onde se insere vai beneficiar. Contudo, a avaliação que tem sido implementada é com o objectivo de castigar em vez de formar…
Vivemos na democracia. Esta é a grande mentira para toda uma geração que foi educada e criada no contexto cultural de um (suposto) regime democrático. Para a geração mais velha, não existe um choque cultural forte, porque já foi educada e criada num contexto de ditadura, pelo que se adaptaram a viver quotidianamente nesse ambiente. Para os outros, é um choque cultural verificarem que a praxis é oposta ao que se diz, pois o regime repressivo continua e recomenda-se. O anonimato, a clandestinidade, o sussurro receoso, ainda se utilizam para manifestar ideias ou opiniões. Quem não as utiliza, sofre com a represália económica ou financeira, com a ameaça velada, e é nesse momento que constata que afinal os métodos que considerava pertencendo à História, ainda subsistem, como se nunca tivessem sido extintos.
o confronto entre as classes sociais produzidas por um capitalismo corrupto...
Montras destruídas, carros incendiados e...
Violência de manifestantes anti-capitalismo em Genebra por DN
Uma manifestação com milhares pessoas, que protestavam contra a Organização Mundial de Comércio, degenerou em distúrbios no centro de Genebra, na Suíça, com a destruição de montras de bancos, comércio de relógios e até cafés. Uma dezena de carros foi incendiada e houve confrontos com as autoridades. A maioria dos manifestantes era pacífica, mas alguns tinham máscaras e estavam armados com bastões de madeira: foram destruindo as janelas das montras por onde passaram, dando preferência a bancos e lojas que comercializam relógios, dois dos principais produtos económicos pelos quais a Suíça é conhecida mundialmente. Também atingiram um hotel, diz o site Romandie News. De acordo com o Le Temps, o cortejo dividiu-se em vários grupos e os mais violentos conseguiram semear o caos, ao mesmo tempo que a polícia anti-motim respondia com gás lacrimogéneo e detenções. Às 15:45 locais (menos uma hora em Lisboa), os protestos concentraram-se na zona baixa da cidade, perto do lago Genebra, e as autoridades continuaram a actuar, desta vez recorrendo também a balas de borracha. Na principal avenida de comércio da cidade, que recebe uma conferência da OMT durante três dias, cerca de uma dezena de carros foi incendiada, diz o Le Temps. Ao manifestantes protestaram essencialmente contra as políticas dos membros da OMT, que, segundo defenderam, destroem a agricultura do Terceiro Mundo (foram levados tractores para o protesto), estimulam a exploração laboral nos países desenvolvidos e aumentam o fosso entre ricos e pobres. As alterações climáticas, que servem de mote à Conferência de Copenhaga, em Dezembro, e o acordo de Bolonha, que alterou o sistema de ensino superior na União Europeia, também foram visados pela manifestação, que juntou pessoas de vários quadrantes, como activistas anti-capitalismo, ecológicas, sindicados e estudantes. O número de manifestantes apontado pela imprensa. O Romandie News fala em 2000 e o Le Temps aponta para cerca de 5000.
Se não ocorrerem mudanças no caminho que se está a percorrer, as gerações mais novas estão sujeitas a dois cenários: não existem pensões de reforma quando chegar a sua idade ou o valor das pensões é reduzido. Em função do rendimento médio da maioria da população portuguesa, não é dificil prever qual vai ser a sua qualidade de vida na 3ª idade... Os sinais já existem e TODOS sem excepção vão envelhecer...
Idosos 40% vão depender do banco alimentar até morrer por RITA CARVALHO
São os casos mais dramáticos, pois envolvem pessoas dependentes e sem recuperação. O fenómeno é urbano, antigo e, muitas vezes, está escondido. Aos 83 anos, Casimiria da Piedade já perdeu a conta aos anos que recebe apoio do Banco Alimentar, pelo cabaz que todos os meses traz da Igreja de São Paulo, em Lisboa. Esta idosa é uma das cem mil pessoas que estarão dependentes da ajuda alimentar até ao final da vida. No total, os 17 bancos contra a fome, que hoje lançam mais uma campanha nos supermercados, ajudam 267 mil pessoas. "Cerca de 40% das pessoas são idosos que, pela sua idade, deficiência ou limitação, nunca terão uma alternativa de vida e dependerão sempre do banco", explicou ao DN Isabel Jonet, responsável nacional do Banco Alimentar. Apesar de estar preocupada com os novos fenómenos de pobreza decorrentes do desemprego, Isabel Jonet diz que os idosos serão sempre os casos mais dramáticos, pois não têm expectativas de ver a sua situação melhorar. Vivem sozinhos, com reformas baixas, e muitos não têm suporte familiar. Como Casimira da Piedade que, sem filhos nem netos, sobrevive dos "25 contos da pensão" e do pouco rendimento que tira do quarto que tem alugado em casa.
Este tópico levou-me à reflexão porque muitas vezes nos convencemos que só determinados pensamentos e sentimentos nos são exclusivos, mas às vezes verificamos que existem outros com a mesma forma de pensar e sentir. Uma das temáticas que me tem atormentado é o tipo de relações humanas que existem; ao fim de umas décadas conclui que as relações são de interesse e utilidade, em que cada humano intimamente se está a borrifar para os outros, exceptuando alguns (poucos) casos. Se cada um fizer o exercício simples de enumerar as pessoas em que confia plenamente e partilha verdadeiramente a sua intimidade, vai ficar surpreso com o número que obtém… A realidade incontornável é que os humanos relacionam-se numa base de interesse e utilidade que o outro tem, mantendo-se indiferentes a tudo o que extrapole essa área. E nem mesmo os laços biológicos são suficientes para quebrar essa realidade, pois muitas vezes também o relacionamento se baseia numa teia de interesses pessoais. Os humanos são intrinsecamente e eternamente solitários, e muito do que pensam e sentem jamais é percepcionado pelos outros, porque nem mesmo a comunicação oral e/ou escrita consegue reproduzir fielmente as emoções/sentimentos/pensamentos que continuamente perpassam no seu âmago.
Citação sic: “Sabe o que eu receio? Sou português, gosto de viver aqui e tenho a expectativa de viver mais 40 anos. Gostava de viver mais 40 anos. E gostava de viver aqui esses últimos 40 anos da minha vida. Mais: gostava de envelhecer com as minhas filhas ao meu lado. E a sensação que eu tenho, é que por este caminho, facilmente os jovens vão perceber que não têm lugar em Portugal. Porquê? Porque hão-de ser sugados nos seus impostos para pagar um activo que vão ver que não vale a pena. Aquilo que pode acontecer a Portugal é o que aconteceu a muitas aldeias portuguesas, onde hoje o mais jovem pode ter 65 anos ou mais. E eu não gostava de morrer assim: só. Gostava de morrer com as minhas filhas.” João Duque, professor no ISEG, debate no programa Plano Inclinado na SIC Noticias, aos 46:53 minutos
Citação sic: “A historieta é muito rápida. Tive uma tia-avó que faleceu em 1980 e ela era salazarista.. E eu ás vezes perguntava-lhe assim com essa desfaçatez que um moço de 14 ou 15 anos tem. E ela dizia: sabes é que, na fase final da I República pagavam a pensão- o marido tinha morrido com uma doença de febre amarela, e tinha direito a uma pensão de que vivia- e pagavam quando havia dinheiro. E depois de Salazar vir para as Finanças, passaram a pagar-lhe a horas. Quer dizer, fez-se um salazarista por causa de falhas de pagamento. Isto é verdadeiro!”
Medina Carreira, advogado, debate no programa Plano Inclinado na SIC Noticias, aos 48.43 minutos
Citação sic: “Um pormenor mais: isto durou mais ou menos uma hora, segundo os seus cálculos [de Medina Carreira] estamos a dever mais €2,5 milhões.”
Em todos os paises, com mais ou menos importância, existem grupos que têm o poder de governar. Normalmente são abstractos, sem cara, para o cidadão comum, mas eles existem e são materiais. Eis as caras que considero que detêm o poder no país:
- Sociedades de advogados, - Forças Armadas, - Forças de Segurança (policias), - Magistratura, - Juizes, - Sistema financeiro (bancos, seguradoras), - Politicos, - Grupos económicos (energia, recursos hidricos, distribuição, agro-alimentar, matérias-primas).
A interacção promíscua entre todas estas entidades é que permite que uma minoria de individuos domine a maioria que para eles trabalha e sustenta.
Nos últimos dias, derivado dos acontecimentos quotidianos, concluí que a Humanidade atravessa uma encruzilhada, na qual não se sabe qual a direcção que vai tomar. Perante a crise económica grave, o espectro de uma pandemia de proporções dantescas, o horizonte sombrio de uma degradação ambiental apocalíptica, e a constatação nacional de um futuro catastrófico, talvez tenha chegado o momento de me preparar para a naturalidade das leis universais. Espero sinceramente que o futuro do país (e do mundo) não descambe numa sul-americanização ou numa balcanização da sociedade, um cenário que nem mesmo Dante conseguiria descrever fielmente…
Muitos consideram esta reflexão pessimista.
Mas se: - a ingovernabilidade resulta da exclusiva defesa dos interesses pessoais e/ou partidários e/ou elitistas de quem está no poder e um maioria absoluta conduz a derivas autoritárias ditatoriais, como se pode ser politicamente optimista? - os dados estatiticos do estado do planeta não mentem com aumento contínuo da população mundial e consequente aumento dos recursos naturais versus poluição, usando matemática de merceeiro, e sabendo que os recursos naturais são finitos, como se pode ser ambientalemnete optimista?
Então afirma-se: é tempo de encontrar soluções. Mas estas já existem há muito tempo e são tão simples que até é ininteligivel como não são aplicadas: honestidade, solidariedade, caridade, humildade, compaixão, sobriedade, assertividade, simplicidade, fraternidade, respeito, coerência, empatia... Talvez a condição humana seja uma couraça demasiado forte para permitir que as soluções sejam implementadas...
Na minha deambulação metafísica, por vezes surge a falta de esperança, o cepticismo, sobre a possibilidade de qualquer mudança na Humanidade. O culto individualista e egocêntrico na espécie humana é visceral, límbico, de modo que parece que jamais será eliminado. Assim, a injustiça, a opressão, a repressão, a ausência de liberdade, serão comportamentos que persistirão no tempo. Contudo, numa manhã de domingo fresca do mês de Agosto, nessa deambulação, liguei a TV na RTP1 e estava a transmitir uma homilia proferida na Igreja de Santa Beatriz da Silva, em Marvila, Lisboa, por um sacerdote que era apresentador de programas na televisão (do qual não me recordo o nome). O que me despertou a atenção foi o discurso invulgar no seio da hierarquia da Igreja Católica, que infelizmente tem sido muito pouco interventiva com a sua doutrina social. O sacerdote mostrava a sua indignação pela passividade dos cristãos perante a injustiça e a falta de liberdade e apontava vários interlocutores que contribuíam para essa passividade, entre os quais a comunicação social. Em relação a esta afirmava que o seu contributo passava pela “programação que alheava e anestesiava os espectadores, com o objectivo de vender muito” ou “pelos que mandam, que controlando esses meios os impedem de mostrar o mundo real”. Mostrou indignação pela indiferença perante “a mentira, a aldrabice” que inunda a vida quotidiana dos cidadãos e alertou que a comunhão eucarística era um contrato assinado que obrigava o cristão a aplicar no seu quotidiano a luta pelos valores humanos. Este discurso aplica-se não só aos cristãos mas a todos os cidadãos que professem ou não uma fé religiosa; é mais fácil e menos sofredor ignorar a injustiça desde que ela não esteja no nosso lar. Não ignorar implica agir e aqui o medo é um poderoso dissuasor porque o receio egocêntrico de perder o seu bem-estar sobrepõe-se à luta pela justiça do bem-estar de todos. O problema é que sendo o Homem um ser social tem de viver em comunidade; se parte dessa comunidade vive sob o sofrimento da injustiça social afectará inevitavelmente a outra parte, e toda a comunidade será atingida. Milhões de seres humanos persistem em viver nesta ignorância, pensando ilusoriamente por influência de doutrinas filosóficas egocêntricas, que cada um por si será suficiente para se viver harmoniosamente. Quando observamos o que se passa por esse mundo fora, confrontamo-nos com essa ilusão... Estou convicto que só as atrocidades da guerra e/ou a violência social é que despertam do marasmo os humanos com poder para promover alterações; ironicamente, é o sofrimento induzido por comportamentos anti-sociais que promovem a mudança...
Vós podeis chamar-me louco, Democrata, socialista, E comunista também, Que eu sou de tudo isso um pouco, Pois sou uma coisa mista Do bom que isso tudo tem.
Confúcio
Uma vez, quando desempenhava funções públicas, Confúcio mandou enforcar um aristocrata considerado perigoso para o Estado. E justificou a sua decisão:
- pior do que furto e roubo é a atitude de insubordinação associada à astúcia
- um carácter mentiroso associado à tagarelice
- uma memória do escandaloso associada a conhecimentos por toda a parte
- e o consentimento da injustiça associada à sua dissimulação.
Rómulo de Carvalho (António Gedeão)
O mundo é repugnante e a vida não tem sentido. É uma luta permanente e feroz em que cada um busca a satisfação dos seus interesses.
"(...) não há autoridade, cada um trata apenas de fazer fortuna, tudo se faz por dinheiro, o mais esperto é aquele que melhor sabe roubar". Relatório de um espião francês no séc. XVIII sobre Portugal
Habilitações
Sou licenciado em liberdade e doutorado em raiva. Agostinho da Silva
Sabedoria
Um velho índio certa vez afirmou: "Dentro de mim existem dois cachorros: um deles é cruel e mau, o outro, muito bom. Os dois estão sempre lutando!" Quando lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a luta, o sábio índio parou, reflectiu e respondeu: "Aquele que eu alimento!"
Após séculos, nada mudou...
"É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma" Lampedusa
Quando o povo teme o governo, existe tirania; quando o governo teme o povo, existe liberdade. Thomas Jefferson
A diferença insustentável
"Há uma Justiça para ricos e outra para pobres, uma Justiça para famosos e outra para anónimos, como há Saúde e Educação diferentes para ricos e pobres. Cumprir Abril é uma questão de justiça. Já não podemos esperar mais 35 anos". Paulo Baldaia, "Jornal de Notícias", 25-04-2009
Politica
A politica é a arte de tirar dinheiro aos ricos e votos aos pobres, com o pretexto de os proteger uns dos outros.
O verdadeiro Natal
Recordar
O capitalismo acabará por se autodestruir por força do excesso de avidez. Karl Marx