08/05/09

Comparação histórica

Ao longo da história de Portugal existiram vários regimes que podem ser classificados de ditatoriais. O último foi no período denominado Estado Novo que terminou em 1974. Além da característica repressiva destes regimes, também existe outra que se vulgarizou: os ditadores acumulam fortunas pessoais. Portanto, o tipo de regime serve para enriquecimento pessoal e praticamente em todas as ditaduras ocorreu este fenómeno. Contudo, em Portugal, os homens de topo do regime ditatorial, nomeadamente Salazar e Marcelo Caetano, não enriqueceram, tendo até deixado património relativamente modesto. Neste aspecto Portugal foi excepção à regra.
Todavia, se compararmos com os políticos actuais, não existe nenhum que não possua um património invejável, o que obviamente é motivo de reflexão...

07/05/09

A deterioração sócio-laboral

“Se pudesse, se me deixassem, já estava em casa há muito tempo”. Esta é a afirmação que ouço com mais frequência da boca de quem trabalha. As pessoas referem-se a pedir a aposentação; este sentimento é revelador da degradação social e das relações laborais a que se chegou. As pessoas não gostam do trabalho que exercem e só se mantêm porque precisam do dinheiro para viver. Houve tempos em que várias pessoas se mantinham em funções muito para além da idade da aposentação; isto significava que tinham prazer no trabalho que exerciam, que se sentiam bem, acarinhadas, reconhecidas. Quando as pessoas são maltratadas, exploradas, vivem num mau ambiente laboral, o sofrimento é atroz e leva ao desabafo de preferirem se aposentar.

Como não existe uma tradição de luta laboral em Portugal, o estado da situação perdura pelas gerações. No sector privado são pontuais as situações de greve ou protestos, devido à fragilidade que o Código do Trabalho provoca nos trabalhadores. O sector público era o barómetro da manutenção dos direitos sociais, mas a inveja e manipulação das massas trabalhadoras do sector privado, permitiu ao poder também fragilizar os trabalhadores da Administração Pública.

Em alguns sectores específicos (por exemplo, aviação, saúde) ainda se encetam formas de luta mais duras, com vários dias consecutivos de greve. Mas isto só é possível porque os salários que esses trabalhadores auferem torna possível essa forma de luta, não pondo em causa a sua sobrevivência diária.

E deste modo, as gerações mais novas das famílias menos abastadas e portanto com menos capacidade de tráfico de influências para adquirirem um emprego respeitável nos seus direitos, quando entrarem no mundo do trabalho, vão se sujeitar a condições de índole esclavagista, deteriorando o tecido social.

Como dizia Otelo Saraiva de Carvalho em 1984, a passividade e amorfismo das massas trabalhadoras no país do desenrasca, são factores limitativos mas acumuladores de tensão. Historicamente, essa tensão quando se libertava foi sempre de forma destrutiva, conduzindo a revoltas sociais sangrentas e destruidoras do tecido económico. É esta forma de equilíbrio social que deveria preocupar seriamente os dirigentes do país, dadas as consequências que pode acarretar para a nação...

06/05/09

O alheamento cinico dos politicos

Financiamento dos partidos
“Festa do Avante é argumento da carochinha” diz Cravinho

João Cravinho em entrevista à Rádio Renascença criticou a nova lei de financiamento dos partidos políticos e apelou à intervenção do Presidente da República por estar em causa “um atentado ao bom funcionamento das instituições democráticas”.
No espaço de opinião “Edição da Noite” da Renascença o ex-deputado socialista manifestou-se indignado com a nova lei, aprovada na semana passada no Parlamento, classificando-a como “uma pouca-vergonha” e “uma porta aberta à corrupção”.
Para Cravinho não há justificação para esta alteração. E a argumentação de que foi feita por causa da Festa do Avante é um “argumento da carochinha”.
O socialista critica também os deputados por não terem aproveitado a oportunidade para regulamentar o financiamento das campanhas internas para as lideranças partidárias, classificando essa atitude como “autismo completo” .
Por tudo isto, João Cravinho apela à intervenção de Cavaco Silva porque segundo diz a “lei é um atentado ao bom funcionamento das instituições democráticas”.
A corrupção grassa com o beneplácito dos politicos, quiçá por serem parte interessada...

04/05/09

Sintomas de subdesenvolvimento

O Estado português vai pagar uma indemnização de 8500 euros a um cidadão de Baltar, em Paredes, devido a atrasos na Justiça. Alberto Rui Silva recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem depois de estar há 14 anos à espera de uma decisão judicial.

O que se pensava do povo português há 25 anos...

Análise situação politica (Abril 1984)

Luta não generalizada- Doc. Nº5 e critica a fazer-lhe: derrotismo e recusa intv armada- lutas econimicistas- e não politicas.
O saldo qualitativo em frente em termos pedagógicos. Tomada do Poder!
Será que estamos ainda longe dessa fase?
Vamos então definir etapas tácticas.
N/ capacidade e n/meios humanos e materiais.
Táctica- militarização? É o que, fundamentalmente nos distingue do PC.
Atenção à passividade e amorfismo das massas populares e trabalhadoras, no país do desenrasca.


Anotações dos cadernos de Otelo Saraiva de Carvalho sobre o Projecto Global (Directório Politico-Militar das FP-25)

Percepções justificadas

Num debate na SIC, António Costa manifestava-se farto dos políticos serem considerados ladrões (no contexto de justificar os vários processos judiciais abertos pelo PM contra vários jornalistas). Esta indignação até teria a sua justificação mas:
- quando os políticos, através da sua passividade, conivência ou negligência, não combatem a corrupção
- quando aprovam leis que diminuem os direitos sociais e a qualidade de vida dos cidadãos
- quando nenhum vive em dificuldades económicas, apresentando patrimónios financeiros e imobiliários inalcançáveis para o cidadão comum
- quando mentem descaradamente e despudoradamente para atingirem lugares de poder
- quando traficam influências para fins pessoais
- quando nada disto é atenuado ou denunciado e até hoje condenado

é difícil não ter essa percepção dos políticos…

Os privilégios ainda andam por aí...

Ser promovido sem estar a trabalhar é um privilégio de uma elite. Em Portugal os militares são essa elite, pois podem ser promovidos em situação de aposentados. Obviamente que implica um aumento da pensão de reforma, pois passam a receber de acordo com o novo posto hierárquico. Os critérios de promoção são meramente políticos, o que dá azo à arbitrariedade e amiguismo. O dia 25 de Abril de cada ano é a época em que o prémio é distribuído aos felizes contemplados.
É escusado dizer que isto acontece nesta classe porque é a que mantém a soberania do país, o que é o mesmo que dizer, os que verdadeiramente possuem o poder…

Justiça económica

Existe uma justiça para ricos e outra para pobres. Esta é a conclusão que qualquer cidadão já retirou há muito tempo, e que é reforçada pela última alteração à tabela das custas judiciais. Também em tempos o presidente do sindicato dos juízes já o tinha afirmado peremptoriamente quando foi publicada a última alteração ao código penal. O custo financeiro para recorrer aos tribunais é de tal modo elevado que não é qualquer um que possui rendimentos que o suportem. Analisando estatisticamente os casos de condenação em tribunal, a esmagadora maioria ocorreu com o patrocínio de advogados oficiosos; os que recorreram a advogados contratados têm melhor probabilidade de defesa. A explicação é simples: a defesa implica accionar diligências que têm um custo; o advogado oficioso não as acciona porque o seu cliente não pode pagá-las, e deste modo, muitas vezes não são refutados os meios de prova apresentados. O cidadão é condenado por deficiência na defesa.
Os casos da menina inglesa desaparecida e o seu homónimo português ocorrido em Portimão um ano antes, são paradigmáticos: a mãe portuguesa foi condenada sem nunca ter sido encontrado o corpo ou sequer se saber o que aconteceu e o casal inglês continua a ter acesso aos meios de comunicação social de topo. Num caso utilizou-se os meios de investigação normais e no outro envolveu-se os níveis de hierarquia superiores, gastando-se um milhão de euros na investigação…
O que é mais odioso é o desplante da classe politica continuar a negar esta evidência…

02/05/09

A raiva

No imediato, vai existir um aproveitamento demagógico do incidente, recorrendo à vitimização. Em principio, toda a violência é condenável; contudo, existem circunstâncias especiais em que é o único recurso disponível para repor a justiça.
Não existe só a corrupção financeira; também existe a corrupção moral. E Vital Moreira é moralmente corrupto. Um indivíduo que no passado foi um destacado militante do PCP, é hoje um feroz defensor do capitalismo neoliberal personalizado pelo governo socialista. Esta inversão ideológica só é justificada para satisfazer ambições pessoais. Ou como diz o povo, para tratar da vidinha. Um individuo que durante anos não teve qualquer intervenção politica, e que recentemente apenas ganhou uma coluna no jornal PÚBLICO, que usou como plataforma de propaganda do governo socialista, recebendo o prémio de um lugar no Parlamento Europeu por esse trabalho. Esta atitude provoca raiva e enoja qualquer pessoa moralmente íntegra, produzindo nos mais fracos comportamentos de extravasamento violento.
Existe um rol de personagens no nosso país que fizeram o mesmo percurso moralmente corrupto, vendendo-se por 30 dinheiros: Zita Seabra, Pina Moura, Durão Barroso, Augusto Santos Silva, etc., etc..
O cidadão assiste frustrado a esta degradação ética e moral da sociedade em que vive, e vê-se na contingência de optar por duas situações: envereda pelo mesmo caminho de comportamentos individualistas ou uma das reacções à frustração é a violência…

O 1º de Maio deve acabar ou se reforçar?

A «precariedade subjectiva» está associada ao assédio moral, afecta pessoas com qualificações superiores e sem qualificações, e «é sentida por determinados trabalhadores, que têm uma situação laboral estável, mas sofrem uma pressão permanente» para concretizar os objectivos das instituições e das empresas, objectivos esses que muitas vezes estão «para além do que conseguem ou têm condições para fazer». O acréscimo da mobilidade, com deslocações frequentes dentro e fora do país, e o trabalho extra não remunerado são alguns exemplos desta intensificação.
(…) após um «período de expansão económica sem precedentes - os 30 anos dourados de crescimento e pleno emprego», com o surgimento de uma nova ordem económica e social «está tudo em jogo outra vez».
Luísa Veloso, investigadora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

O governo no Portugal 2009

Uma 'aberração' na politica

Num país onde as queixas de fraude eleitoral são comuns - e normalmente ignoradas - a atitude de Anton Chumachenko não passa despercebida. As autoridades dizem que ele ganhou umas eleições, mas ele insiste que perdeu. Candidato pela primeira vez e membro do partido no poder, Rússia Unida, de Vladimir Putin, Chumachenko foi eleito para um concelho local legislativo em São Petersburgo no mês passado. Três semanas depois, renunciou publicamente à sua própria vitória, expressando indignação por os votos terem sido falsificados a seu favor. "Não preciso deste tipo de vitória!", escreveu o recém-licenciado numa carta aberta aos eleitores. "Não quero começar a minha carreira política com um desrespeito cínico pelos direitos, pelas leis e pela moralidade."A atitude de Chumachenko apanhou as autoridades de surpresa e causou uma indignação generalizada, desafiando o corrupto sistema eleitoral de uma forma que nenhum membro da oposição teria conseguido fazer. Mas também deixou de boca aberta os críticos do Governo, muitos dos quais ficaram incrédulos por um jovem político que cresceu na Rússia de Putin estar a escolher o idealismo em vez do cinismo que domina actualmente o mundo político deste país.
Em contrapartida, o acréscimo de filiados concentrou-se praticamente na administração pública, na Saúde e na Educação. Esta tendência não surpreende Elísio Estanque, professor de Sociologia do Trabalho na Universidade de Coimbra. "Os sindicatos crescem nos sectores mais estáveis [ligados ao Estado] e no sector dos serviços", diz. Este especialista chama a atenção para o facto de ser a classe média "que mais tem aguentado o sindicalismo", até porque "o operariado está em declínio". As últimas grandes manifestações dos professores mostram que é naquela franja da sociedade, "a que mais tem vindo a perder com as mudanças na administração pública", que reside o "último bastião do sindicalismo em Portugal", advoga.
Para este responsável, "a imagem dos sindicatos juntos dos trabalhadores está muito degradada" e a tendência é para "que surjam novas redes, novos movimentos de defesa dos trabalhadores". Até porque os patrões portugueses "dão cada vez menos importância à diversidade interna" e à existência de organizações representativas dos trabalhadores, "fundamentais para a regulação do conflito interno". Esta tendência, "muito influenciada pela globalização", leva os trabalhadores a "auto-reprimirem-se, com medo de entrarem na lista negra e serem descartados", diz Elísio Estanque. Mas, à medida que a pressão for aumentando, aumenta também a "vontade de explodir", e é provável "que venhamos a assistir a algumas explosões sociais", vaticina.

Sintoma de uma sociedade afectivamente doente

Este episódio revela a doença crónica afectiva de que padece a sociedade humana; o desprezo prestado a muitos seres huamanos, a indiferença entre uns e outros, a competição destrutiva pela posse num lugar cimeiro no colectivo, leva ao abandono e indiferença afectiva, que resulta nestas atitudes (aparentemente) incomprensiveis:



29/04/09

A realidade nua e crua

Sobre um presidente de câmara municipal pendiam suspeitas de peculato; os indícios eram fortes mas daí a obter-se meios de prova vai uma distância grande. Foi absolvido em tribunal e já anunciou que não se recandidata. No quotidiano, os cidadãos comentam indignados a falta de honestidade e outros impropérios, mas a realidade nua e crua é que isso não afecta pessoalmente o autarca, porque tendo cumprido 3 mandatos, já garantiu uma pensão de reforma que lhe permite viver desafogadamente, enquanto que para o cidadão comum pende a espada de Dâmocles das dificuldades.

Seja primeiro-ministro, ministro, autarca, ou qualquer outro cargo superior da Administração Pública, com duvidoso carácter moral e ético, no regime actual, individualmente não sofre qualquer consequência: todos eles garantem o bem-estar material até ao fim dos seus dias. Que consequências sofre o PM sabendo que obteve uma licenciatura por tráfico de influências, ou envolvimento em actos decisórios obscuros? Mesmo ficando com a reputação social manchada, a nível pessoal garantiu o bem-estar e consequente qualidade de vida, porque quando abandonar o cargo tem direito a uma pensão de reforma, além de muito provavelmente ter garantido um cargo superior numa instituição nacional ou internacional.

Obviamente que o cidadão comum é contagiado por estas atitudes, e se não existisse a repressão- sob a forma de leis e forças de segurança- muito provavelmente seria a anarquia, porque todos iriam legitimamente procurar o melhor para si...

Deste modo, as elites produzem as leis para conter a população e evitar que esta também enverede por esquemas duvidosos, pelo simples facto que os recursos são limitados e não são suficientes para todos poderem retirar o seu pedaço...

E daí a pertinência do famoso refrão de uma música e autor que dispensam apresentações: “Eles comem tudo e não deixam nada...”

Colectivo vs individual

Num blog mediático (A Educação do meu umbigo), o seu autor escreveu isto:

Tornei-me gradualmente, ainda no início da idade adulta, um descrente em matéria de colectivos. Ainda mais dos colectivos por inacção ou daqueles em que os indivíduos se escondem por entre as massas.
Sei, por observação directa, que protegidos pela multidão, há indivíduos extremamente corajosos, que gritam a plenos pulmões a revolução total e outras coisas igualmente desinteressantes.
Por deformação, desconfio das tomadas de posição unanimistas, de braço no ar ou caído. Deve ser por isso que há quem me ache um bocado reaccionário, pois - apesar da prática de trabalho em equipa não me desagradar nada - sou fortemente individualista num sentido algo radical, ou seja, no de que cada indivíduo deve ser responsável pelos seus actos e não se acobertar atrás do colectivo.

O colectivo de que eu mais gosto - talvez mesmo o único - é aquele que se constrói pela soma das vontades e atitudes individuais, conscientes e livres. Não por pressão dos pares ou conveniências do momento.

Apesar de uma argumentação algo contraditória, a atitude individualista de luta é louvável e reveladora de uma integridade moral e ética. Contudo, é ineficaz e insensata. Num regime não democrático ou deficientemente democrático (como aquele em que vivemos) o cidadão comum sozinho não tem qualquer tipo de defesa contra as potenciais injustiças a que possa ser sujeito pelo sistema. A sua única defesa está no número, na união; se ele se integrar no colectivo dos outros cidadãos, obtém-se um mecanismo de defesa poderoso. Uma atitude solitária, não consegue provocar mudança e é sumariamente trucidada pelo sistema; uma atitude colectiva, dificilmente é trucidada e pode provocar mudança para cada indivíduo. Sugere-se que o somatório das atitudes individuais constroem o colectivo; apesar da lógica do raciocínio, este enferma da falta de coordenação: sem ela, o somatário apenas fica pelas parcelas. É necessário coordenar as parcelas, que cada uma saiba o que a outra faz, para que obtenha um resultado colectivo.
O que é preferível: que existam muitos cidadãos que só se manifestem a coberto da multidão ou que nem sequer se manifestem? Entre uns e outros, é de valorizar os que se manifestam; os outros, não correm nenhum risco, não abdicam, e se não existir mudança, resignam-se, mas se existir, usufruem dos benefícios sem terem mexido uma palha...
Portanto, não é intelectualmente correcto menosprezar os que se predispõem a se manifestar a coberto da multidão; há vários séculos atrás, Gengis Khan teve o discernimento de compreender este fenómeno e para convencer os seus generais da necessidade de fazer alianças com outras tribos, exemplificou da seguinte maneira: pegou numa seta e quebrou-a facilmente; depois, juntou um molho delas e ninguém as conseguiu quebrar...

Quem manda numa nação?

Quem tem o poder económico e financeiro; tendo este, tem o poder das armas. Mao Tse-Tsung afirmou pertinentemente que o ‘poder está na ponta da espingarda’; tendo o dinheiro, compra-se este poder, por que os militares também o procuram. Por isso, é uma falácia quando se afirma que num regime democrático o poder está nas mãos civis; quem sustenta a soberania das instituições é quem tem as armas na mão, e portanto, os civis necessitam do apoio incondicional das forças armadas e de segurança, sem as quais ficam sem o poder. Deste modo, deduz-se que o verdadeiro poder esteve, está e estará nas mãos das forças armadas.

25/04/09

Nós, o povo, é que ainda não sentimos o verdadeiro 25 de Abril. Os autores materiais da revolução podem exprimir o seu desalento e dizer o que vai na alma do povo, mas mantêm o seu estilo de vida, com os seus rendimentos garantidos, os direitos adquiridos, as promoções por critérios políticos. Nenhum deles está em situação de crise, sufoco financeiro, ou vislumbra a hecatombe do desemprego no horizonte. A verdade nua e crua é esta: nenhum politico, dirigente, oficial militar, vive na iminência do desemprego ou de salários precários, tendo sempre garantido o rendimento confortável até ao fim dos seus dias.
Nós, o povo, é que sofremos na pele o que para esses é um simples imaginário…

24/04/09

24 de Abril

Em muita coisa ainda continuamos como era o país no dia 24/04/1974. Principalmente, desde 2005 com a posse de um governo cuja ideologia que empunhou foi uma das principais responsáveis pelo 25 de Abril, que o retrocesso foi insidioso e marcante. Vários sinais de repressão foram surgindo, de traição politica, arvorando ideias que quando se concretizam se revelam antagónicas ao que se anuncia.
Continuamos com o mesmo problema endémico que sempre existiu: a corrupção. O orçamento de Estado é um bolo muito apetecível para ser sujeito ao saque sistemático pelos mesmos grupos de pessoas que apresentam o mesmo apelido de família que há décadas também existiu; continuam a governar, a explorar, a reprimir e a manter o status quo social com a mesma desigualdade.
A ditadura não acabou; adaptou-se, camuflou-se sob outras capas ilusoriamente benéficas, e age encapotadamente ao longo do tempo. Jamais irá se extinguir; apenas existe a esperança de a dominar e condicionar a níveis menos maléficos para o cidadão comum.

17/04/09

Tópico 400

Os chamados números redondos sempre foram atractivos na história da humanidade; talvez pela sensação aparente(?) de equilíbrio, harmonia, que transmitem. Sendo este o tópico nº 400, cai neste conceito que explicitei. O blog é uma catarse das nossas ansiedades, receios, medos, pensamentos, emoções, reflexões. A necessidade de partilhar publicamente talvez seja uma forma de procurar a cooperação, a percepção de comunidade em que os seus elementos possuem características em comum que muitas vezes se convenciam de não existirem.

O objectivo final é que todos interiorizem que estão no mesmo barco, a navegar nas mesmas águas, e que apesar de poderem estar em locais distintos dentro do barco, as suas acções nesses locais condicionam o barco na sua totalidade.