17/01/10
Requalificação interesseira
Ironicamente, criam-se melhores condições físicas na educação, que teoricamente possibilitam melhor formação dos jovens, mas que o país corre o risco de os ver emigrar porque não lhes oferece oportunidades profissionais. Gastam-se milhões de euros para eles irem produzir riqueza nos outros países...
Para quê?
A terra é um planeta maravilhoso mas após atingir metade da esperança média de vida, confesso que tenho pensado muitas vezes que preferia não ter nascido como humano. A espécie Homo sapiens é simplesmente detestável, exceptuando alguns indivíduos que mostram a parte bela da natureza humana. Contudo são cada vez mais uma minoria, o que significa pouca motivação para conviver entre humanos. Cada vez mais as relações interpessoais são de interesse e conveniência, baseadas na hipocrisia, cinismo, e atingindo os membros consanguíneos. Acrescentando a tudo isto a paradoxal inevitabilidade da morte, o sentido da vida é imperscrutável…
Resistir ferozmente
Quando um país passa por dificuldades económicas provocadas por motivos involuntários (catástrofes naturais, por exemplo), os cidadãos sentem-se naturalmente motivados para voluntariamente se sacrificarem pessoalmente. Contudo, quando essas dificuldades são resultado da corrupção, peculato e fraude das elites dirigentes, os cidadãos têm o direito moral de recusar qualquer sacrifício pessoal e exigir que os causadores resolvam a situação. Por isso, quando se gasta €5000 diários do orçamento de estado para manutenção do estádio do Algarve (acrescentando os custos com o pessoal dirigente e trabalhador), um equipamento completamente fútil e inútil, que só serviu como pretexto para enriquecer os tais assaltantes do erário público, não aceito que me peçam mais sacrifícios, que congelem o salário e a progressão na carreira.
Na prática, somos os escravos trabalhadores que geram a riqueza para os assaltantes que estão no poder viverem faustosamente.
16/01/10
(Sobre)Viver num país em falência
É bastante plausível que muitos considerem esta opinião cínica, mas analisando dentro do contexto realista talvez seja prematuro essa classificação.
Existe uma intensa cobertura mediática sobre o sismo no Haiti, com um dramatismo bastante melodramático. O ano passado ocorreu um sismo semelhante em Itália, com a destruição de 70% da cidade, milhares de mortes e o dramatismo foi mais realista.
Contudo, num território que de país só tem o nome, onde uma população vivia há anos em permanente estado de violência, pobreza, fome, miséria, sem serviços básicos (água, esgotos, electricidade), com um Estado em falência total, talvez a morte tenha sido libertadora para muitos. Num território neste estado, os sobreviventes terão motivos de regozijo e alegria? Perante a perspectiva catastrófica de um país arruinado que ainda ficou mais arruinado, as condições de vida nos próximos anos serão dramáticas e horríveis. Neste contexto, quem morreu no sismo foi uma bênção, foi uma libertação, porque deixaram todo o sofrimento que já tinham e o que supostamente ainda continuariam a ter. Um personagem de um filme de terror afirmava que “existem muitas coisas bem piores do que a morte”; viver no Haiti é uma dessas coisas.
12/01/10
Vamos continuar nisto até à guerra total?
A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?
10.01.2010 - 08:03 Por Ana Cristina Pereira, com Romana Borja-Santos (PÙBLICO)
Geração perdida. A expressão, amarga, integral, acaba de ser usada no Reino Unido para encaixar quem tem agora entre 16 e 25 anos. Em Portugal há indicadores.
Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos - que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8). O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): "Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros." Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: "Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa". Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões - 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos - mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados - mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, "as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho", avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center. Havia, aponta Elísio Estanque, da Faculdade de Economia da UC, "uma empregabilidade relacionada com a aprendizagem". Os alunos tentavam seguir o gosto, a vocação. O ensino "democratizou-se, mercantilizou-se". A garantia esfumou-se. A crise agudizou o fosso. Agora, "a grande preocupação é se o curso tem ou não saída. Perversamente, têm mais dificuldades em obter melhores resultados".
As elites planeiam refugiar-se atrás das forças das armas compradas com a sua riqueza (alugando as forças armadas e as forças de segurança), e por isso não vão ser elas que irão implementar as decisões para impedir o descalabro. Implementou-se a ideia de viver um dia de cada vez, como forma de escape à fealdade do quotidiano; como diz no artigo, uma ideia perigosa porque conduz à falta de projectos e ao devaneio.
Só quando as ruas estiverem a ferro e fogo (como aconteceu em França) é que finalmente se questionam sobre o que se passa e o que causou. Nesse momento será tarde, porque a violência será imparável e dará azo a regimes policiais, mafiosos ou cleptocráticos.
O humano não aprende com a história, e os mesmos sintomas que levaram à barbárie de duas guerras mundiais estão estupidamente a ser ignorados.
A falsidade da avaliação
Esta coisa de dizerem que nas empresas avaliam, é a maior treta contada; exceptuando as grandes empresas devidamente organizadas, a avaliação que é aplicada no mundo empresarial é a olhómetro e feita por chefias intermédias sem qualquer formação. Uma avaliação que se baseia nas caras, na bajulação, na subserviência, etc., tudo menos no mérito. A avaliação não vai mudar nada, excepto o nível das despesas salariais, que diminui (e fundamentalmente, é o objectivo único da avaliação); aliás, a avaliação conflituosa só vai piorar em muitas circunstâncias a produtividade porque os indivíduos em vez de cooperarem vão competir destrutivamente entre si, prejudicando o cliente/utente. O cirurgião X que podia ajudar o Y já não o fará, porque tem de mostrar que é o melhor, e quem vai perder é o paciente, que podia ter um melhor tratamento.
É ignóbil estar a trabalhar num ambiente onde há desconfiança, hipocrisia, aparência.
Portanto, esta organização social, baseada num modelo económico que estimula a competição e concorrência eminentemente destrutiva (porque o objectivo é eliminar o outro), só cria uma sociedade baseada no conflito, desconfiança e violência.
É nojento
Esta falta de solidariedade geracional é abjecta.
A sociedade portuguesa têm resmas destes indivíduos.
Ajuste de contas
As escolas têm resmas destes indivíduos.
10/01/10
09/01/10
A tristeza da história repetitiva
...e ainda continuamos na mesma lengalenga do défice, impostos, etc., e respectivos governantes a encapotarem as aneiradas que fazem...
Principio proporcional da responsabilidade
A pressão do sucesso
O peso insuportável de 2 milhões de libras. Stuart Donnelly morreu
por Marta Cerqueira, Publicado em 08 de Janeiro de 2010
A polícia britânica está a investigar a morte de Stuart Donnelly, de 29 anos, conhecido por ser a pessoa mais jovem a ganhar a lotaria, na altura com 17 anos.
Donnelly foi encontrado morto em sua casa,
Em Novembro de 1997, ganhou quase 2 milhões de libras e foi uma das 13 pessoas a dividir o prémio de 25 milhões. Donnelly ganhou popularidade na Escócia por ter comemorado brindando com Coca-Cola, visto ser novo de mais para beber álcool.
Antes de ganhar o prémio, Donnelly trabalhava numa farmácia. Com o dinheiro do prémio comprou uma casa para os seus pais, uma para si e um lugar cativo no estádio do Celtic. O jovem doou 15 mil libras para um hospital de Glasgow, onde o seu irmão era tratado devido a uma doença genética.
Em 2003, Donnelly deu uma entrevista onde contou os problemas que passou depois de ter ganho o prémio. “É muito difícil lidar com toda a atenção que recebi. As pessoas ficavam em frente à minha casa, exigindo muito de mim e da minha família”, explicou.
Porque não acontece o mesmo comportamento das pessoas com todos os outros que são ricos?
Talvez porque nestes casos a inveja subconsciente das pessoas não aceite que um seu conterrâneo, de origem modesta como a sua, possa subir na escala social enquanto elas não podem. Enquanto os outros já os conheceram ricos ou atingiram esse estatuto através de variados meios, neste caso conheceram a pessoa modesta a passar rapidamente para um patamar superior, e por isso, consideram obrigação moral do premiado em também os ajudar a atingir o degrau acima.
08/01/10
Onde estão os motivos para ser optimista? II
Mas eu sou assim tão diferente para ainda não ter percebido quais as grandes diferenças em relação ao ECD actual?
Ficou tudo na mesma ou pior, só que com outra roupa. Vejamos:
- Piorou na questão da contingentação das vagas para progressão na carreira. No actual ECD só existe um momento dependente de vagas; com o acordo, passa a haver dois momentos.
- “Acabaram as categorias”. O relator é outro nome para titular. O problema ainda continua: a legitimidade de alguém que não se distingue funcionalmente do outro, mas que lhe é conferido o poder arbitrário e discricionário por via administrativa de decidir sobre a vida de vários colegas. O problema nunca esteve no título mas na legitimidade: a que propósito é que tenho de reconhecer alguém como superior quando somos ambos genericamente competentes?
- Quem vão ser os relatores? Genericamente, os actuais titulares. Contudo, é aberta a porta a professores praticamente com a mesma experiência profissional que os seus avaliados. Portanto, continuamos com o mesmo problema da legitimidade que despoletou este longo processo de luta.
- Quem avalia o relator? Também tem aulas observadas para progredir na carreira?
- A questão é atingir o topo da carreira ou quando se atinge o topo da carreira? Que interessa atingir o topo um ano antes de obter a pensão de reforma? A quantidade de tempo em cada escalão condiciona o valor da pensão de reforma.
O ME não cedeu nas questões fundamentais e essenciais, e portanto, toda a luta nos últimos anos foi inglória, bem como não justificou o clima de guerra civil que se instalou em muitas escolas.
Onde estão os motivos para ser optimista?
- Até 2005 estava no 6º escalão numa carreira com 10 escalões. Em 2010 estou no 3º escalão numa carreira com 10 escalões!...
- Até 2005, já estava a mais do meio da carreira. Em 2010 sou colocado no início da carreira.
- Até 2005, tinha expectativa de atingir o topo da carreira em 14 anos. Em 2010, tenho a hipótese de não atingir o topo da carreira, e se conseguir, demoro 22 anos.
- Até 2005, dependia do meu desempenho profissional para progredir na carreira. Em 2010, dependo de vagas para progredir na carreira.
- Até 2005, poderia obter classificações superiores a Satisfaz, apenas dependendo do desempenho manifestado. Em 2010, dependo de vagas para classificações elevadas, independentemente de ter tido o desempenho para as merecer.
- Até 2005, tinha um contrato de nomeação definitiva (vulgo efectivo). Em 2010, perdi a vinculação com um contrato individual de trabalho por tempo indeterminado.
- Até 2005, tinha a garantia de ser sujeito a processo de exoneração apenas em casos devidamente fundamentados e comprovados. Em 2010, dependo dos humores de um(a) director(a) que usa uma grelha com itens pontuados de 1 a 10, da qual tenho de ter classificação igual ou superior a 6,5; caso não consiga, abre-se processo de exclusão da profissão.
- Até 2005, tinha expectativa de possuir uma pensão de reforma com pelo menos 80% da remuneração. Em 2010, é uma incógnita se vou ter direito a uma pensão de reforma ou se a tiver, com não mais do que 60% da remuneração.
- Até 2005, tinha expectativa de solicitar a pensão de reforma até aos 65 anos. Em 2010, a expectativa é não possuir pensão de reforma ou só poder solicitá-la após os 68 anos.
- Até 2005, tinha a garantia jurídica de não ser perseguido ou sofrer represálias pelo que pensava ou opinava. Em 2010, o silêncio é de ouro.
- Até 2005, tinha 13 horas de trabalho individual. Em 2010, tenho 9 horas, excluindo as que são utilizadas em reuniões pós-laborais.
- Até 2005, recebia pelas horas extraordinárias que executava. Em 2010, não me pagam horas extraordinárias, trabalhando mais horas semanais quando faço substituições de colegas.
- Desde 1998 até 2008, não tive aumento real salarial, tendo inclusive estado congelado de 2005 a 2007, e perdendo vários anos de serviço.
Deste modo, alguém consegue explicar-me porque devo ficar satisfeito com um acordo obtido entre sindicatos e ME, que não soluciona nenhum dos factos mencionados em epígrafe?...
Até quando?
Mas quando é que, veementemente, os cidadãos do mundo vão exigir a quem detém o poder que mude este capitalismo perverso? Quando é que teremos empresários com consciência e responsabilidade social e ambiental?
Preferiram destruir a roupa e enviá-la para o lixo do que fazer um donativo a instituições de solidariedade social ou a necessitados!...
Como diz o jornalista, com 1/3 da população nova-iorquina pobre (mais ou menos 3 milhões de pessoas), é imoral esta atitude dos grandes grupos económicos.
Como diz Fernando Nobre, presidente da AMI, a continuar assim caminhamos para o Apocalipse…
Jornal New York Times
January 6, 2010
About
A Clothing Clearance Where More Than Just the Prices Have Been Slashed
By JIM DWYER
In the bitter cold on Monday night, a man and woman picked apart a pyramid of clear trash bags, the discards of the HM clothing store that reigns in blazing plate-glass glory on
At the back entrance on
He worked quickly, never uttering a word. A bag was opened and eyed, and if it held something of promise, was tossed at the feet of the woman. She said her name was Pepa.
Were the clothes usually cut up before they were thrown out?
“A veces,” she said in Spanish. Sometimes.
She packed up a few items that had escaped the blade — a bright green T-shirt that said “Summer of Surf,” and a dark-blue hoodie in size 12, with a Divided label. The rest was returned to the pyramid.
It is winter. A third of the city is poor. And unworn clothing is being destroyed nightly.
A few doors down on
They were found by Cynthia Magnus, who attends classes at the
A Wal-Mart spokeswoman, Melissa Hill, said the company normally donates all its unworn goods to charities, and would have to investigate why the items found on
During her walks down
“Gloves with the fingers cut off,” Ms. Magnus said, reciting the inventory of ruined items. “Warm socks. Cute patent leather Mary Jane school shoes, maybe for fourth graders, with the instep cut up with a scissor. Men’s jackets, slashed across the body and the arms. The puffy fiber fill was coming out in big white cotton balls.” The jackets were tagged $59, $79 and $129.
This week, a manager in the H & M store on
Directly around the corner from H & M is a big collection point for New York Cares, which conducts an annual coat drive.
“We’d be glad to take unworn coats, and companies often send them to us,” said Colleen Farrell, a spokeswoman for New York Cares.
More than coats were tossed out. “The H & M thing was just ridiculous, not only clothing, but bags and bags of sturdy plastic hangers,” Ms. Magnus said. “I took a dozen of them. A girl can never have enough hangers.”
H & M, which is based in
“How about all the solid waste generated by throwing away usable garments and plastic hangers?” Ms. Magnus asked in a letter to the executive, Ingrid Schullstrom. She volunteered to help H & M connect with a charity or agency in
On Monday night, Pepa’s shopping bag held a few items. She pointed to her gray sweatpants. “From here,” she said.
How about coats? “Maybe tomorrow,” she said.
http://www.nytimes.com/2010/01/06/nyregion/06about.html?partner=rss&emc=rss
04/01/10
Pensamento
03/01/10
Uma denúncia universal
02/01/10
O dilema da gnose
Uma mãe com a escolaridade obrigatória perguntou-me a opinião sobre se deveria vacinar contra a gripe A o seu bébé. Aqui está um exemplo concreto daquilo que todos nós vamos encontrar ao longo da vida: situações em que temos de decidir. Uma boa decisão é aquela que é fundamentada em informação sólida e veridica; esta mãe tinha dificuldade em decidir porque não possuía essa informação. Portanto, só lhe restam 2 alternativas: acreditar no que outros lhe dizem ou decidir individualmente de forma consciente e informada. No caso concreto, para uma decisão fundamentada tem de possuir conhecimentos de Medicina, Biologia, Quimica, para que possa ponderar sobre as vantagens e desvantagens de tomar ou não a vacina. E como se obtêm esses conhecimentos? Na escola, através daqueles conteúdos que provavelmente no momento em que foram estudados pareciam que não serviam para nada...
Também a posse de informação permite que o individuo não seja manipulado e enganado por quem detenha o poder; muitas vezes são implementadas decisões gravosas para os direitos humanos e sociais dos individuos, que estes não se apercebem porque não compreendem tecnicamente as consequências das decisões. Um exemplo concreto é a fórmula de cálculo da pensão de reforma; quantos cidadãos a conhecem e compreendem? São necessários conhecimentos matemáticos de nível secundário para se compreender a resolução da fórmula. Os cidadãos que não possuem esses conhecimentos limitam-se a aceitar o que os decisores lhes dizem e só tardiamente irão compreender os efeitos que sofrerão individualmente.
Mas, como é apanágio do Universo, tudo tem um reverso: possuir conhecimento tem o seu lado negativo. É uma paradoxo filosófico que é mencionado há milénios: o conhecimento tanto tem de marvilhoso e belo, sendo a chave que abre as portas da percepção, como tem de angustiante e sofredor. No séc. III A.C. determinados autores escreviam:
- (...) Decidi então conhecer a sabedoria e a ciência, assim como a tolice e a loucura. E compreendi que (...) onde há muita sabedoria há também muita tristeza, e onde há mais conhecimento, há também mais sofrimento. Ecclesiastes 1, 17-18
- A sabedoria dos homens alegra-lhe o rosto e abranda-lhe a dureza da face. Ecclesiastes 8, 1
Este dilema filosófico parece que lança mais confusão, mas no íntimo o que implica é que cada um tem de escolher na bifurcação da gnose o caminho que vai trilhar, sabendo que desemboca em destinos e consequências diferentes, comportando sempre as duas faces antagónicas do Universo...
01/01/10
O embrulho da sofisticação
Após décadas a viver neste planeta, constato que a vida do humano moderno não é diferente do seu antepassado hominídeo no seu objectivo principal: obter os recursos para (sobre)viver.
Enquanto no passado a vida quotidiana se baseava na busca do alimento e água, agora baseia-se na busca do dinheiro que dá acesso ao alimento e água. Se analisarmos o quotidiano de cada um, é exactamente esse objectivo principal que tem de ser sempre cumprido; uma diferença, é que o sedentarismo em grandes metrópoles permitiu que grupos de humanos tenham tempo para se dedicar ao ócio, só possível, porque têm outros grupos de humanos a assegurar as suas necessidades básicas.
A parafernália científica e tecnológica criou uma ilusão de que fazemos algo mais do que simplesmente obter os recursos básicos; mas se analisarmos introspectivamente o nosso quotidiano veremos que é esmagadoramente dedicado ao trabalho, ou seja, à obtenção do recurso financeiro que permite obter os recursos básicos…
Os nossos antepassados dedicavam a manterem-se vivos o tempo suficiente até se reproduzirem, e actualmente, para muitos milhões de humanos, isso não será diferente…
Numa espécie com o intelecto mais desenvolvido, o sentido da vida torna-se angustiante quando se escamoteia o quotidiano…